segunda-feira, 27 de março de 2017

Carne de Conserva



Hoje retirei da minha mochila o livro de recordações e viajei até à gastronomia da minha infância...
Belos dias de férias passados no campo, onde a água límpida da ribeira nos convidava a nadar no verão, e onde se pescava peixe para a caldeta temperada com hortelã da ribeira que crescia nas margens! O sabor inconfundível do leite ao pequeno almoço acabado de ordenhar, os ovos frescos do galinheiro com os quais se faziam fatias douradas bem polvilhadas com açúcar amarelo e canela, o sabor ímpar de  uma maçã madura comida  debaixo da macieira... O calor reconfortante da grande chaminé na cozinha, onde no Inverno se  faziam  torradas de pão Alentejano  em lume de chão e se barravam com manteiga corada!...

Manteiga corada!

Quem não cresceu no Alentejo, provavelmente não sabe do que se trata!

Antigamente no Alentejo não existia electricidade. Hoje é impensável vivermos sem os nossos frigoríficos, mas os nossos antepassados mesmo sem frigorífico, desenvolveram técnicas de conservação de alimentos.
Como todos sabem o Verão no Alentejo é extremamente quente, o que acelera o processo de decomposição dos alimentos, no entanto, matava-se o porco no Inverno e a carne era conservada todo o ano.
O modo de conservação era a salgadeira. Uma arca de madeira, cheia de sal grosso, onde se introduzia a carne e os enchidos, ficando completamente tapados de sal. Depois, tapava-se com uma tampa de madeira para evitar que a luz entrasse e assim se conservava a carne de porco durante muitos meses.
Quando se cozinhava, colocava-se demolho umas horas antes para se extrair o excesso de sal.

Outra forma de conservação da carne de porco era a "Carne de Conserva"

Quando se temperava a carne para as linguiças, juntava-se a essa carne uns pedaços inteiros de febra,  toucinho e costelas de porco. 
No dia que se enchiam as linguiças, essa carne era frita em banha de porco e ficava dentro do taxo de barro, completamente tapada com a banha da fritura.
Deste modo a carne ficava conservada em banha, e podia ser consumida ao longo de um período de tempo mais alargado.

Com esta carne confeccionavam-se vários pratos típicos alentejanos, como as migas com carne de porco!

No entanto, quando se comia a carne, sobrava a banha da fritura, à qual se chamava "manteiga corada" 
Essa manteiga servia para barrar o pão!

... E posso garantir que uma torrada de pão caseiro em lume de chão, barrada com esta manteiga, é algo que não se esquece!


Deixo-vos a receita da carne de conserva!



Ingredientes

Carne de porco - (febra, costelas e toucinho)
Pimentão moído
Alho moído
sal
Banha de porco caseira para fritar





Corte a carne em pedaços médios e tempere com pimentão moído, alho moído e sal!
Deixe ficar de um dia para o outro a tomar gosto!
(Eu não coloquei toucinho)





No dia seguinte prepare o lume de chão! 

Não convém que o lume esteja demasiado forte, para a carne fritar lentamente.
A lenha deve ser de azinho!





Coloque a banha ao lume num tacho de barro até derreter.





Junte a carne temperada e deixe fritar lentamente.









Esta carne pode ser servida de dezenas de formas... desde um simples petisco para o lanche, com pão mole Alentejano e um tinto da região,  até vários tipos de migas Alentejanas!... 

Copiado integralmente do Blogue: http://viajardemochilaascostas.blogspot.pt/

domingo, 26 de março de 2017

Omelete de Silarcas e Espargos







Compadres, por estes lados aproveitamos tudo para fazer um bom petisco...
Com pouco se faz a festa aqui no Alentejo: Azeite, sal, coentros, espargos, silarcas, ovos , cogumelos e louro, tudo biológico . . .
Fotos da autoria da nossa comadre amiga Anabela Fialho...

sábado, 25 de março de 2017

De Viana do Alentejo a Vila Nova da Baronia










Na passada semana, os guias locais do Projeto Alcáçovas Outdoor foram fazer um reconhecimento de percursos entre Viana do Alentejo e Vila Nova da Baronia, com vista a que, no futuro, esta encantadora vila do concelho do Alvito esteja ligada á Grande Rota do Montado, rede de percursos pedestres que ligarão todas as localidades do Alentejo Central.
Com muita pena nossa, ao seguir a Carta Militar da área, detectámos que no concelho do Alvito, existem caminhos rurais que foram suprimidos pelos proprietários e que actualmente se encontram completamente vedados. Perguntamos a quem de direito: Esta situação é legal?
Poderá um latifundiário apropriar-se e fazer desaparecer caminhos rurais que desde sempre foram usados pela população e serviram as rotas de transumância dos rebanhos durante séculos?
Pode-se destruir uma paisagem magnifica com arames farpados, vedações e cancelas fechadas a cadeado?
E poderá fazer isso com impunidade?
Fica aqui a pergunta....
De modo algum queremos negar a alguém o legitimo direito á sua propriedade privada, mas os caminhos rurais pertencem a todos nós e não a um único proprietário.
Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, povo alentejano, abram os olhos e reajam, se puderem...
Qualquer dia só conseguiremos sair das nossas vilas e aldeias pela estrada alcatroada...


sexta-feira, 24 de março de 2017

Pôr do Sol na Carrasqueira...








Palavras para quê?
Estas são fotos da autoria do nosso compadre e amigo Paulo Nascimento, captadas ao Pôr do Sol no Cais Palafitico da Carrasqueira.

Junto à pequena aldeia piscatória da Carrasqueira, o engenho popular toma forma e com alguma criatividade desvenda uma solução curiosa para resolver o problema do acesso aos barcos durante a maré baixa – o porto palafítico.

As margens baixas e lamacentas do Sado impossibilitam o acesso às embarcações sempre que a água teima em não chegar a terra. Como resposta, a comunidade em franca necessidade, construíu um cais em madeira, cujos múltiplos braços penetram em ziguezague pelo sapal, formando por um lado, uma vasta área de atracação de barcos e por outro, um passadiço por onde podem circular facilmente redes, apetrechos e pescado.

Há mais de dois séculos que este porto tão tradicional tem servido de ancoradouro às embarcações locais.

E ao pôr do sol, quando a água se transforma num espelho e o silêncio desce sobre o rio, percorrer este local, único na Europa, pode transformar-se numa experiência inesquecível.

Texto copiado do site: http://www.herdadedacomporta.pt/pt/

quinta-feira, 23 de março de 2017

Grande Rota do Guadiana








Esta Grande Rota começa no Alentejo, em Pomarão (Mértola) e atravessa toda a faixa fronteiriça do Algarve, percorrendo trilhos junto ao Rio Guadiana e acabando em Vila Real de Santo António, ligando-se com a Via Algarviana.
Trata-se duma Grande Rota lindissima, que passa em várias terras muito interessantes, como Alcoutim ou Castro Marim e que recomendamos a todos os pedestrianistas...

Fotos gentilmente cedidas pelo nosso compadre e amigo Luis Contente.

quarta-feira, 22 de março de 2017

Pacotes de Açúcar Projeto Alcáçovas



Continuando a divulgação do património existente no Concelho de Viana do Alentejo através da emissão de Pacotes de Açúcar coleccionáveis, o Projeto Alcáçovas Outdoor Trails emitiu no último mês duas séries de dois pacotes cada, subordinados ao tema " Locais de Culto Religioso no concelho de Viana do Alentejo".
Assim, o Santuário de Nª Sra d'Aires e a Igreja Matriz do Salvador de Alcáçovas já têm lugar de destaque nas colecções dos nossos amigos, que apoiam o nosso Projeto com o saudável hábito de coleccionar os nossos pacotes de açúcar...
Em forma de salutar convívio, em 17JUN17 vamos organizar o 3^Encontro de Coleccionadores na Vila das Alcáçovas !...
Apareçam !...





terça-feira, 21 de março de 2017

Nisa











Nisa é uma vila no Distrito de Portalegre, região Alentejo e sub-região do Alto Alentejo, com cerca de 3 300 habitantes. 
É sede de um município com 575,68 km² de área e 7 450 habitantes, subdividido em 7 freguesias. (Wikipédia)
Atendendo às últimas investigações sobre a fundação da Vila de Nisa da responsabilidade do Prof. Carlos Cebola, podemos avançar com factos novos que vieram trazer uma nova versão da mesma o que muito enriqueceu o nosso conhecimento sobre a história de Nisa. Neste sentido os factos apresentados são fruto dessa investigação.
Em 1199 D. Sancho I doa a Herdade da Açafa à Ordem do Templo, este território era delimitado, de modo muito sumário a norte pelo Rio Tejo e a sul detinha parte do território dos actuais concelhos de Nisa, Castelo de Vide e parte do território espanhol junto á actual fronteira. Estas doações tinham como objectivo fixar moradores em zonas ermas e despovoadas e consequentemente defender o território.
Os Templários edificaram uma fortaleza que os defendesse dos infiéis e sinalizava a posse desses territórios. Ao mesmo tempo o monarca anuncia a vinda de colonos franceses, que chegaram de forma faseada, sendo o último grupo destinado ao povoamento do território da Açafa.
Instalaram-se junto das fortalezas construídas pelos monges guerreiros e aí ergueram habitações, fundaram aglomerados populacionais a que deram o nome das suas terras de origem. É neste sentido que surge possivelmente o de Nisa, ou seja sendo os primeiros habitantes oriundos de Nice, ergueram aqui a sua “ Nova Nice” ou melhor dizendo, a Nisa a Nova, que encontramos nos documentos, e quando surge o termo Nisa a Velha, este refere-se á sua antiga terra de origem, a Nice francesa.
Assim terão nascido Arêz (de Arles), Montalvão (de Montauban), Tolosa (de Toulouse), cidades do Sul de França.
O primeiro Foral foi dado à Vila de Nisa entre 1229 e 1232, pelo Mestre Dom Frei Estêvão de Belmonte.
Em 1512 D. Manuel I atribuiu novo Foral á Vila, aparecendo a palavra Nisa escrita com dois “ss “, ou seja Nissa, provavelmente sob a influência da palavra Nice.
Em 1343, D Afonso IV estava em guerra aberta com o seu genro, Afonso XI de Castela, o que colocava em risco toda esta zona fronteiriça, daí o Mestre da Ordem ter solicitado ao Rei a construção de uma muralha para protecção da população, pedido este que foi aceite.
D João I atribui o título de “ Notável” à Vila de Nisa e D. João IV por carta régia de 13 de Outubro eleva Nisa à Categoria de Marquesado, de que fez mercê a D. Vasco Luís de Gama, 5º Conde da Vidigueira.
Ao Concelho de Nisa foram anexados os de Arêz e Montalvão por decreto de 6 de Novembro de 1836 e os de Alpalhão e Tolosa no decreto de 3 de Agosto de 1853, tendo sido desanexadas em 1895 e novamente anexadas em 1898.
A freguesia de Amieira do Tejo passou para o concelho do Gavião em 1836, mas transitou para Nisa através de decreto de 26 de Setembro de 1895.