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terça-feira, 1 de setembro de 2020

Chaminés de Garvão



As chaminés alentejanas
E os minaretes muçulmanos.
          Não diferem muito, as chaminés de Garvão, das que se observam no Sul do país, ou mais precisamente das chaminés algarvias, onde, estas intrincadas obras de arte sobressaem das, por vezes, monótonas paredes de taipa caiadas de branco.
         Reminiscências mouriscas dos minaretes muçulmanos? Ou talvez não, o certo é que se se encontra alguma polaridade disfarçada na riqueza arquitetónica destes monólitos, como que a esquecer uma outra cultura, proibida, perseguida, desfigurada.
          Dos outros.
          Quando, afinal, os outros somos nós.
        Há algo de ancestral nesta forma singular de construir chaminés, mais parecem pequenas torres brancas, como uma erupção violenta em direção ao infinito, num mar de telhas vermelhas da cor do sangue, como recordações saudosistas dos minaretes árabes, de um passado não muito longínquo.
     Sejam em redondo, quadradas ou retangulares, as chaminés do Sul refletem toda uma influência de cinco séculos de ocupação muçulmana, seja no subconsciente, seja na tradição, ou seja, na cultura intrínseca a todos os povos, “a saudade do minarete a palpitar timidamente, no rebuço cristão da chaminé”, como alguém já escreveu.
       A chaminé das casas alentejanas são um dos elementos, que melhor refletem o apelo à tradição, para além da sua utilidade, tinha grande valor estilístico e ornamental, sempre presentes na arquitetura tradicional do Sul, herdeiras de uma cultura árabe, onde se nota os rendilhados e arabescos, de pequena ou grande escala, conforme as posses dos moradores e símbolo de um estrato social.
        Em Garvão, talvez devido à sua proximidade com o Algarve e à devida influência mourisca, ainda são visíveis alguns notáveis exemplos desta arte, uns a precisarem de reparos, outros primorosamente caídos de branco, outros infelizmente tombados, mas que as fotos antigas nos dão a conhecer.


 Fotos e texto copiados do blogue: https://garvao.blogs.sapo.pt/
Texto da autoria do nosso compadre José Pereira Malveiro

terça-feira, 16 de junho de 2020

Refrigerantes Flora ( Garvão )






Esta marca de refrigerantes alentejana foi produzida em Garvão ( Ourique ) durante os anos 50 e 60 do Séc. passado.
As suas Limonadas engarrafadas fizeram as delicias de muita malta daquele tempo...
Quem se lembra?
Para mais informações sobre as marcas de refrigerantes produzidas no Alentejo, não deixe de visitar esta Galeria Virtual:
http://omelhoralentejodomundo.blogspot.com/p/museu-virtual-da-garrafa-pirogravada.html


OS PIROLITOS DE GARVÃO 
A bebida pirolito da fábrica do Sr. Chico Costa na Travessa do Álamo, foi, talvez, a bebida que mais marcou a população de Garvão dos anos cinquenta e sessenta do século XX.
A bebida cujo sabor açucarado fazia as delícias da população, graúdos e miúdos, tinha a particularidade de o fecho consistir num arraiol ou raiol, (berlinde), que a pequenada usava no jogo denominado igualmente por arraiol, (jogo que consistia em três covas ou ao “morre ou mata” que se jogava sem covas).
O pirolito era uma bebida gasosa, continha água, ácido cítrico e gás carbónico e a garrafa não tinha rolha nem cápsula, pois possuía no interior uma esfera de vidro que servia de tampa, (empurrava-se a esfera de vidro para baixo, de modo ao gás sair e permitir a saída do liquido). Não possuía igualmente rótulo, apesar de na década de 1960 aparecer algumas garrafas com o rótulo “Flora”, precisamente o nome da esposa do Sr Chico Costa, Srª Florinda Martins.
Devido às exigências sanitárias e outros melhoramentos exigidos pelo governo da altura nos finais da década de 1950, levou ao encerramento da Fábrica de Pirolitos de Garvão nos inícios da década de 1960. O sistema de fecho destas garrafas, pela pequena esfera de vidro, foi considerado prejudicial para a saúde pública, pois era difícil a sua lavagem, entre outras medidas sanitárias que devido aos elevados custos de modernização, levou ao encerramento de muitas fábricas em todo o País.
Apesar destas fábricas terem desaparecido há já algumas décadas, a expressão ainda hoje em uso de, “beber um pirolito”, quando alguém se engasga a beber muita água, terá a sua origem nestas bebidas gasosas, que por vezes, precisamente pelo seu conteúdo gasoso, provocava engasgos.
O Sr Chico Costa foi, a meio do século passado, um dos maiores dinamizadores comerciais da vila de Garvão, começou como comerciante e negociante de bebidas alcoólicas e gasosas, as quais distribuía num carro de parelha pelas vilas em redor, incluindo os pequenos lugares da Serra de São Martinho, mais tarde adquiriu a primeira camioneta de transporte de mercadorias de que há conhecimento em Garvão.
Aliado a esta atividade de distribuição de bebidas, produzia igualmente vinho a partir de vinha própria e posteriormente abriu a fábrica de Pirolitos julga-se ainda na década de quarenta a qual produzia as mencionadas gasosas mas também licor de Ginja. Veio a fecha-la, como se afirmou nos princípios de sessenta, assim como a taberna anos mais tarde devido a doença.
O 25 de Abril de 1974 apanhou-o em Lisboa onde se encontrava em tratamentos na casa da filha adotiva, Leonor Costa, de regresso a Garvão foi, infelizmente, ultrajado precisamente por aqueles a quem, tanto ele como a esposa, auxiliaram nos piores momentos.
Foto e texto copiados do blogue https://garvao.blogs.sapo.pt/
Texto da autoria do nosso compadre José Pereira Malveiro

quarta-feira, 18 de março de 2020

Restaurante Palma ( Ourique )





Restaurante Palma, em Ourique...
Gerênca: Sabores d' Avó.
Deveriam haver mais assim, adoptaram medidas preventivas sem esquecer que os motoristas continuam a manter a economia do país a circular minimamente.
Fecharam o restaurante mas servem take away através da janela para que nós, motoristas e outros trabalhadores deslocados, passamos ter uma refeição quente e continuam a disponibilizar WCs limpos e desinfectados.
Obrigado a esta boa gente.
Estão a fechar tudo e não estão a pensar em quem anda a manter isto a andar...

Fotos e texto de autoria do nosso compadre Márcio Beringuilho.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Feira de Garvão ( Ourique)



A Feira de Garvão 2018 está quase a chegar:

Depois da Feira do Porco Alentejano e da Ovibeja, o Mundo Rural do Baixo Alentejo exercita o seu esplendor na Feira de Garvão 2018 - 24ª Exposição Agropecuária, palco de memórias, de convergências e de afirmação de uma capacidade produtiva que tem alavancado a economia local e a resiliência de quem trabalha e vive da terra.

Entre 11 e 13 de maio, a Câmara Municipal de Ourique associa-se à Associação de Criadores de Porco Alentejano (ACPA) e à Junta de Freguesia de Garvão e Santa Luzia para dar expressão a um fervilhar de emoções, de realizações e de encontros de gente do Mundo Rural e de muitos visitantes. São todos muito bem-vindos, a Garvão e a Ourique !

sábado, 10 de dezembro de 2016

Vacas Garvonesas


À excepção do relevo da zona de Santana da Serra, concelho de Ourique, o cenário que se avista poderia ser descrito por um fotógrafo em missão na savana africana. O Sol vai quase no zénite e uma manada de uma centena de herbívoros pasta calmamente. Algumas fêmeas chamam as crias que, apesar da ausência de predadores, deixaram escondidas entre a vegetação enquanto se alimentam, fruto do seu instinto primordial de presas. Dois machos medem forças, entrelaçando os chifres e um acaba por reforçar o domínio sobre o harém. Vários juvenis lutam, imitando os adultos numa brincadeira que os preparará para duelos futuros.  Se começássemos por lhe dizer que este património biológico está ameaçado e que está em curso um projecto para a sua conservação, seguramente pensaria numa espécie selvagem em perigo. Na verdade, é à vida selvagem que associamos a ideia de conservação da natureza, mas o alvo do programa, desta vez, são vacas. Vacas, touros e crias da raça bovina garvonesa.
Apesar de ser uma das menos conhecidas raças bovinas portuguesas, no passado, a raça garvonesa ocupava os campos de praticamente toda a região central e litoral do Baixo Alentejo, onde era usada para tracção de alfaias e carros de bois. Com a mecanização da agricultura, sobretudo na segunda metade do século XX, “o gado farrusco” perdeu o seu propósito principal e foi sendo substituído por raças exóticas importadas, sobretudo de França, que serviam melhor o propósito da produção de carne. Em 1994, o bovino garvonês estava perto da extinção.
Foi então que o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV) levou a cabo o Projecto de Recuperação e Manutenção do Bovino Garvonês. “Foi essencialmente uma manobra de resgate e agrupamento do maior número possível de animais, que se encontravam dispersos em pequenos núcleos, por forma a garantir a sobrevivência da raça”, comenta José Pereira, da Associação de Agricultores do Campo Branco (AACB), entidade detentora do registo zootécnico da raça. “Fez-se depois a caracterização morfológica e o registo como raça autóctone e tem sido essencial o envolvimento dos criadores que, muitas vezes contrariando tendências económicas mais imediatas, têm abraçado a criação da garvonesa.” O projecto contribuiu para o aumento do efectivo de cerca de oitenta animais para os quatrocentos actuais.
A conservação de animais domésticos autóctones representa um esforço valioso. Estes estão quase sempre bem adaptados ao clima onde se desenvolveram, possibilitando a criação em regime extensivo e a manutenção de um ecossistema diversificado. Bem geridos, estes efectivos podem representar um factor económico cativante numa fase de grande procura de produtos “de origem protegida” e “biológicos”. Ao mesmo tempo, preservam um património insubstituível, que encerra em si partes da história e evolução cultural de uma região, adaptando-o às novas realidades.
Na Herdade da Mata, uma exploração agrícola em Alcáçovas, existe hoje uma das maiores manadas da raça garvonesa. Os proprietários suíços integram os animais nos passeios pedagógicos de agroturismo que disponibilizam aos visitantes. Mas a equipa do Centro de Experimentação do Baixo Alentejo e AACB que aqui encontro, volvidos 18 anos sobre o projecto do PNSACV, tem um propósito diferente. Recolhe amostras de sangue e pêlo de alguns dos 120 animais que aqui existem. O objectivo da recolha, no âmbito de um segundo projecto de conservação, agora em curso, é a extracção de DNA para caracterização genética e demográfica da raça, numa tentativa de viabilizar condições para a existência de animais saudáveis a longo prazo. A população encontra-se estável, dispersa por oito explorações pelo Alentejo mas “a raça está 
classificada como Ameaçada de Extinção e os riscos de aumento da consanguinidade são elevados, já que todos os animais procedem do único criador que restava na década de 1980”, diz Carlos Bettencourt, médico veterinário e secretário-técnico da raça garvonesa.
Cerca de uma década antes do projecto do PNSACV, uma figura local do concelho de Ourique, o médico António Semedo, reparou no iminente desaparecimento desta raça e deu o primeiro passo para contrariar a tendência comprando as vacas que encontrava. Havia um problema: António Semedo já não tinha, nem conhecia ninguém, com um macho reprodutor. Foi quase por acaso que numa feira encontrou um touro e o comprou. É provavelmente graças a este gesto que ainda dispomos da raça. “Após a análise genética, proceder-se-á ao cruzamento de machos e fêmeas o menos aparentados possível, tentando preservar a diversidade genética dentro da raça”, diz Carlos Bettencourt. Se os esforços forem bem sucedidos, o panorama de sobrevivência da raça garvonesa será promissor.
Embora útil e desejável, o cruzamento de animais pouco aparentados pode não ser suficiente, exigindo alguma intervenção humana para diversificar o caldo genético. “A salvação da raça poderá requerer a introdução de sangue exterior, por exemplo de animais da raça alentejana não inscritos no Livro Genealógico da mesma e que sejam morfologicamente semelhantes aos garvoneses, assegurando a sua viabilidade ao mesmo tempo que se conservam as características da garvonesa”, realça Catarina Ginja, do Centro de Biologia Ambiental da Universidade de Lisboa.
A presença e o culto de bovinos na região alentejana é ancestral, mas a presença de gado bovino do tronco aquitânico, no qual a raça garvonesa se insere, só se consegue traçar com certezas desde o século XV. É, porém, provável que, embora sem a relevância da classificação como raça, já nesse tempo, os animais nesta região do Alentejo fossem semelhantes aos que hoje chamamos garvoneses. “É uma raça muito distinta, com características genéticas e morfológicas únicas, sem paralelo nas raças espanholas, como temos noutros casos de raças portuguesas”, diz Catarina Ginja. Segundo um estudo genético desta especialista, a garvonesa está bem diferenciada da raça alentejana, o que reforça o carácter histórico, social e cultural que estes animais terão tido ao longo de séculos, no Baixo Alentejo.
Em São Martinho das Amoreiras, no concelho de Odemira, Manuel Domingos cria a raça garvonesa “à antiga”. A manada é pequena: seis vacas e um touro, mais um punhado de bezerros. Duas vacas “são mansas” e aptas para lavrar a terra. Aqui, onde as ideias de conservação, perfil genético e consanguinidade são palavrões modernos, ouvidos apenas nas visitas que técnicos da AACB fazem para certificar os bezerros, Manuel Domingos recorda que “no outro tempo, o gado dava de tudo um pouco. Os animais eram valentes para puxar charruas e carretas, o estrume aproveitava-se, iam às arramadas e controlava-se melhor o que comiam, havia menos desperdício, está a ver? Até dos chifres, depois de mortos, se faziam bilhas para o azeite”.
De facto, poucas relações com animais terão tido tanta relevância na história da humanidade como a que levou, há cerca de oito mil anos, à domesticação do gado bovino. Esta domesticação foi agilizada com o propósito de obter alimento e depois para a função de trabalho. No processo, enriqueceu sobremaneira a vivência humana. Manuel Domingos olha uma das suas vacas e diz, com um riso melancólico: “Hoje, aproveitam-lhes a carninha e pouco mais.” 
Passou o tempo em que as razões para estes animais existirem eram palpáveis e pragmáticas. Dependem hoje de encontrarmos formas de valorização. Se não for suficiente o valor afectivo pelo legado que representam, relembremos o seu valor ambiental e económico, se explorados produtos de nicho. Longe das savanas ou florestas tropicais que o nosso imaginário rapidamente invoca ao pensarmos em conservação da natureza, esta e outras raças e espécies domésticas carecem de atenção. O futuro, para já, apresenta-se moderadamente risonho para a vaca garvonesa.

Foto: Vacas Garvonesas na Herdade da Mata, em Alcáçovas
Texto copiado do site: https://nationalgeographic.sapo.pt/

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O que é para mim ser Alentejano...


- Bom dia, queria um café se faz favor.
- Bom dia. Com certeza. Você é Alentejano, não é?
- Sim, sou! Sou de Ourique!

É assim que começam a grande maioria das minhas conversas num café em Lisboa, onde trabalho. Pelo meu carregado sotaque poucas pessoas precisam de mais do que umas poucas de palavras para identificar onde nasci e fui criado. No entanto, para mim, ser Alentejano é mais do que simplesmente ter nascido no Hospital de Beja ou ter passado os primeiros 17 anos da minha vida em Ourique. Para mim ser Alentejano faz parte de quem sou, da minha personalidade e da minha identidade.

Como a identidade é uma busca pela unicidade, a minha identidade Alentejana ficou mais vincada quando saí do Alentejo e de Portugal, quando percebi que o Alentejo era único: desde as casas caiadas com as suas barras, dos montes, do vocabulário (não imaginam o quão é divertido ensinar a um Lisboeta o significado da palavra “embezerrado”), do sotaque, e claro, do campo. Não posso dizer que sou um homem do campo, pois com pena minha me afastei um pouco dele na adolescência após lhe ter sido próximo na infância pela boa influência dos meus pais. Mas posso dizer que ainda hoje sinto um resto de proximidade com os animais do campo, com a sua inocente lealdade e de quando em vez vou visitar alguns dos que a minha família tem a graça de possuir. Posso também dizer que não há lugar que mais ame que o campo do Alentejo, que para mim é o mais belo de todos os campos: dourado e seco, com uma azinheira plantada no seu seio, cuja solidão é triste mas alegre ao mesmo tempo, como tantas vezes é o próprio Alentejo. E ser Alentejano é amar e guardar no coração todas estas coisas que são o Alentejo. Ser Alentejano é guardar no coração o Alentejo.

Noto que a reação das pessoas ao eu ser Alentejano é normalmente positiva, parece que existe uma certa empatia com a nossa gente. Até já me disseram que “os Alentejanos são todos boas pessoas!”. Uma das razões pelas quais existe tal otimismo em relação à nossa gente é porque de alguma forma os Alentejanos são pessoas de virtude. Criado numa família tradicional, sempre me ensinaram a ser humilde, educado, hospedeiro e leal. A amar o compromisso e a ser trabalhador. Muito trabalhou e sofreu a gente da nossa terra, por vezes esquecidos pelo resto do país, mas mesmo assim o espírito de partilha e amizade não tem aqui faltado. Pelos seus valores, os humildes Alentejanos conquistaram a simpatia de Portugal. Ser Alentejano é ter valores.

Mas o património imaterial do Alentejo não se fica pelos valores, estendendo-se também às  tradições e cultura. Infelizmente vivemos num tempo em que por vezes se desvirtua o que é antigo apenas porque o é. Não digo que todas as tradições do mundo devam continuar só porque são tradições, pois a moral está acima da tradição, mas vejo virtude na continuidade daquilo que já está construído e que tem valor. E a cultura Alentejana tem grande valor: pois por mais pratos que tenha experimentado nada supera a açorda Alentejana que aqui desde pequeno como, e por mais vozes que tenha ouvido nenhuma toca a alma da mesma forma que a do cante Alentejano. Estas e outras coisas constituem o património da nossa terra, que os nossos antepassados foram construindo. Devemos valorizar a nossa cultura e as nossas tradições. Ser Alentejano é valorizar a cultura e as tradições.

O meu último nome, tal como muitas pessoas de Ourique, é Guerreiro. Quando era mais novo, achava-o demasiado comum por todos muitos o terem, e preferia até utilizar o meu outro apelido, Emídio. No entanto, hoje é com orgulho que assino com o nome Guerreiro, porque é um nome de Ouriquense, de Alentejano. Assim, por muito longe que esteja de casa o Henrique será sempre Guerreiro, sempre Ouriquense, sempre Alentejano. Porque connosco para todo o lado só levamos certas duas coisas: o corpo e a alma, e para mim ser Alentejano está marcado nos dois, no corpo e na alma. E levo o Alentejo para onde quer que vá, pois no fim de tudo, ser Alentejano é ser Alentejo em todo o lado. Ser Alentejano é ter alma Alentejana.
Texto copiado do site: http://www.radioourique.pt/



terça-feira, 19 de abril de 2016

Marrachique (Ourique)


                                           Castro Cola ou Cidade de Marrachique - Ourique

No período neolítico foi Castro ou citânia, com particular expressão durante a Idade do Ferro. Foi ocupada por fenícios ou cartagineses.
A partir do Século VIII foi povoado Muçulmano, com vestígios que indicam uma comunidade significativa, baseada na atividade agrícola e pecuária, onde a tecelagem tinha importante papel. Data deste período o primitivo complexo defensivo, integrado por uma fortificação principal e defesas secundárias.
Que, à época da Reconquista cristã da península, passou para as mãos dos portugueses durante o reinado de D. Afonso III. Este soberano teria ordenado melhorias nas suas muralhas.
Por razões hoje desconhecidas, a estrutura foi abandonada por volta do século XVI, vindo a cair em completa ruína.

Foto e informação: FOTOS by Daniel Jorge

quinta-feira, 5 de março de 2015

Pinturas Naif alentejanas

Feira de Castro Verde


Ceifeiras


Comboio a Vapor


Acampamento de Ciganos
Maria Augusta Cortes, natural de Ourique-Gare, Castro Verde, foi Educadora de Infância.
Já aposentada, tomou contato com a Pintura Naif e apaixonou-se por esta forma de expressão. Desde 2002 participa regularmente em exposições coletivas na Galeria Verney, em Oeiras.
Na sua obra comparecem os motivos das suas vivências e memórias do Alentejo – os campos, as casas, os animais, as gentes nas suas labutas e festas – reinventados agora sob as pinceladas minuciosas de uma imaginação solar que não consente tréguas à cor. 
Pintura Naif ao seu melhor estilo, ou não lhe surpreendessemos aqui todas as suas virtualidades: a pureza, a autenticidade, a candura que descobre na profusão das formas e na exuberância cromática as suas únicas concessões; e sobretudo, o ardil de fazer passar por fácil aquilo que só uma exacerbada e grácil atenção consegue reter.
Copiado do blog: http://comunidade.sol.pt/blogs/olindagil/

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

De regresso á Taberna da Mariana da Estação

Num destes passados fins-de-semana em que o Entradense não jogava em casa, portanto com o programa domingueiro assim para o limitado, desafiei o meu amigo António José brito para uma mini á da Mariana da Estação.
Não é tarde nem é cedo, vamos embora - disse ele – e assim nos fizemos á estrada.
Aí chegados ficámos momentaneamente aliviados por ver a porta aberta, sinal que a "brigada dos costumes " ainda deixa respirar a pobre da Mariana.
Entrámos e pedimos duas minis ao inenarrável taberneiro, neto de Mariana Maria.
Olhámos ao redor e vislumbrámos na penumbra a personagem que nos havia feito deslocar de Entradas à Estação de Ourique.
Sentámo-nos á conversa junto ao lume onde a nossa "Calamity" se aquecia; ao ouvirmos uns ruídos estranhos que nos despertaram a curiosidade abri um saco cujo movimento ondulante, denunciava alguma criatura no seu interior.
É um bacorinho que ando a criar – respondeu-nos Mariana matando de vez a nossa curiosidade.
O bicho não teria mais que 3 ou 4 dias e o calor emanado da lareira substituía na medida do possível a falta da mãe porca.
Junto a uma das paredes da dita lareira (assim a amornar) estava uma garrafa de mini meia de leite e com uma tetina de borracha que fazia de biberão. E assim, num ambiente surreal - maternal, temos uma taberna onde a estalajadeira no mesmo espaço onde cria o porquinho também vende as suas minis.
Não sei se Kusturika teria a ousadia de se lembrar de um cenário deste gabarito!
A conversa decorreu sobre as maleitas que a apoquentam, a gripe que não a larga vai para dois meses e pelo meio, estórias ingénuas, deliciosas, que bebemos de forma sôfrega.
Deixo-vos duas.
Mariana Maria ainda é assídua ouvinte do programa “ Património” da Rádio Castrense (programa de índole cultural de grande longevidade e de enorme implantação junto da comunidade rural da região). Ouvinte e participante ( conforme fez questão de mencionar), mas ultimamente não tem conseguido ligação apesar do muito tentar.
Conclusão de Mariana Maria:
Isto nã tá bein. Antão aquelas maganas lá da serra conseguem a ligação, e pra mim que tô aqui a dôs passos o telifone está sempre impedido. Só pode ser avaria. Tenho que dezêr ô mê Sérgio para ligar pra companhia dos telifones pra ver o que se passa.
Doutra vez adquiriu um lote de pacotes de lixívia que podia vender mais barato que os vendedores ambulantes que visitavam a aldeia. Apesar da lixívia ser muito mais barata que aquela que os vendedores ocasionais vendiam, as mulheres da aldeia não arrimavam à sua porta. Mariana ferida no seu orgulho fechou de vez a mercearia que a custo mantinha aberta. - Agora mesmo que queiram uma lata de conserva emprestada, não lha empresto. Tenho ali mas é para os meus fregueses. Às vezes pode aparecer aí alguém para almoçar ou jantar e assim já os posso servir, tá a perceber?
Rematou, despeitada a nossa anfitriã daquele tarde de Domingo.

Copiado do blog do nosso compadre Napoleão Mira: http://pulanito.blogspot.pt

terça-feira, 3 de junho de 2014

Rota das Tabernas (Mértola)

Matar o tempo ao balcão, à volta de um petisco que faça a cama a uma “taça” de tinto ou branco ainda é uma forma de convívio cultivada nas terras do cante alentejano. Aliás, uma coisa nem vive sem a outra, mas de outro modo. As gentes escasseiam, mercê da emigração, e os serões são hoje mais curtos e menos regulares. Os espaços, esses, é que se mantêm, modernizados e geridos por novas gerações de taberneiros. Ao todo, nos concelhos de Almodôvar, Beja, Castro Verde, Mértola, Ourique e Serpa, a Associação de Defesa do Património de Mértola (ADPM) inventariou 50 tabernas mais próximas do conceito original, atribuiu-lhes sinalética e juntou-as num roteiro turístico em português, inglês e espanhol. Na mira de uma procura turística que, acredita, será expressiva.


Diário do Alentejo
Texto Carla Ferreira 
Fotos José Serrano

sábado, 18 de janeiro de 2014

A Tasca de Ourique-Gare

O escaparate desta magnifica taberna - o Monge do " bacamarte" ao lado da rifa das facas.

É do conhecimento geral a minha preferência por tabernas antigas, que se tiverem rifas de facas e venderem botas, sou para elas aliciado como o mel atrai as moscas.
No caso presente, trata-se de uma promessa que fiz aos meus leitores, quando há tempos passei de bicicleta por Ourique Gare e me deparei com um dos meus “antros” favoritos: uma taberna absolutamente decadente e que ainda por cima tinha como proprietária essa lenda da planície que dá pelo nome de Marianita da Estação.
Aquando dessa passagem prometi ali voltar com mais tempo; foi o que aconteceu no passado sábado já assim ao lusco-fusco.
Saí de Entradas em direcção a Aljustrel, depois Messejana, logo ali Conceição, e um pouco mais à frente onde se cruzam as linhas férreas que demandam estas e outras paragens, podia-se ler a placa toponímica, Ourique Gare. Bolas, podiam ter chamado à povoação Estação de Ourique, assim não estariam sujeitos à cacofonia brejeira que a junção dos nomes insinua.
Ali mesmo junto à estação ferroviária podemos encontrar este templo que dá pelo nome de “Café Primavera“ que como veremos mais à frente de café só tem mesmo uma máquina e um moinho que não vi funcionar, e acredito que se tal acontecer deve ser de tempos a tempos, pelo menos a avaliar pela qualidade e inspiração de confiança que tal equipamento promete.
Aí entrados somos confrontados com um cenário absolutamente indescritível, mas com a ajuda das palavras e de algumas fotos procurarei transmitir o espectáculo com que sou presenteado.
Este é um local que não “existe”. Duas das paredes estão pintadas com actividades alusivas à protagonista que não se encontrava presente aquando da nossa chegada. Numa das paredes uma cena de caça, e noutra, uma cena campestre de dimensões assinaláveis cujo pintor deve ter estudado na mesma escola dos pintores de restaurantes de “retornados” mas desta feita, em vez de Africa, o cenário é o Alentejo.


Decoração de parede (sic)!!
Nas restantes paredes, dezenas de miniaturas de alfaias e outras
ferramentas e artefactos, misturam-se com inevitáveis pares de cornos e cabaças secas de formas fálicas que são óptimos desbloqueadores de conversa para qualquer visitante inesperado.
No escaparate do estabelecimento, podemos admirar bebidas fora de prazo, rifas de facas, o sempre presente monge em estabelecimentos deste gabarito, cujo “bacamarte” surge quando lhe puxamos o cordel, e de entre outras coisas interessantes, 3 garrafas do pirolito original, que de imediato me transportaram para a minha meninice.

Quem se lembra do pirolito?

Atrás do balcão pintado de vermelho e branco, está o exemplo de um profissional condizente com o panorama que me é dado presenciar. Fiquei a saber tratar-se do neto da protagonista desta nossa incursão. Sérgio Miguel de seu nome, é o exemplo de taberneiro sacado de

Sérgio Miguel o taberneiro com o meu pai, meu companheiro destas incursões.

um qualquer filme de época. Barba de várias semanas e cabelo de vários meses emprestam-lhe um ar condizente com o cenário deste templo de que (vá-se lá saber porquê) sou um incorrigível viciado.
Dona Mariana não estava, tinha ido dar de comer aos borregos, mas que regressaria daí a instantes – segundo palavras de outros convivas que se preparavam para deitar abaixo uma travessa de camarão trazida por um dos parceiros de petisco.
Mal esta chegou, meteu de imediato conversa afirmando lembrar-se de mim, aquando da minha anterior passagem de bicicleta.
Como com esta mulher a conversa não tem que ser tirada a saca rolhas, conta-nos a sua história sem que a tenhamos que questionar.
-Chamo-me Mariana Maria e não tenho mais nenhum nome, nasci a 11 de Abril (mesmo dia que eu) de 1932, e sou uma de 12 filhos nascidos da barriga da minha mãe no Monte do Atravessado (mas não nasci de atravessado, diz zombando, sabendo que o nome do monte se permite a estes trocadilhos) perto do Encalho ali a 3 Km de Ourique.
Aí vivi e cresci até aos 17 anos, altura em que conheci o pai das minhas 3 filhas, mas aos 25 já estava sozinha, afirma.
Trabalhei sempre em estações de caminho de ferro. Vila Nova da Baronia, Torrão, Feijó, Algarve, Beja e por fim no Carregueiro, antes de vir para aqui em 1982.
Mariana da Estação, como é conhecida, é uma personagem sui generis. Sempre vestida de forma masculina, cuja calça e camisa de homem, bem como a inseparável boina fazem parte da peculiar indumentária.
Mariana da Estação mostrando a sua carta de caçador.
No seu estabelecimento ainda hoje desafia qualquer um para cantar ao baldão, despique ou a vozes. Eximia caçadora e faz alarde em nos mostrar os documentos comprovativos desta sua actividade, que infelizmente nos diz já não praticar vai para três anos.
No bilhete de identidade que nos mostrou, um facto curioso ressalta: a ausência de nome materno, ou seja; é filha mas (segundo os registos), não tem mãe, é unicamente descendente de Eusébio Manuel, nome do seu progenitor.
À conversa com a nossa Calamity Jane
De entre muitos episódios e aventuras, registamos aquele acidente que teve com o seu compadre Chico Brissos de Entradas, onde ficou muito maltratada tendo permanecido 3 meses e 3 semanas hospitalizada em Lisboa. A amizade manteve-se e Chico Brissos convidou-a para “padrinho” sim padrinho, afirma com orgulho – ponha aí que eu sou padrinho e não madrinha daSusana, filha mais nova deste companheiro de muitas caçadas.
Mariana conta agora 75 anos, a nossa Calamity Jane das pradarias alentejanas, ainda nos confidencia que deixou de fumar há dez anos, que agora bebe menos mas o seu copinho ninguém lho tira.
Decadência não é sinónimo de higiene, e é por isso que muita gente ao referir-se a este espaço o fazem sempre com algum desdenhoso carinho, conforme atestam as histórias e anedotas(umas verdadeiras, outras inventadas) acerca desta peculiar mulher que hoje aqui vos trouxe na primeira pessoa.
Uma das mais conhecidas, é a de um cliente que lhe pede uma bifana. Mariana esfrega as mãos, cospe em cada uma delas e diz – Vamos à puta! (como que a dizer: é para já!)
Entretanto lá de dentro ouve-se Mariana gritar - Raio do cão não perde a mania de lamber o prato da manteiga!
Já de saída perguntei se aquela era a única taberna da aldeia, respondeu-me que havia mais, mas que café com licença até às 2.00 horas só o dela (sic!).

PS: Não quis aqui ferir quaisquer susceptibilidades, gosto genuinamente deste tipo de locais, cultivo-os, venero-os e não os troco por nenhum mega centro comercial com cheiro a perfume, miúdas giras e horários de limpeza afixados nas portas das casas de banho.
Espero sinceramente que os novos mentores da ordem (ASAE) nunca passem pela Estação de Ourique.

Copiado do Blog: http://pulanito.blogspot.pt/

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Mariana da Estação (Ourique)

Mariana da Estação (de Ourique), é famosa, porque na sua taberna se canta o baldão, ao som da viola campaniça, com o sabor antigo dos grandes mestres que a planície escutou.
Templo desse património identitário, que acompanha quem nasceu naquele sul, que vai de Castro Verde a Almodôvar e de Ourique a Odemira, a taberna de Mariana é cenário de alguns episódios da sua vida e de uma arte, que integra as práticas dos cantares ao desafio.

Fotos e texto gentilmente cedidos pelo nosso compadre António Sousa.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Vaca Garvonesa

Na Herdade da Mata, perto de Alcáçovas, existe hoje uma das maiores manadas da raça garvonesa (bovinos). Esta raça em risco de extinção está agora em vias de recuperação em oito explorações pelo Alentejo.
É bom saber de casos como este e dos esforços quer dos proprietários que ainda têm manadas desta raça, quer de um organismo oficial, Centro de Experimentação do Baixo Alentejo e AACB. Estão a ser recolhidas amostras de sangue e de pêlo para estudos do ADN. Procuram caracterizar a raça em termos genéticos e demográficos.
A população encontra-se estável, dispersa por oito explorações, mas permanecem os riscos de extinção devido a problemas graves de consaguinidade, já que todos os animais procedem de um único criador que restava em 1980.
A Raça Bovina Garvonesa também designada de Chamusca é considerada por alguns autores, uma forma de transição entre a raça Alentejana e a raça Algarvia, tendo-se desenvolvido por acção do meio e estabelecido o seu solar de origem na bacia do rio Mira. Em tempos estes animais estavam dispersos pelos concelhos de Santiago do Cacém, Odemira, Ourique e Castro Verde.

O seu nome tem origem pela associação à Feira de Garvão, local onde habitualmente havia transacções. Estes animais eram muito procurados pela sua robustez e por serem bons para o trabalho.
Em 1994, altura em que o Bovino Garvonês se encontrava em vias de extinção, o parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, delegação do Instituto da Conservação da Natureza elaborou o “Projecto de Recuperação e Manutenção do Bovino Garvonês” com o objectivo de contribuir não só para a conservação de um património genético único, mas também com a intenção de manter e melhorar os sistemas agrícolas extensivos e semi-intensivos.

A partir de 2000 a raça Garvonesa foi reconhecida como raça autóctone elegível nas Medidas Agroambientais, programa manutenção de Raças Autóctones“, como raça particularmente ameaçada.
Os animais caracterizam-se de corpulência grande e mediana. As fêmeas distinguem-se por serem de cor castanha-avermelhada, a cor dos machos é predominantemente preta.

A Herdade da Mata possui um efectivo de cerca de 100 animais de raça Garvonesa.
A carne dos animais machos está a ser comercializada pela “EstremozCarne” e é vendida como Carne Garvonesa.


 
Para visualização de trilhos na área da Herdade da Mata:
http://www.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=2505011
http://www.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=2297017

Para visualização do site da Herdade da Mata Linda :
http://herdade-da-mata.com/index.htm

sábado, 13 de julho de 2013

Panoias (Ourique)



É uma das importantes freguesias da sede de concelho, a dezanove quilómetros da freguesia-sede.
Em termos eclesiásticos, foi um priorado e comenda da Ordem de Santiago. O seu prior tinha de rendimento anual cento e cinquenta alqueires de trigo, cento e vinte de cevada e vinte mil réis em dinheiro. D. Afonso III deu-lhe carta de foral e D. Manuel concedeu-lhe foral novo em 1512.
O concelho de Panóias incluía o direito de representação nas Cortes, às quais podiam assistir dois juízes seus representantes, três vereadores, um procurador, um escrivão da Câmara e órfãos, um tabelião do judicial e notas, um alcaide e uma companhia de ordenanças. Estes números demonstram a importância que Panóias adquiriu nessa altura.

O seu brasão de armas era: em campo azul, dois braços de homem, cruzados, com as mãos apontando para cima, um vestido de amarelo e outro de carmim. No meio dos braços, pode ver-se uma cabeça de homem com barbas e cabelos loiros, compridos, que representam Jesus Cristo. Ou seja, o trabalho do homem perante a divindade de Deus.
Com o decorrer dos séculos, no entanto, a sua importância foi decrescendo, ao ponto do concelho ser extinto 1836, na sequência de uma vasta reorganização administrativa do País. A freguesia passou nessa altura para o concelho de Messejana, e só em 24 de Outubro de 1855 para o de Ourique.
A igreja de S. Romão, no lugar do mesmo nome, representa uma arreigada tradição da freguesia: diz-se que aqui foi sepultado o santo daquela invocação. Foi um mosteiro de eremitas de Santo Agostinho, que procuravam na solidão o refúgio indicado para as suas almas. Ainda restam alguns vestígios da presença dessa comunidade monástica. Na igreja Matriz, por seu lado venera-se uma cabeça que se diz ser de S. Romão. A ser verdade, estaria deslocada do corpo, que está na capela do seu nome! Está guardada num relicário de prata.
A esta freguesia está ligada uma outra tradição do Baixo Alentejo: a noiva de Panóias. Chama-se noiva de Panóias à mulher que demora muito tempo a ataviar-se para depois aparecer mal vestida e desarranjada. Diz-se que em honra de uma mulher da terra que demorou a arranjar-se três dias e três noites para a cerimónia, e chegou lá embrulhada numa esteira.
É uma freguesia que se dedica sobretudo ao sector primário. Curiosamente, tem neste momento quase tantos habitantes como tinha em 1820. Nesse ano, eram 770 aqueles que vivam em Panóias, actualmente são pouco mais.
Orago: S. Pedro
População: 875 habitantes
Actividades económicas: Agricultura, pecuária e pequeno comércio
Feiras: Anual (3º fim-de-semana de Julho)
Festas e romarias: Festas de Panóias (2.º fim-de-semana de Julho) e S. Romão (2.º fim-de-semana)
Património cultural e edificado: Igreja matriz, igreja de S. Romão, buraco dos Mouros e mina do Moutinho
Outros locais de interesse turístico: Barragem Monte da Rocha e Caça
Gastronomia: Gaspacho, açorda, sopa de ceifa, sopa de tomate, ensopado de borrego, jantar de feijão ou grão, doce de abóbora, arroz-doce e doce de figo
Artesanato: Trabalhos em cortiça, madeira e buinho e rendas e bordados.
Colectividades: Clube Desportivo e Cultural de Panóias, Clube columbófilo de Panóias e Grupo Instrumental “Os Sons do Campo”.