segunda-feira, 31 de março de 2014

Coreto de Fronteira

Da data de construção ninguém sabe, mas é provável que o mesmo tenha erigido em meados do século XIX, visto que pela mesma altura se criou nesta localidade uma filarmónica.
Conhecem-se, no entanto, três datas de reconstrução.
A primeira ocorreu no ano de 1899. A notícia seguinte, datada de 1917, da conta de uma nova reparação no coreto.
Dezassete anos volvidos, em 1931 deram-lhe o aspecto que actualmente apresenta e foram da responsabilidade da Igreja Matriz de Fronteira, sua proprietária.
De planta octogonal, com 2,40 de lado e a 1,65m do solo, constituído em alvenaria, tem o seu pavimento em argamassa de cimento, com pilares em ferro fundido, gradeamento em ferro forjado e a cobertura de chapa zincada lisa, com estrutura em ferro fundido.
É utilizado muito esporadicamente em algumas festividades religiosas.
Não tem iluminação nem acesso próprio.
Está separado do jardim por um pavimento calcetado.
Mantém-se em bom estado de conservação.
Fonte: Coretos do Norte Alentejano / Maria de Lurdes Ferreira Serra




O coreto foi mandado construir em 1845, estando inicialmente relacionado com o culto religioso, uma vez que era propriedade da Igreja Matriz.
Originalmente a sua implantação correspondia à área cemiterial.
Em 1899 sofreu obras de reconstrução, com carácter de urgência, tendo em vista a utilização festiva das comemorações da passagem do século.
Em 1917, sofreu novas de reparação, procedendo-se à substituição das colunas em madeira por outras construídas em chapa metálica.
Em 1941, sofreu nova intervenção após os estragos provocados pelo ciclone de 15 de Fevereiro desse ano.
Tem base octogonal executada em alvenaria, sendo toda a estrutura superior em ferro trabalhado.
Fonte: Património Rural do Norte Alentejo – Associação dos Municípios do Norte Alentejano – Setembro 08.
Foto:http://4.bp.blogspot.com/-rvtgIuLT3Vw/UlPCyY4FAII/AAAAAAAAF8k/saEcBQIiS_8/s1600/1383833_10202341491444666_327293627_n.jpg

sábado, 29 de março de 2014

Museu do Trabalho (Abela)


Em pleno largo 5 de Outubro, num edifício datado da década de quarenta do século passado, que já funcionou como escola primária, posto médico e quartel da Guarda Nacional Republicana, está instalado, desde maio de 2008, o Museu do Trabalho Rural.
Um museu que pede tempo para ver e para sentir. Logo à entrada uma inscrição do escritor Miguel Torga recorda esse tempo: «O Alentejo lembra-me sempre um imenso relógio de sol, onde o Homem faz de ponteiro». Dá-se o mote. Fala-se do território e dos seus protagonistas. A exposição começa por um enquadramento físico do concelho. Um jogo entre planície litoral/serra/planície interior e a forma como a orografia, o clima, o solo influenciam a ocupação humana. Ilustra-se com amostras de terras. Complementa-se com a preciosa Carta Agrícola de Gerardo Augusto Pery (século XIX), com instrumentos topográficos.
Antecipando a subida ao segundo piso, percorrem-se instrumentos agrícolas: uma charrua Melotte, testemunha a brutalidade no lavrar a terra, esforço para seis juntas de bois.
Num recanto um expositor não esquece as mãos engenhosas do concelho com mostra de artes tradicionais: latoaria, cestaria, bordados. Próximo, recordam-se as feiras tradicionais, espaços para «o pregão dos
vendedores, a lamúria dos mendigos, as gargalhadas das multidões», como se explica.
Sobe-se ao segundo piso, inicia-se uma viagem pelos ciclos da terra. Objectos e imagens contam a lavra, a cava, o desterroar e as sementeiras, as mondas, as regas, as ceifas, as debulhas, o armazenamento dos cereais. Trigo, arroz, centeio, desfilam contados pelos objectos, pela fotografia e pelas descrições. Ficamos a saber que a debulha dos cereais se fazia por quatro métodos: a pé de gado, a trilho, com malho, mecânica. Surpreende a dimensão da forca; a força a que obrigava. Admira-se o engenho: dedeiras fabricadas com canas, para evitar ferimentos. Um cantinho é destinado aos transportes: o carro e a carreta de bois, o carro cantador, os arreios, a ferragem das bestas. Num expositor não podemos deixar de reparar: antigas publicações em torno do mundo rural: lavoura portuguesa (1955), Gazeta das Aldeias (1913), O Lavrador (1910), Almanaque O Século (1955).
Um pequeno mundo com porta aberta para o Largo 5 de Outubro, a avistar a Igreja ao cimo da rua.
Um espaço que, apesar de se situar na pequena aldeia de Abela, uma das 11 sedes de freguesia de Santiago do Cacém, pretende mostrar parte da vida rural do concelho.

Copiado da página do Facebook do Diário do Alentejo: https://www.facebook.com/diariodoalentejo e do site: http://www.cafeportugal.net/pages/sitios_artigo.aspx?id=1466

sexta-feira, 28 de março de 2014

Convento de Nª Sra da Esperança (Alcáçovas)





Integrado na Ordem de S. Domingos, o convento de N.ª Sr.ª da Esperança teve os seus primórdios na ermida de manuelina de N.ª Sr.ª da Graça, que havia sido construída no alto da Serra de Alcáçovas, a cerca de 3km de distância ao norte da vila.
Os milagres atribuídos à Virgem da Esperança, nas centúrias passadas alcançaram grande projecção e muitos dos eventos sobrenaturais foram autenticados por pessoas gradas, como o Bispo de Fez D. Fr. Manuel dos Anjos e outras.
O edifício conventual, construído no mais elevado cabeço da herdade, com domínio de paisagem grandiosa peculiar dos nossos sítios, oferece pitoresca e garrida silhueta nos seus volumes recortados no horizonte, alvos de cáio com toques populistas de escaiolas coloridas.
Tem corpo de nave, no centro do bloco sagrado, dos alvores do século XVI; capela-mor, elevada, do período barroco seiscentista e alpendre atarracado, de varandim, concebido por três arcadas plenas, mas aberto apenas axialmente, com tecto de penetrações e obra de época avançada do século XVIII, guarnecido, na cimafronte, por sumido cronograma metido em tabela coroada, mariana, de estuque.
A possante torre, quadrada, delimitando em andares o bloco religioso, foi terminada no ano de 1684, data que subsiste embebida em tabela barroca na face oriental e tem quatro olhais capeados de cantos de mármore: apenas conserva um sino de bronze, datado de 1743, e é envolvida por varandim de grelhas de tijolo, dispostas em rectângulos.
É o templo original, de traça gótica popular e de planta rectangular, dividido em três tramos de arcadas redondas e abóbadas nervuradas.
Os altares cruzeiros são consagrados a S. Bartolomeu e Santa Rita de Cássia.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Igreja Matriz de Alcáçovas





A primitiva igreja matriz de Alcáçovas, dedicada a Santa Maria, foi fundada em 1308 pelo bispo de Évora D. Fernando II (ESPANCA, Túlio, 1975). O templo foi comenda da Ordem de Cristo, e posteriormente da Ordem de Avis, tendo como padroeiros os donatários da vila, os Henriques de Trastâmara.
Em meados do século XVI, a igreja foi reconstruída segundo um novo projecto, de gosto maneirista, sendo o risco da fachada muito semelhante à estrutura da igreja do Espírito Santo de Évora. Desconhece-se o autor da traça, sabendo-se porém que durante alguns anos a obra de edificação foi dirigida pelo mestre de pedraria Baltazar Fernandes (Idem, ibidem).
Nesta época, a matriz terá mudado de orago, tendo então como padroeiro São João Baptista, e no século XVIII passou a ser dedicada a Cristo Salvador, orago que se manteve até hoje.
De planta rectangular, desenvolvida longitudinalmente, o templo apresenta uma fachada que se divide em três registos e cinco panos. Estes são marcados pela disposição de pilares dóricos, que separam o corpo principal, os corpos laterais, correspondentes às naves colaterais, e os dois torreões.
Da edificação quinhentista são os portais, o principal de moldura rectangular encimada por frontão, de gosto classicista, e os laterais, de moldura rectangular simples, e os torreões coroados por sineiras e pináculos piramidais. O programa decorativo barroco, que englobou as molduras dos janelões do segundo registo, o remate do frontão do corpo central e os fogaréus, foi executado cerca de 1748 (Idem, ibidem).
O espaço interior divide-se em três naves de cinco tramos, antecedidas por coro-alto e cobertas por abóbada de nervura assentes sobre colunas dóricas. Da campanha quinhentista subsistem também o púlpito, de mármore, e as pias de água benta. Em cada nave colateral foram abertas quatro capelas. Do lado do Evangelho foram consagradas as capelas de Nossa Senhora do Rosário, decorada com pintura mural, Nossa Senhora dos Remédios, que alberga no retábulo uma tela maneirista com a representação da Santíssima Trindade , a capela do Senhor Jesus do Pereira, e a capela-panteão dos Henriques, ou do Senhor dos Passos, reaproveitada da estrutura original do templo, mas que sofreu algumas transformações no século XVII, que no entanto não alteraram o arco gótico da entrada e os túmulos dos instituidores. Posteriormente, este espaço foi decorado com pintura mural a seco, durante duas campanhas decorativas, uma realizada no século XVIII, que corresponde ao camarim da capela, outra do século XIX, na abóbada e alçados (SOUSA, Catarina, 2003, p. 125).
Do lado da Epístola situam-se as capelas de Santo António, decorada com painéis de azulejos seiscentistas, a de São João Evangelista, a de São Miguel, e a de São Francisco Xavier, onde foi inserido o túmulo de Pedro Fernandes Colaço da Fonseca, mordomo-mor do infante D. João, que havia sido enterrado na igreja primitiva.
A capela-mor, de planta quadrangular, é antecedida por arco triunfal pleno assente em pilastras dóricas. O espaço é coberto por abóbada de caixotões de pedra, que em época posterior à sua edificação foi estucada e policromada, e as paredes laterais são forradas com painéis de azulejo de tapete, policromos e com figuração naturalista, executados por uma oficina lisboeta cerca de 1696. O retábulo-mor, de talha maneirista dourada e policromada, foi executado pelo mestre eborense Sebastião Vaz em 1640, albergando no centro uma tábua pintada em 1712, representando Cristo Salvador (ESPANCA, Túlio, 1975).
Catarina Oliveira
GIF/IPPAR/2005


Fotos gentilmente cedidas pelo compadre Celestino Manuel.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Megalitismo em Monsaraz


António Isidoro de Sousa



"O Dr. António Isidoro de Sousa, no início do séc. XIX, foi o grande impulsionador do desenvolvimento da vila de Viana do Alentejo,
tendo aí desenvolvido actividades que o transformaram em pioneiro no cooperativismo e associativismo em Portugal.

Filho do médico António José de Sousa e de Maria José de Sousa, nasceu em "Vianna do Alemtejo" no dia 4 de Abril de 1843 e faleceu,
na mesma localidade, no dia 19 de Dezembro de 1914.

No Instituto Agrícola, concluiu o curso de "veterinário-lavrador"
em 1864. Exerceu os cargos de Intendente da Pecuária em Évora e Coimbra, onde contactou com figuras proeminentes da "Geração de 70", como Antero de Quental e Eça de Queirós. Posteriormente, é colocado como agrónomo distrital em Beja. Foi convidado para exercer vários cargos, como professor da Escola Veterinária de Lisboa, Director Geral da Agricultura, Deputado e Governador Civil, tendo-os recusado a todos para, in loco, se dedicar à sua terra natal, começando por promover
a criação da "Liga dos Lavradores do Baixo Alentejo" depois de fixar residência em Alvito.

Após a morte do seu pai, apoia e incentiva, em 1881, a divisão da Herdade do Palanque em 123 courelas, que foram arrematadas em Março de 1882. Promoveu a criação da sociedade cooperativa "União Vinícola e Oleícola do Sul", em Vianna do Alemtejo, no final de 1892, tendo assumido a sua gerência em 1893. Neste ano, a U.V.O.S. promoveu a última arrematação das 109 courelas em que fora dividida
a herdade Cegagatos. A Cooperativa construiu, junto à estação
de caminho de ferro de Viana, a "Adega Social" para o fabrico nacional dos vinhos da região. Instalou uma "Estação de Ensaios", onde eram divulgadas novas espécies de vinha e de produtos horto-frutícolas, demonstradas modernas técnicas agrícolas, ensaiados adubos químicos e instalado um posto de observação meteorológico.

Em 28 de Outubro de 1893, a U.V.O.S., pela mão de António Isidoro
de Sousa, conseguiu que o governo autorizasse a criação
da "Escola-Oficina Médico Sousa", que seria administrada financeira
e disciplinarmente pela Cooperativa, enquanto que a Direcção e Inspecção Técnica era da responsabilidade do ministro Dr. Bernardino Machado, que na altura fomentava o Ensino Industrial.

Esta escola dedicava-se ao ensino prático dos processos relativos aos ofícios de Oleiro, Forneiro de Loiça e Pintor de Cerâmica, actividades com muita implementação na vila.

É nesta escola que se encontram as raízes da actual Escola B2,3/S
Dr. Isidoro de Sousa de Viana do Alentejo.

Em 1895, aquando da extinção do concelho, é eleito Presidente da Comissão de Vigilância, tendo promovido uma grande movimentação em prol da restauração e ampliação do Município de Viana.
Reinstala a Comissão de Pastos em 1896, a qual fomenta a construção de uma fonte. Aquando da restauração do Concelho, em 1898, torna-se Presidente da Câmara. No desempenho destas funções, foi responsável pela construção de fontes, pelo loteamento de terrenos para
a construção de habitações e, por último, no ano do seu desaparecimento, em 1914, interferiu junto do governo para que fosse autorizada a divisão da Herdade da Vinagra em 123 courelas.
Pela mão do Dr. António Isidoro de Sousa a configuração
de Viana do Alentejo, ainda hoje, se distingue da de todas as outras regiões alentejanas."

Copiado do blog: http://vianadoalentejo.blogspot.pt/

terça-feira, 25 de março de 2014

Ponte da Ajuda



Foi mandada erguer por Manuel I com a função de assegurar a operação das forças militares portuguesas na margem esquerda do rio Guadiana, em apoio ao Castelo de Olivença, em 19 de dezembro de 1510,1 no chamado local de Nossa Senhora da Ajuda.

Em 1597, alguns dos arcos centrais desabaram, em consequência de fortes cheias que aumentaram significativamente o caudal do rio Guadiana. Mais tarde, em 1641, após vários Invernos rigorosos causando danos à ponte, esta foi reparada por ordem do general D. João da Costa, que mandou substituir dois dos arcos deficientes por pontes levadiças.
Foi parcialmente destruída pelo exército castelhano durante a Guerra da Restauração, em setembro de 1646, tendo sido reparada após o fim da guerra.

Mais tarde, em 1709, no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola, o exército castelhano fez explodir a ponte, destruindo-a mais uma vez parcialmente. A partir dessa altura, a ligação entre Elvas e Olivença passou a ter que ser realizada através de terras espanholas. A ponte permanece em ruínas desde essa data até hoje, não tendo sofrido qualquer restauro.

Em 1967, a ponte foi declarada como monumento de interesse nacional, pelo estado português.
Na cimeira luso-espanhola de 1994, o governo português recusou um empreendimento transfronteiriço de construção de uma nova ponte sobre o rio Guadiana, perto da ponte da Ajuda, chamando a si todos os encargos e responsabilidades de construção dessa futura ponte, evitando assim quaisquer formas de reconhecimento tácito de um traçado de fronteira sobre a linha do Guadiana e qualquer cedência do território de Olivença e correspondente património. Em 2000, foi inaugurada uma nova ponte, a curta distância a jusante da antiga, construída e financiada pelo governo português.

(Texto Wikipédia - Fotos Imenso Sul)
Artigo copiado na integra do blog : http://imenso-sul-alentejo.blogspot.pt/



segunda-feira, 24 de março de 2014

1º Encontro Pedestrianista/Senderista Luso-Espanhol















Foi ontem (23MAR14) o 1º Encontro Pedestrianista Luso-Espanhol, organizado pela Alqueva Entretenida (Cheles) e pela Visit Alqueva (Alandroal).
Com cerca de 60 participantes, Portugueses e Espanhóis, percorremos a antiga Rota do Contrabando do Café, entre Cheles e Montes Juntos, atravessando o Lago Alqueva de barco.
E, ao almoço, na praia de Cheles, saboreámos "Garbanzo", que em Português se trata de um "Guisado de Grão de Bico"...
https://www.facebook.com/AlquevaEntretenida?fref=ts
https://www.facebook.com/apoioalqueva?fref=ts
https://www.facebook.com/AlcacovasOutdoorTrails

E para visualização do percurso efectuado: http://www.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=6422746

Caminhadas SAL brevemente no Concelho de Viana do Alentejo



A SAL Sistemas de Ar Livre é uma Empresa de Animação Turística e Turismo de Natureza, licenciada pelo Turismo de Portugal IP, especializada em Passeios Pedestres, Cruzeiros Fluviais e Costeiros, Educação Ambiental, Formação Motivação Animação Outdoor e Organização de Eventos.

As suas actividades decorrem em território nacional, destinadas a residentes, visitantes e turistas nacionais e estrangeiros, preferencialmente em ambiente natural, e com o claro objectivo de criar felicidade e partilhar conhecimentos com as pessoas que nelas participam.



Para além da apresentação formal que temos em cima, a SAL é muito mais que isso. Criamos uma comunidade de pessoas que gostam das coisas boas da vida, que gostam de se divertir, de conviver, de aprender. Que apreciam um lazer inteligente, que buscam sensações e desafios seguros, que procuram a felicidade. Seja para o seu lazer pessoal, individual ou em grupo, ou integrados em eventos das suas empresas ou organizações, os participantes nas actividades SAL superam sempre as suas expectativas ao nível da animação, motivação e formação que recolhem nas suas experiências e vivências.

A SAL Sistemas de Ar Livre foi fundada por José Pedro Calheiros e Jorge Calheiros em Abril de 1996, após um período de estudo de mercado, preparação técnica e procedimentos administrativos, que começaram cerca de oito meses antes. A percepção de uma mudança de hábitos em Portugal com uma crescente procura de um turismo activo e alternativo, em que a autenticidade dos territórios, a valorização dos produtos e saberes regionais e a descoberta dos bens naturais e patrimoniais, fizeram com que a SAL baseasse a sua génese como uma empresa de serviços de lazer direccionada para um público que procurava novos desafios, diferentes dos conceitos radicais que então estavam na moda. A construção da sua oferta direccionou-se para os mercados corporate, para empresas e instituições que procuravam formação, motivação e animação outdoor e indoor diferenciadas; para os mercados educativos, para escolas e colégios que acreditavam num processo alternativo de ensino e educação e para o mercado de individuais, para o lazer pessoal e familiar de fim de semana, descobrindo uma nova atitude activa de turismo.
 

domingo, 23 de março de 2014

António Gonçalves Correia

António Gonçalves Correia nasceu na aldeia de São Marcos da Ataboeira, na herdade de Castro Verde. Viveu grande parte da sua vida em Beja. Caixeiro-viajante de profissão, foi detido em diversas ocasiões pela PIDE por se dedicar à produção de panfletos anarquistas, participar em publicações libertárias e pregar publicamente os seus ideais políticos. Sobre ele registam os arquivos da polícia política do antigo regime: «Vive em Beja. É um comunista perigoso, sendo considerado em todo o Alentejo, como organizador e orientador de todos os movimentos de caractér social. - Já esteve preso, por estar implicado nos tumultos sangrentos de 1918, em Beja. Sendo posto à disposição da 4ª divisão do Exército. ( Doctº 133F). É administrador do concelho maximalista, em Beja. (Doc. 285 F.16. 8.920). 

Os conteúdos e as formas do pensamento, assim como as experiências comunitárias, de António Gonçalves Correia, mais do que nunca, devem ser objecto de um exercício de interpretação e de compreensão por todos aqueles que acolhem a filosofia e prática libertárias.
Em primeiro lugar, o pensamento e as formas de intervenção social de António Gonçalves demonstram à saciedade que a anarquia, enquanto um ideal, uma filosofia, uma ética e uma estética, é sempre possível de ser interpretada, explicada e vivida consoante cada indivíduo ou grupo que aspira à construção de uma sociedade sem deuses e sem amos. A visão tolstoiniana que António Gonçalves Correia tinha da anarquia leva-o a abraçar um tipo de anarquismo naturista e pacifista, numa época em que predominavam as teorias e as práticas do anarco-comunismo e do anarco-sindicalismo. Não admira assim que a sua intervenção social fosse marginal no contexto dos movimentos sociais e do anarquismo que tinham maior expressão nas primeiras décadas do século XX em Portugal. Em segundo lugar, os exemplos comunitários de construção e de experimentação social anarquista no contexto das sociedades capitalistas, como foram os casos emblemáticos da Comuna da Luz, sediada em Vale de Santiago, entre 1917 e 1918, e a Comuna Clarão, sediada em Albarraque, entre finais da década de vinte e princípios da década de trinta do século XX, revelaram-se extraordinariamente importantes, na medida em que essas duas experiências se traduziram em modalidades práticas de utopias concretas. Essas experiências, ainda que tenham soçobrado e tenham sido atravessadas por uma série de contradições e conflitos, revelaram sobremaneira que não existe dissociação espácio-temporal entre reforma e revolução, entre teoria e prática, e sobretudo entre a utopia com um sentido histórico absoluto e a utopia com um sentido histórico relativo. Com esses tipos de experimentação social comunitária, António Gonçalves Correia e as outras pessoas que participaram nesse processo demonstraram quão difícil é traduzir na prática os princípios estruturantes da emancipação social: liberdade, fraternidade, amor e solidariedade. Em terceiro lugar, os exemplos subjacentes aos princípios e práticas do anarco-naturismo e do anarco-pacifismo que atravessaram a vida quotidiana de António Gonçalves Correia revestem-se de uma grande actualidade. Na verdade, quando hoje à escala mundial assistimos à destruição progressiva da natureza, com especial incidência na evidência empírica que nos é transmitido pela poluição atmosférica, camada do ozono, morte dos rios, florestas e mares, a atitude de António Gonçalves Correia em relação às espécies animais e vegetais é de uma força simbólica inimaginável."Comprar passarinhos que estavam prisioneiros nas gaiolas aos comerciantes que os vendiam nas feiras do Alentejo para depois os libertar", ou "desviar-se com a sua bicicleta dos caminhos percorridos pelas formigas para não as matar", são exemplos deste pensador de como nós devemos agir para se construir um equilíbrio ecossitémico entre todas as espécies animais e vegetais. São exemplos significativos que não basta lutar exclusivamente pelo fim da opressão e exploração entre os seres humanos, mas também contra a opressão e exploração destes sobre as outras espécies.

 Para mais informações sobre António Gonçalves Correia, a sua vida, obra e pensamentos:
 http://antoniogoncalvescorreia.blogspot.pt/

sábado, 22 de março de 2014

O Oliventino, o dialeto escondido de Olivença ...

Mistura de português arcaico, de dialeto alentejano, de castelhano arcaico e espanhol corrente, o dialeto Oliventino é uma lingua muito rica, mas que corre o risco de desaparecer se não fôr protegida e incentivado o seu uso junto dos mais novos.
Olivença foi uma importante Praça-Forte portuguesa, tendo sido perdida na célebre Guerra das Laranjas, aquando das invasões napoleónicas. Deveria ter sido entregue a Portugal, mas isso nunca aconteceu. 
Depois de quase 200 anos de anonimato, surge agora a esperança que o Oliventino seja recuperado, reconhecido como dialeto e acarinhado...

Exemplo de Oliventino escrito e falado:
     
A 5 km da Vila, em direcção a aldêa de S. Jorge da Lori constitui um núcleo urbano de muito interesse por a personalidade que lhe conferem as suas monumentais chunés. Assentada no sopé da Serra da Lôri, a 5 km. da Vila, constitui um conjunto marcadamente ruráli, com a fisionomia tradicional pouco alterada, destacando-se a sua arquitectura popular alentejana.

Transcripció fonètica en el parlar oliventí

[a siŋku ki'lometruḥ, da'bila, eŋ diresaw a-al'dea de sawžorž da'lori kosti'tuj un 'nukliur'banu de muitu iŋte'reḥ pora personali'da ke je con'fereŋ la'suaḥ monumen'taliḥ t​ʃu'neḥ. aseŋtada nusu'pe da'seRa da'lori, kosti'tuj uŋ koŋ'žuntu markada'mente Ru'rali, kuŋa fisjono'mia tradisjo'nali 'poku alte'ra, desta'kandose laswarkite'tura pupu'lari aleŋtežana]

Informação recolhida do blog: http://alemguadiana.blogs.sapo.pt/

sexta-feira, 21 de março de 2014

Museu Etnográfico do Torrão











O Museu Etnográfico do Torrão (MET) nasceu do objectivo da política cultural da autarquia de recuperar e salvaguardar o património cultural do concelho. O projecto assenta numa temática própria que desempenha um papel fundamental ao nível económico, social e cultural da freguesia do Torrão e do concelho: o ciclo do Pão.
O pão, produto simbólico e uma das bases da alimentação mediterrânica, é um dos mais importantes e conhecidos produtos tradicionais da região e a sua produção ainda marca a vida da população, como é visível pelo número de fornos e padarias que existiram e continuam a existir na freguesia. O objectivo principal da criação do museu é promover a sensibilização para o património em geral e para o património material e imaterial ligado a esta temática em especial, valorizando os saberes locais e a afirmação de uma identidade cultural.
O projecto compreende uma unidade museológica integrada no local, mas ao mesmo tempo complementada com visitas e percursos pela freguesia e pelo concelho, numa relação próxima entre exposição e realidade.
“O Ciclo do Pão” assenta em dois tipos de espólio: os artefactos e equipamentos resultantes da recolha material, e por outro lado, os testemunhos orais e escritos e informação complementar (fotografias, documentos escritos) que apresentam este ciclo ao longo dos tempos, de uma forma completa e abrangente.
Além da exposição permanente, o MET acolhe exposições temporárias. A exposição “O Torrão de Bernardim Ribeiro e Miguel Torga”, a mostra de fotografia antiga “Torrão. O viver de uma vila” ou a exposição arqueológica “O contributo de Arqueologia para o conhecimento da história do Torrão” são alguns dos exemplos de exibições que passaram pelo museu.
O próprio espaço merece uma visita. O MET está instalado num magnífico edifício, datado de finais do século XVIII ou inícios do século XIX, que funcionou como lagar de azeite tendo sido alvo de um cuidadoso trabalho de recuperação.

Rua das Torres
7595 Torrão

Telefone: 265 669 203

Horário de funcionamento:

De segunda a sexta feira e no 1º e 3º sábado de cada mês: 9h-13h às 14h-17h