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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Memória de Al-Mu'tamid Ibn´Amad


 





O Parque da Cidade de Beja e a memória de Al-Muʿtamid ibn ʿAbbād

No coração da cidade de Beja, no sul de Portugal, o Parque da Cidade de Beja constitui hoje um espaço de lazer, convívio e contemplação, mas também um lugar de memória histórica profundamente ligado ao passado islâmico da região. No interior deste parque encontra-se uma praça dedicada a Al-Muʿtamid ibn ʿAbbād, figura maior da cultura e da política do al-Andalus, cuja presença simbólica evoca as raízes andalusinas da cidade.
Al-Muʿtamid ibn ʿAbbād nasceu em Beja no século XI, numa época em que a cidade integrava o território de al-Andalus, sob domínio islâmico. Filho de al-Muʿtamid ibn ʿAbbād al-Muʿtadid, governante da taifa de Sevilha, foi desde cedo inserido num ambiente cortesão marcado pela cultura árabe-andalusina, onde a poesia, a música e as artes ocupavam um lugar central. A sua infância em Beja precede a ascensão política que o levaria a tornar-se emir de Sevilha, um dos mais importantes centros culturais e políticos do al-Andalus.
A sua trajetória de vida foi marcada tanto pelo esplendor quanto pela instabilidade política característica do período das taifas. Como governante, Al-Muʿtamid destacou-se não apenas pela sua ação política, mas sobretudo pela sua sensibilidade poética. A sua corte em Sevilha tornou-se um dos grandes polos culturais do mundo andalusino, reunindo poetas, intelectuais e artistas. No entanto, o avanço das forças almorávidas e as transformações políticas da época acabariam por conduzi-lo ao exílio e ao fim do seu poder.
A presença de uma praça dedicada a Al-Muʿtamid no Parque da Cidade de Beja, acompanhada por um monumento com excertos da sua poesia, constitui uma forma contemporânea de reconhecimento dessa herança histórica partilhada entre Portugal e o legado de al-Andalus. Este espaço não apenas homenageia uma figura histórica nascida na região, mas também reafirma a continuidade cultural de um território que foi, durante séculos, um ponto de encontro entre diferentes civilizações.
Assim, o Parque da Cidade de Beja transcende a sua função paisagística e recreativa, assumindo-se como um lugar de memória onde o passado islâmico é evocado através da figura de Al-Muʿtamid ibn ʿAbbād. A praça que lhe é dedicada funciona como um elo simbólico entre a história medieval de Beja e a identidade cultural contemporânea da cidade, preservando a lembrança de um dos mais notáveis poetas e governantes do al-Andalus.

Fotos: Pacmen64 e Aschraf Ben Kaddour
Texto: Aschraf Ben Kaddour, 

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

domingo, 31 de agosto de 2025

Alpalhão











                                                            Foto reportagem: Alpalhão.

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Os Negros do Sado


 A presença de negros em Portugal está atestada desde o século XV, fruto da expansão marítima portuguesa, iniciada na primeira metade do século XV e a sua presença no Alentejo, nomeadamente no Vale do Sado tem sido objecto de vários estudos relacionados com a sua resistência a certas doenças, como o paludismo que afectavam a população branca.

Julga-se que seria um colonato de escravos, ai estabelecido por serem supostamente imunes ao paludismo, localmente conhecido por febre terçã ou sezões, um mal endémico que durante séculos deixou o território desabitado, eram terrenos insalubres, rodeados de charnecas e pântanos. Traços negroides esses ainda identificáveis nalguns moradores das povoações das margens do rio Sado: cabelo encarapinhado, pele morena, lábios grossos e nariz largo, nomeadamente em Alcácer do Sal, São Romão de Sádão, Rio de Moinhos e São João dos Negrilhos entre outros.
Já José Leite de Vasconcelos na sua obra Etnologia Portuguesa, de 1933, se refere aos mulatos da ribeira do Sado e descreve-os como de pele escura, cabelo encarapinhado e nítidos traços negroides. Tanto os registos paroquiais como os da Inquisição dão notícia de no século XVI, viverem pessoas negras e mestiços nesta região.
"Ó Sado, Sadeta
Meus olhos não viram
Tanta gente preta.
Quem quiser ver moças
Da cor do carvão
Vá dar um passeio
Até São Romão."

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Museu Jorge Vieira





 


MUSEU JORGE VIEIRA | CASA DAS ARTES 

O Museu Jorge Vieira integra parte do espólio artístico que o escultor Jorge Vieira doou à Câmara Municipal de Beja em 1994. Instalado, desde maio de1995, num edifício do centro histórico da cidade, encontra-se desde 1 de setembro de 2019 na antiga casa do Governador, no Castelo de Beja, albergando um importante conjunto de esculturas, maquetas e desenhos da autoria de Jorge Vieira, artista plástico que marcou o percurso da arte portuguesa ao longo do século XX. Jorge Ricardo da Conceição Vieira nasceu em Lisboa, a16 de novembro de1922. Entre 1944 e 1953 frequentou a Escola de Belas-Artes de Lisboa, onde começou por se matricular em arquitetura transitando depois para escultura. Foi aluno de Simões de Almeida e Leopoldo de Almeida e trabalhou nos ateliers de António Duarte, Francisco Franco e António Rocha. Participou em diversas tertúlias artísticas da época, juntamente com inúmeros vultos da cultura portuguesa, como Sena da Silva, Lagoa Henriques, Dias Coelho, João Abel Manta, entre outros. Em 1953 concorre ao Concurso Internacional de Escultura O Prisioneiro Político Desconhecido, promovido pelo Institute of Contemporary Arts, de Londres. Entre mais de 2500 concorrentes, representando 54 países, foi o único português selecionado, expondo o seu trabalho, juntamente com os outros premiados, na Tate Gallery. Em 1954 instala-se em Londres para frequentar a Slade School of Fine Arts, trabalhando sob a orientação de Henry Moore, F. E. Mc’William e Reg Butler. Regressa a Portugal em 1956, onde retoma a sua atividade docente, participando, desde essa data, em inúmeras exposições coletivas e individuais, em Portugal e no estrangeiro, ganhando diversos prémios. Tem obras suas em diversas cidades e coleções do país. A sua ligação a Beja fortalece-se em 1994, quando é inaugurado, numa rotunda acesso à cidade, o seu Monumento ao Prisioneiro Político Desconhecido, uma iniciativa do Município da cidade. É a partir do estreitar desta relação que o escultor decide doar parte do seu espólio à cidade de Beja. Jorge Vieira faleceu em Estremoz, em 1998.

terça-feira, 20 de maio de 2025

Exposição Retratos contados


 No âmbito das atividades da Confraria dos Doces Conventuais do Alentejo estamos a preparar 2 eventos. No dia 22 de Maio de 2025, às 17 horas, vamos entronizar novos membros, destacando dois ilustres Portugueses, o Ator Ruy de Carvalho e o Fotógrafo e Escritor António Homem Cardoso.

Um dia depois, a 23 de Maio, também às 17, inauguramos a Exposição “Retratos Contados de Ruy de Carvalho” .
Ambos os eventos decorrem no Palácio Paço dos Henriques, nas Alcáçovas, e são abertos ao público em geral.
Contamos com a vossa presença!

sábado, 17 de maio de 2025