segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Na Ilha Do Pessegueiro












Depois de ver estas fotos gentilmente cedidas pela comadre Florbela Vitorino, tiradas este Verão na ilha do Pessegueiro, juntinho a Porto Côvo, veio-me á lembrança a letra duma sobejamente conhecida canção do Rui Veloso: "Porto Covo"

Roendo uma laranja na falésia
Olhando o mundo azul à minha frente
Ouvindo um rouxinol nas redondezas,
No calmo improviso do poente

Em baixo fogos trémulos nas tendas
Ao largo as águas brilham como prata
E a brisa vai contando velhas lendas
De portos e baías de piratas

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

A lua já desceu sobre esta paz
E reina sobre todo este luzeiro
Á volta toda a vida se compraz
Enquanto um sargo assa no brazeiro

Ao longe a cidadela de um navio
Acende-se no mar como um desejo
Por trás de mim o bafo do estivo
Devolve-me à lembrança o Alentejo

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo

Roendo uma laranja na falésia
Olhando à minha frente o azul escuro
Podia ser um peixe na maré
Nadando sem passado nem futuro

Havia um pessegueiro na ilha
Plantado por um Vizir de Odemira
Que dizem que por amor se matou novo
Aqui, no lugar de Porto Côvo.


E, já agora, vou partilhar convosco uma Lenda daquela região do Litoral Alentejano:

A tradição guarda a lenda do milagre de Nossa Senhora da Queimada.

Conta-se que em meados do século XVIII chegaram à ilha piratas do Norte de África e que ali só encontraram um ermitão. Este, decidido a defender uma ermida sob a invocação de Nossa Senhora que tinha à sua guarda, enfrentou os piratas acabando por ser assassinado. Depois de saquearem o que existia na capela, os piratas atiraram para as chamas a imagem da santa.

Após a retirada dos piratas, os habitantes de Porto Covo vieram à ilha e deram uma sepultura cristã ao eremita. Não vendo a imagem da santa, procuraram-na por toda a ilha, acabando por encontrá-la miraculosamente intacta, sem qualquer dano, no meio dos restos de uma moita queimada.

O povo de Porto Covo, apercebendo-se do milagre, recolheu a imagem e colocou-a numa nova ermida que ergueu no continente, a cerca de 1 km de distância da ilha. Passou a ser conhecida como a Capela de Nossa Senhora da Queimada, local de grande veneração pela população da região.


http://nuestramizade.blogspot.com/apage.html#ixzz0JSUnUmvQ http://nuestramizade.blogspot.com/2010/05/ilha-do-pessegueiro.html#ixzz2ehlbKAuS

domingo, 29 de setembro de 2013

O nosso coreto faz 84 anos




Decorria o ano de 1925, quando a Banda de Musica da Capricho Setubalense, visitou a Vila das Alcáçovas, deixando esta visita, agradáveis recordações em todos os Alcaçovenses, sob a regência do ilustre alcaçovense, o Sr. Doménico Maia, na altura, subchefe da Banda do Regimento de Infantaria 11.

Entre os dias 10 e 11 de Julho de 1927, a Sociedade União Alcaçovense, organiza o “Festival Pró Coreto”. Este evento, teve como finalidade angariar verbas para a construção do futuro Coreto, contando com a amável participação da Direcção da Sociedade Capricho Setubalense e do seu Sextetos de Saxofones, sob a regência do alcaçovense, Sr. Agripino Maia. Ainda no mesmo ano inicia-se a construção do imóvel, por subscrição pública.

No dia 29 de Setembro de 1929, após grande esforço e determinação dos Alcaçovenses, o Coreto é inaugurado pela distinta Banda de Musica da Capricho Setubalense, dando-se inicio a um intercambio cultural entre a Vila das Alcáçovas e a Cidade de Setúbal sem precedentes.

Tanto a sua arquitectura, como a sua construção foram executados por Alcaçovenses, destacando-se: Manuel do Carmo, António Galvão, Lucilio Pires Bamond e seu irmão Francisco, António Machado, Francisco Bagão, Mestre Sátiro, Augusto Martins, Manuel Esteves, Mestre Pardalinho, Mestre Rainha, Mestre Justo, Mestre Ladeira, Mestre Calhao, Mestre Sim Sim e muitos outros que o tempo e a incúria dos homens apagou. 

O desenho foi feito pelo Tomás, com 7 anos, que numa bela tarde de Primavera fez estes rabiscos junto ao quiosque do "Chencho".

sábado, 28 de setembro de 2013

As Cáguedas




Cáguedas, símbolos da arte pastoril.

 As cáguedas, são fechos de coleira de gado com chocalhos suspensos. São maioritariamente feitas em madeira, embora também as haja de corno e de cortiça.
«Muitas são as localidades, vilas, cidades ou aldeias, que através dos tempos conseguem manter uma especialização industrial ou artística, que é como que o fácies característico e inconfundível que as torna conhecidas. Alcáçovas também possui a sua indústria própria, especial, única, os chocalhos, através dos quais o seu nome se tem tornado conhecido...»
A produção de chocalhos constitui a principal indústria da povoação de Alcáçovas que os fabrica desde o século XVIII, e cujo segredo se mantém na posse de algumas famílias que o vêm transmitindo de geração em geração, levando-o consigo quando emigram. Deste modo, é possível encontrar aqueles objectos de artesanato em Serpa, Estremoz e Portalegre.
Hoje, o fabrico destes objectos continua a processar-se exactamente do mesmo modo, e as oficinas mantém o mesmo aspecto de há 200 anos. Mas, o seu número tem vindo a diminuir drasticamente. Ainda há 40 anos havia dezasseis oficinas, das quais actualmente apenas três funcionam.
Os chocalhos eram usados para pendurar ao pescoço de alguns animais (os guias), à volta dos quais se juntavam os outros enquanto pastavam. Também serviam para indicar o paradeiro das reses mais gulosas quando estas se afastavam da manada para os campos semeados. Actualmente, o sistema de limitar as zonas destinadas à pastagem com cercas aramadas está a fazer cair em desuso a utilização dos chocalhos
Os ganadeiros tinham orgulho em apresentar os seus animais munidos de chocalhos ornados com as iniciais da casa agrícola a que pertenciam e pendurados ao pescoço por coleiras de couro cravejadas e trabalhadas. Essas coleiras eram presas segundo dois sistemas: com fivelas de metal ou peças de madeira (cáguedas), também primorosamente decoradas.
Os chocalhos têm nomes diversos conforme os tamanhos, que podem ir desde os 2 aos 50 cm de altura. Os de formato grande destinam-se ao gado vacum e cavalar e a alguns bodes guias. Os médios aplicam-se no gado lanígero e os pequenos em animais domésticos. Hoje, são vendidos principalmente para fins decorativos e os compradores e coleccionadores, sobretudo estrangeiros, preferem adquirir os chocalhos já usados.
(Adaptado de Mário do Rosário - A vila de Alcáçovas – 1924)

Para mais informações sobre as Cáguedas:
http://dotempodaoutrasenhora.blogspot.pt/2010/02/caguedas.html

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Encontro de Bandas


Pedras do Alandroal

Pedra do Cavalo

Pedra da Mulher

Pedra Escorregadia

Pedra da Mulher

Pedra Alçada

Pedra Alçada



Pedra da Mulher

Pedra Alçada


Estas são algumas das pedras da Raia Alentejana, situadas em Santiago Maior, no Alandroal.
Fotos gentilmente cedidas pelo compadre Luis Lobato de Faria.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Taberna do Gasolina



A Taberna do Gasolina já não existe. Fechou em Janeiro de 2013. Mas ficou a memória daquele espaço que, durante muitos anos, foi um templo da gastronomia alentejana.
O nosso compadre Joaquim Pulga retratou de forma soberba esta Taberna no seu livro "Alentejanando":

"Na Grécia antiga a taberna dava pelo nome de Kapêleion e os taberneiros de Kápelos. O vinho, razão primeira da existência das tabernas, mereceu do poeta Grego Alceu para a posteridade:
É preciso não entregar o coração ao infortúnio./Nada lucraremos, ó Bíquis, com tristezas./O melhor remédio é pedir vinho e embriagar-nos.
Os Romanos frequentavam-nas com entusiasmo, como se de lugares de culto se tratasse. Para eles, eram poiso de conversa e boa disposição, de abrigo e refúgio, de comidas e vinho que, generoso, corria a rodos. Muitos foram os autores romanos a quem nunca doeram as mãos e a pena na sua celebração. Plauto, Horácio, Cícero e Tito Lívio que, certamente, entre outros, se refugiaram na sua penumbra apelando às Musas.
Na Idade Média continuaram a ser templos de convívio e satisfação. Nelas, continuou a jorrar vinho para poetas, jograis, e goliardos, saltimbancos e vagabundos, cavaleiros e soldados, frades e peregrinos, camponeses e artesãos. Foram frequentadores seus que escreveram os magníficos Carmina Burana. Nelas, se conspirou e delas saíram revoluções e regicídios. Nelas, encontraram conforto os inúmeros desprezados da sorte daqueles tempos.
Omar Khayyam, cidadão da Pérsia muçulmana, homem sábio, culto e crítico, astrólogo, matemático e geómetra, que com a normalidade dos amantes do prazer, prezou o convívio das mulheres, das tabernas e do vinho, deixou-nos na forma de poema, o seu elogio:
O nosso tesouro? O vinho./ O nosso palácio? A taberna./ Os nossos fiéis companheiros? A sede e a embriaguês./ Ignoramos a inquietude, porque sabemos que as nossas almas, corações e taças e as nossas roupas maculadas nada têm a temer do pó, da água e do fogo.
As tabernas foram para mim a curiosidade da infância e a academia da adolescência. A taberna do Armando, do Nabo, do Quintaneiro, do Praça, do Carranca, sítios que atentatóriamente foram convertidos em baiucas de mau gosto, onde reina a falsa modernidade do espelhinho, do alumínio e da fórmica, foram escolas onde percebi dos méritos e dos malefícios da vida. Lugares onde estabeleci amizades e aprendi a maldizer, onde discuti o relativo e o absoluto, onde com reverência escutei do saber e do fazer, onde fui iniciado nos prazeres do vinho e do petisco.
Em homenagem a estes santos lugares convivialidade, exalto, do saber e do fazer um petisco que é comedia nobre nas tabernas do sul.
Fígado de coentrada
3 fígados de borrego
1 molho de coentros médio
3 dentes de alho
1,5 dl de azeite
vinagre a gosto
sal grosso a gosto
Depois dos fígados bem arranjados e salpicados de sal, assam-se inteiros, no carvão, em calor brando. Para uma tigela cortam-se os fígados em pequenos cubos. Rega-se o preparado com o azeite e o vinagre, para o qual, igualmente, se picam os alhos e os coentros. Salga-se a gosto e mistura-se bem. Deixa-se a tomar sabor de um dia para o outro, mexendo de vez em quando.
Em Alcáçovas, entre na taberna do Gasolina e sente-se, jogue uma suecada ou um dominó e aprecie o magnífico balcão de mármore. Faça-se à conversa com o tio André ou com o Sérgio que, seguramente, com a delicadeza dos alentejanos, o recompensarão com uma pomada da sua secreta garrafeira. Solicite os delicados préstimos culinários da tia Vicência ou da Elsa. Coma e beba e belamente vai voltar, pela pinga, pela comida e pela simpatia. Pode, inclusivamente, maldizer (com bons modos) o Benfica, que o André e o Sérgio são do Glorioso da Luz, mas como qualquer alentejano que se preze, são danados para a brincadeira.
Eu tenho um prazer imenso no Gasolina.
Longa vida à taberna do Gasolina. "

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Em Alcácer do Sal.







Encontrei este casalinho numa manhã de Domingo em Alcácer do Sal. Fizeram-me lembrar os meus falecidos avós e apressei-me em tirar-lhes esta foto. Depois, falámos um bocadinho e apercebi-me que eram velhotes muito felizes. Estavam casados há mais de 50 anos e eu admirei-os.... Foi bonito tê-los conhecido....
A todas as pessoas que ainda têm capacidade de amar, dedico esta foto...

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Caminhada em Pego do Altar


Em 28SET, a nossa Associação vai organizar uma caminhada em Pego do Altar, junto á Foz da Ribeira de Alcáçovas, com o apoio do grupo Alcáçovas do www.caminharemportugal.com:

28SET13- Sábado

Tipo: Caminhada Circular

Hora de Concentração: 9H30

Local: Jardim Publico de Alcáçovas

Hora de Inicio: 10H00

Hora previsivel de Chegada: 17H00

Distancia: Cerca de 16 Kms

Grau de Dificuldade: Grau 2 - Percurso maioritariamente plano, com algumas subidas em estradão ou caminhos de pé posto, com piso pedregoso e/ou lamacento. Não existem subidas com desníveis superiores a 100m. Possibilidade de encontrar gado de pastoreio.

Descrição do Evento: Esta caminhada será efectuada em trilhos nas margens da barragem e em proximidade de gado de pastoreio, entre a albufeira da barragem de Pego do Altar e a foz da ribeira de Alcáçovas, no que foi em tempos o antigo Vale Figueira. Para tal, teremos de nos deslocar em automóvel 12 kms entre Alcáçovas e o local de começo da caminhada.

Em todo o percurso, é dificil apanhar rede de telemóvel....

Tragam farnel para almoçar em pleno campo e no minimo, 3Lts de água...

http://caminharemportugal.com/...

http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=2932570

http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=3386461

Alcáçovas está situada a 30 Kms de Montemor-o-Novo, Évora ou Alcácer do Sal e a 120 Kms de Lisboa.

Recomenda-se: Chapéu, Óculos de Sol, Protector Solar, Roupa confortável, Botas de caminhada e o necessário suprimento de água na medida de cada um, muda de roupa e calçado para o fim.

Depois deste evento, como manda a nossa tradição, teremos oportunidade de repôr energias num dos tascos da vila.....Lanche facultativo no formato Cada-Um-Paga-o-Que-Come.

Tenham em atenção as condições atmosféricas á data da actividade, tendo especial cuidado com o calor.

Nota: A actividade é gratuita e não tem seguro. Cada um caminha por sua conta e risco...

Onde dormir:

Casa Santos Murteira (Alcáçovas): 266948220

Monte do Sobral (Arredores de Alcáçovas): 266954717

Casa do Vale - Hotel (Évora): 266738030

Monte Cabeça Gorda (Alcáçovas): 917888097 ou 969028352

Varandas do Montado (Alcáçovas): 962338829


caminharemportugal.com
Caminhar em Portugal- Grupo de caminhadas e percursos pedestres. Para participar nas nossas actividades basta aparecer.

domingo, 22 de setembro de 2013

Balões pelos ares













 Festival Internacional de Balões de Ar Quente - Elvas Património Mundial, 13 de novembro de 2012. (Fotos: Nuno Veiga/Lusa)

Copiado do Blog: http://cadoalentejo.blogspot.pt/