quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

As Pilha-Galinhas


Era véspera de Natal e as duas velhas  não tinham nada para comer...
Para quem não sabe, o Alentejo nunca foi terra de prosperidade, até chegava a ser muito hostil para os seus habitantes, que eram na sua larga maioria camponeses que ali passavam a vida a trabalhar. Imaginem agora o que acontecia aos que já nem tinham tinham préstimo para tal, a esses restava-lhes morrer, caso ainda tivessem um pequeno vestígio de dignidade.
Ora bem: duas velhas com maleitas já deviam anos á cova, só pernoitavam no monte porque o feitor, com ordens do senhor Conde, o dono da Herdade, que vivia lá longe na grande cidade, as deixava por ali ficar...
Assim sendo, coitadas, depois de servirem como criadas na casa grande durante décadas, o patrão novo achou que  não haveria problema se acabassem por ali os dias, naquele monte longe de tudo...
Mas passavam barrigadas de fome, porque viviam de esmolas numa terra de pobres...
Mas, naquele ano, o Menino Jesus decidiu compensá-las com uma prenda: Na noite anterior, uma família de ciganos veio acampar nas proximidades do monte e por ali ficou até ser corrida pelo feitor da herdade.
Que o Patrão não queria ali Ciganos, asquerosos e ranhosos, que fossem largar as pulgas e os percevejos lá longe, na vila... Que tivessem paciência...
E que não voltassem tão depressa, porque seriam corridos á lei da bala !...
E lá partiram os ciganos, pai, mãe, três ciganitos e duas ciganitas pequenas, carroça mal enjorcada, dois cães esqueléticos e uma mula velha, trapos e tralhas...
Foi então que as comadres velhas foram á capoeira e roubaram duas galinhas bem gordinhas...
Nessa noite de Consoada, comeram as galinhas cozidas e fizeram Canja de Galinha para os dias seguintes...
Durante dias não tiveram fome, graças a Deus !...
E, quando o feitor se apercebeu da falta dos seus galináceos, foram as duas comadres velhas as primeiras a dizer aos gritos:
"Foram aqueles Pilha-Galinhas, não valem nada, Cabrões dos Ciganos !..."

Autoria do conto : João Mendes. Todo os direitos reservados, proibida a cópia do texto sem autorização do autor.


terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Feliz Natal !..


Os autores deste blogue desejam a todos os nossos amigos e amigas, compadres e comadres, um Santo e Feliz Natal !...

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

O Alentejo também tem Caminhos de Santiago...



"O dia mais belo? Hoje.
O maior obstáculo? O medo.
A coisa mais fácil? Errar.
O maior erro? Desistir.
A raiz de todos os males? O egoísmo.
A distração melhor? O trabalho.
A derrota pior? O desânimo.
Os melhores profissionais? As crianças.
A primeira necessidade? Comunicar-se."
Madre Teresa de Calcutá




Os Caminhos de Santiago Alentejo e Ribatejo atravessam dois territórios muito distintos.
Diferem nos costumes e tradições, na forma de viver das gentes, na cor das paisagens, nas experiências que proporcionam.

http://www.caminhosdesantiagoalentejoribatejo.pt/


                        Sinalética dos Caminhos de Santiago em Aguiar ( Viana do Alentejo )

domingo, 22 de dezembro de 2019

Vamos á Oficina das Ruas Floridas?

















A Oficina das Ruas Floridas está instalada no edifício do antigo Cinema Capitólio, construído nos anos 40 do séc. XX .  Em 1987 é adquirido pela Câmara Municipal de Redondo passando a chamar-se Cineteatro Municipal funcionando até ao ano de 2006 como sala de espetáculos até à inauguração do Centro Cultural de Redondo.
O principal objetivo da Oficina das Ruas Floridas é promover e divulgar o evento das Ruas Floridas assim como a arte de trabalhar o papel. É um espaço multifuncional de exposição, investigação, educação e centro de recursos de apoio às Ruas Floridas envolvendo a comunidade e a sua participação na gestão e animação deste espaço, favorecendo o diálogo e proporcionando conhecimento, prática e transmissão de saber.
A Oficina expõe objetos de papel que fizeram parte dos cenários das Ruas Floridas, os quais sintetizam o trabalho e a habilidade dos redondenses na arte de trabalhar o papel. A Oficina pretende ser um espaço vivo, cuja coleção se renova de dois em dois anos, altura em que se realizam as edições deste evento. Este património imaterial que se exibe graças à sua musealização mostra os testemunhos de uma festa que faz parte da memória coletiva dos redondenses, assim como da sua identidade.
Horários:
Verão (abril a outubro)
Terça a domingo das 10h às 13h |14h às 19h
Inverno (novembro a março)
Terça a domingo das 10h às 13h |14h às 18h
Telefone: 266989220

sábado, 21 de dezembro de 2019

Ruínas das Termas da Ganhoteira











Ruínas das Termas da Ganhoteira.
Entre as vilas de Aguiar, no concelho de Viana do Alentejo e São Bartolomeu do Outeiro, no concelho de Portel, situam-se as ruinas das Termas da Ganhoteira, estas já pertencentes ao Concelho de Évora.
Registos de construção de 1853.
Encontram-se abandonadas há cerca de sessenta anos e actualmente pertencem á Fundação Eugénio de Almeida, que delimitou a área com vedações, permitindo no entanto, a passagem nos caminhos rurais que servem esta área. Antigamente, os habitantes locais procuravam vir a banhos a estas termas, pois trata-se de uma água muito ferruginosa e hipossalina, formando uma nata vermelha à superfície. Era utilizada para doenças de pele e do foro psiquiátrico.
A Associação dos Amigos de Alcáçovas, através do Grupo Pedestrianista Alcáçovas Outdoor, organiza regularmente caminhadas nesta zona da Serra de Portel.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Montes alentejanos- História











Grande parte do que hoje conhecemos como Península Ibérica, estava sobre a influencia dos Fenícios que tinham na península uma base importante na sua rota de comercio. Estes foram um dos primeiros povos da península a tentar criar algo semelhante a um Estado, onde as regras fossem similares entre os diferentes povos que coabitavam esta região.

Com mais de 2500 anos o Monte Alentejano teve a sua maior influência na arquitetura mediterrânica instituída (em boa parte) pelos fenícios, onde se dava grande importância à privacidade do espaço, estando centrado sobre os pátios o que garantia que estariam salvaguardados dos olhares indiscretos de possíveis mirones.

Existe nisto tudo isto um sentido de contraditório, uma vez que no atual Alentejo (e no da altura) nas paisagens de perder a vista os vizinhos mais próximos podem estar a dezenas de quilómetros.

Mas a criação do Monte é também uma rutura conceptual, estrutural e arquitetónica com o que era a predominância nas habitações da época. 

No final do século VII e durante o início da idade do Ferro, os grandes povoados começam a dispersar-se pelo campos alentejanos, e esta nova realidade que passa a assentar no cultivo, na força laboral da família é transmitida para a própria construção, deixando de parte a estrutura circular das pequenas cabanas, para acolher esta nova realidade arquitetónica. 

A família que já era a base da comunidade, torna-se a base do trabalho e na base da própria forma de organização estrutural, cultural e social.

Estes montes eram instalados principalmente junto de linhas de água permanente ou de várzeas, o que reforça a predominância do caracter agrícola ou agro – pastoril destes povoamentos.

Muitas destas técnicas de construção e da própria organização do espaço é importada do litoral, e aplicada numa zona onde eventualmente poderia não fazer grande sentido à primeira vista, mas que permitiu a criação de pequenas comunidades rurais auto sustentáveis e com modelos organizacionais próprios.
( Carlos Dias, Público )

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Caminhos de Santiago: De Alpalhão a Nisa















Um tributo aos granitos de Nisa e às vastas planícies de pedra recortadas por inúmeras ribeiras de águas límpidas nos Caminhos de Santiago - Alpalhão até Nisa - Caminho Nascente 18.
Alpalhão Art and Walking Festival 2019 - Festival Artes e Caminhadas de Alpalhão 2019
29 Novembro a 08 Dezembro no Alto Alentejo
Ver tudo em www.portugalwalkingfestival.com
Texto e fotos: José Pedro Calheiros ( SAL- Sistemas Ar Livre )