domingo, 26 de junho de 2016

Alentejo





 
Para se conhecer bem o Alentejo é preciso visitá-lo em todas as estações. A paisagem muda muito ao longo do ano e são sazonais as actividades rurais mais interessantes que podem observar-se.
Tal como muda a paisagem, muda a sua flora e a sua fauna e esta mudança é como bálsamo para a alma.
Visite o Alentejo e deixe-se inebriar pelos perfumes da natureza num Alentejo que tem mais para oferecer do que o dourado das searas. Descubra toda a paleta de cores e aromas de que é feito o Alentejo. Caminhe a pé pelo verde das Serras d’ Ossa e Monfurado, Portel ou Grândola, onde vivem em sossego variadas espécies de flora e fauna e aprecie as vistas.
Explore o Parque Natural da Serra de S. Mamede onde têm encontro marcado as paisagens que caracterizam o sul e o norte de Portugal. Raposas, águias, as razões são inúmeras para conhecer os segredos da Serra que apresenta o ponto mais alto a sul do Tejo. Entre campos de cereais e pousios, nas estepes sem fim, esconde-se avifauna riquíssima.
Dirija-se a Castro Verde e percorra cicuitos ambientais que o iniciam no mundo da observação de aves que são verdadeiros prodígios da natureza e aprecia o Campo da Terras Brancas no seu melhor. As planícies de Castro Verde, que se enchem de milhares de flores brancas durante a Primavera, proporcionam excelentes hipóteses de passeios a pé ou de bicicleta, nos quais se pode apreciar a fauna e a flora típicas das estepes cerealíferas alentejanas. É este vasto espaço aberto que as cegonhas brancas escolheram para fazer os seus ninhos. Também as abetardas, os falcões peregrinos e os grifos preferem a solidão da planície dourada.
A margem esquerda do Guadiana é uma das regiões mais bem conservadas do nosso país do ponto de vista dos habitats naturais e de maior importância para a fauna. A região compreendida entre Mourão, Moura e Barrancos é composta por paisagens distintas e essenciais para a conservação da avifauna, e como tal considerada como merecedora de conservação ao nível comunitário pelas suas características, daí justificar-se a sua classificação como ZPE (Zona de Protecção Especial para as Aves). Uma parte muito relevante das espécies ameaçadas no nosso país encontra abrigo na diversidade de habitats da região, que inclui estepes cerealíferas de sequeiro, montados de azinho, formações florestais densas e vales de ribeiras torrenciais revestidos de matagais densos e vegetação ripícola.
No Alentejo, o montado apresenta grandes extensões de azinheiras e de sobreiros, os chamados montados de azinho e sobro, e pequenas áreas de carvalho negral. De toda a flora do montado, o sobreiro é a espécie mais abundante. Considerado património nacional, o montado de sobro é protegido por lei (Decreto-lei nº 169/2001), sendo proibido o seu abate. Contudo, a sua plantação é incentivada, uma vez que a exploração da cortiça (proveniente do sobreiro), essencialmente para o fabrico de rolhas, transformou-se numa indústria de enorme importância económica.
Por outro lado, estes ecossistemas são propícios para a agricultura, que é praticada de forma sustentável nalgumas áreas de montado e tem uma grande importância a nível ecológico e económico, sendo um exemplo de sustentabilidade ambiental.
A flora do litoral alentejano é caracterizada pelo cruzamento de influências Norte Atlânticas, Mediterrânicas e Africanas, de que resultam condições ecológicas singulares e uma enorme diversidade de fauna e flora, o que confere uma enorme riqueza natural à região.

Texto da autoria da nossa comadre Ana Maria Saraiva.