quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Percursos Pedestres SAL











Como causar um trauma psicológico num miúdo de 4 anos, ou a história do Capuchinho Amarelo...
Ontem logo de manhã cedo o meu filho apanha-me a sair de casa vestido de amarelo como manda a etiqueta SAL, com mochila, bastão e botas de caminhada e pergunta.
- Pai, onde vais?
- Vou dar um passeio. - Respondo eu.
- E vais passear onde?...
- Ehu... (pensa rápido Jorge) à floresta!
Vejo o terror nos olhos do miúdo e a voz sai-lhe embargada...
- Pai! Vais ser comido pelo lobo!...



Fotos e texto do nosso compadre e amigo José Pedro Calheiros, www.sal.pt

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Na ribeira de Lucefécit com Trip Alentejo













Os nossos compadres da Trip Alentejo não param...
No passado sábado, dia 18MAR, levaram os seus visitantes á Ribeira de Lucefécit, perto do Alandroal.
Como se pode fácilmente deduzir pelas fotografias do nosso compadre e amigo Luís Lobato de Faria, este passeio foi um êxito a repetir...
Assim se mostra e promove o Alentejo por estas bandas...
Com muita vontade de fazer bem, de conviver e fazer amigos.
E, sobretudo, com muita "carolice"...

Ribeira do Lucefécit. Que misterioso ribeiro é este cujo nome é tão temido que um rei sábio se recusou a dizê-lo? Lucefécit significará aquilo que pensamos? E se assim é, por que razão o apelidaram dessa forma?
A Ribeira do Lucefécit corre por terras sagradas, disso temos provas que estão à vista de qualquer um, a começar pelo facto de contornar o Santuário da Rocha da Mina, que poderá estar ligado ao culto de Endovélico. Continua o seu caminho para sul e passa a norte da histórica freguesia de Terena, onde abre alas, transformando-se quase em lagoa. Volta a fechar e segue caminho até desaguar no Guadiana, junto à fronteira com Espanha, deixando para trás vários exemplos de megalitismo em território português.
Abrindo a discussão, Lucefécit poderá derivar tanto do árabe como do latim.
No primeiro caso, Lucefécit poderá resultar da conjunção de vários termos, todos eles árabes, dos quais sobressaem: al e oucif (que significa negro). No segundo caso, falamos de quem o topónimo sugere: Lúcifer. Sendo que tal nome só tem conotação negativa a partir de certo momento da história.
Lúcifer foi a tradução latina feita para descrever Vénus, a estrela da manhã, portadora (ferre) da luz (lux), daí se transformando em lucisferre, que derivou em Lúcifer – antes de endiabrarem tal termo, devemos lembrar que no Novo Testamento, Jesus autoproclama-se estrela da manhã. A igreja, que durante anos tentou demonizar qualquer vislumbre de adoração pagã, onde Vénus obviamente estava incluído, tratou de associar o termo a Satanás, pai dos demónios da natureza. O trabalho foi bem feito, tanto que ainda hoje os cristãos mais crédulos ainda evitam usar o seu nome.
E salta a pergunta: a acreditar que o topónimo tem raízes no latim e não no árabe, para quê dar tal nome a esta ribeira? Hipoteticamente, pela mesmíssima razão. Como já foi dito, estas águas correm por montes sacralizados, onde as referências físicas e simbólicas a deidades pagãs pululam. A escolha deste nome poderá ter servido o propósito de diabolizar uma zona que a igreja via como infiel ao seu Deus único, transformando-se assim numa espécie de espantalho para gestos que o poder clerical considerava como ameaça à sua religião.
Afonso X, o rei sábio, parece não ter dúvidas, e numa alusão à ribeira, recusa-se a pronunciá-lo nas suas Cantigas de Santa Maria: d’un rio que per y corre, de que seu nome nom digo.

Texto copiado do site: http://www.portugalnummapa.com/

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Caminhada em Amieira do Tejo (Nisa)


Caminhada Gratuita de Divulgação em Amieira do Tejo (Nisa)
Dia 04MAR17, inscrições obrigatórias
20 Kms -  Grau de Dificuldade "Dificil"

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Água de Peixes (Alvito)











Água de Peixes é uma herdade situada no concelho do Alvito e fica na estrada entre esta vila e Albergaria dos Fusos.
Propriedade privada, com cerca de 1165 Hectares, esta herdade tem um enorme solar bem conservado e um conjunto de casas típicas alentejanas em ruínas, testemunhos silenciosos da grandiosidade de outros tempos.
Para mim, que sou um apaixonado por fotografar ruínas, este património rural foi um imenso achado e demoraria horas a explorar todas estas casas, tal o manancial de vestígios das vivências de outrora.
Decerto muita gente humilde aqui viveu, trabalhou e morreu...
Comoveu-me muito a lápide que se encontra á entrada de Água de Peixes:


São memórias que perduram no tempo e tenho muita pena que se estejam a degradar a cada dia que passa.
Do Solar, nada a referir. Está muitíssimo bem conservado, mas é propriedade privada e de acesso proibido...
Gostei muito de cão de guarda, foi agressivo no primeiro contacto, mas  depois acompanhou as todas as minhas deambulações de forma bastante amigável...


domingo, 19 de fevereiro de 2017

Almece


É palavra de origem árabe, de almeiz ou al-meice ou ainda al-mîs, que significa «soro do leite». Trata-se de um regionalismo utilizado principalmente no Alentejo e zonas confinantes da Serra algarvia e também nos Açores.
Após a ordenha dos animais (ovelhas ou cabras) para o ferrado, o leite é deitado para cântaros onde se faz o seu transporte.
Depois, passa para uma panela, na época, de barro, em cuja boca se preparava um coador constituído por um pano de linho, seguido de lã (por exemplo um pedaço de manta premedeira) e por fim de linha. Deixando naturalmente um abaulamento, os panos que constituíam um filtro eram atados os seguros à boca.
Ia-se deitando o leite a pouco e pouco ficando no coador as impurezas e interiormente o leite em condições de preparar o queijo.


A flor do cardo que se comprava no comércio local, tinha sido colocada previamente de molho. É bem pisada num almofariz de metal. Seguidamente e com a água em que tinha ficado de molho é coada misturando-se ao leite.
Entre uma e duas horas depois o leite está coalhado formando assim a “coalhada” que vai ser espremida no cincho para fazer o queijo.
Durante esta operação escorre um líquido, o soro, “sujo” de leite a que se juntam alguns pedacitos de coalhada e por vezes um pouco de leite. Chama-se a isto o “chorrilho”.
Depois de fervido, obtém-se aquilo a que se chama almece e onde se notam pequenas partículas de leite coalhado a que chamam “borregas”. É usado na alimentação das pessoas e também dos animais.

Come-se de uma maneira geral com pão migado e há quem lhe chame Tabefe.

Já aparece comercializado e vendido em vasilhas de plástico de vários tamanhos.

Vocabulário Português de Origem Árabe, José Pedro Machado, Editorial Notícias, 1991.
Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea – Academia das Ciências de Lisboa – Verbo, 2001
Dicionário Prático Ilustrado – Dir. de Jaime de Séguier, Lello & Irmão, Porto, 1972.
http://traveltoalentejoportugal.blogspot.pt/

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Barragem D. Ana (Viana do Alentejo)









Nos arredores de Viana do Alentejo, esta pequena represa privada é também conhecida por "Barragem do Capas", visto ser este o nome de família dos proprietários.
Fica relativamente próxima do Santuário de Nª Sra d'Aires e é servida por um caminho de terra batida que liga este Santuário á estrada Viana do Alentejo-Portel.
Há poucos dias, o Projeto Alcáçovas Outdoor andou por estes lados a fazer reconhecimento de trilhos e percursos, aproveitando também para fazer uma limpeza de lixo existente nas margens.
Felizmente, o lixo que encontrámos não foi muito, resumindo-se a meia dúzia de garrafinhas de plástico...
Como qualquer represa existente no concelho de Viana do Alentejo, este local é muito bom para a observação de aves migratórias e autóctones.
A nota em Educação Ambiental está a melhorar, compadres !...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Sapos e Salamandras (By Luis Monteiro)


O sapo-parteiro-ibérico (Alytes cisternasii) é um anuro (anfíbio sem cauda) de pequenas dimensões, geralmente com menos de 4,5 cm de comprimento. Os olhos são proeminentes e laterais com pupila vertical e a íris é dourada com retículos negros. As glândulas paratóides - 2 glândulas ovóides situadas na parte posterior da cabeça - são pouco visíveis. Possuem dois tubérculos (calosidades) palmares nas patas dianteiras, característica que os distingue da outra espécie de sapo parteiro existente em Portugal. Tem membros curtos com 5 dedos nas patas posteriores e 4 nas anteriores. Nas costas a pele é ligeiramente verrugosa e tem cor parda com manchas mais escuras (castanhas, cinzentas ou esverdeadas). Apresentam pequenas verrugas alaranjadas na cabeça, dorso e membros. Ventralmente são muito claros.
O dimorfismo sexual não é muito acentuado mas em média, as fêmeas são maiores que os machos. Na altura da reprodução é possível ver à transparência os ovos no ventre das fêmeas.
Os girinos podem atingir 7 cm de comprimento total. Ao eclodirem medem cerca de 1 cm. Têm olhos pequenos e íris dourada pigmentada de preto. A membrana caudal apresenta pequenas manchas escuras e esbranquiçadas.
http://naturlink.pt/


Salamandra com pele lisa e brilhante, preta com manchas amarelas em número variável. Podem também ter pontuações vermelhas.
Cabeça grande e aplanada, de contorno arredondado. Glândulas parótidas grandes e com poros escuros bem visíveis, olhos relativamente proeminentes, em posição lateral. Corpo robusto com sulcos nos flancos e uma fileira de poros glandulares em cada lado da linha média vertebral.
Habita preferencialmente zonas montanhosas, húmidas e sombrias, com elevada precipitação anual, como bosques caducifólios próximos de ribeiros ou charcos.
Salamandra de tamanho médio com um comprimento entre 14 e 17 cm, embora raramente possa ultrapassar os 20 cm. As fêmeas podem ser maiores do que os machos, mais robustas e com a cauda proporcionalmente mais curta.
http://www.charcoscomvida.org/










Fotos da autoria do nosso compadre Luís Monteiro.