terça-feira, 2 de maio de 2017

Olaria






A cultura popular é o resultado de uma interacção contínua entre pessoas de determinadas regiões e recobre um complexo de padrões de comportamento e crenças de um povo. Nasceu da adaptação do homem ao ambiente onde vive e abrange inúmeras áreas de conhecimento: crenças, artes, moral, linguagem, ideias, hábitos, tradições, usos e costumes, artesanatos, folclore, etc.. Surge das tradições e costumes e é transmitida de geração para geração, principalmente, de forma oral.
Dizendo de outro modo, a arte popular ou artesanato é parte da Cultura Popular; a Cultura Popular é o que diferencia e classifica um povo, é o que dá o tom e a cor a uma dada sociedade e abrange um modo de vida.
O mais importante na arte popular, ou cultura popular, não é o objeto produzido, mas sim o artista, o povo, a periferia, isso faz com que a arte popular seja contemporânea ao seu tempo. É ao mesmo tempo conservadora e inovadora, ligada a tradição, mas com os novos elementos que surgem com o tempo. Possui a simplicidade como principal característica.
Todas estas características encontramos no Artesanato do Alentejo, que vai buscar à terra mãe o seu sustento.

Diz-nos Hernâni Matos: "A olaria é uma das mais antigas, se não a mais antiga das artes populares. A olaria alentejana é uma das mais ricas do mundo, como igualmente ricos são os seus aspectos etnográficos (preparação do barro, fabrico, cozedura, venda e utilização das peças de olaria)."

                                                                                                 -Ana Maria Saraiva.



O Artesanato do Alentejo está em fase de mudança. Já lá vai o tempo em que era apenas identificado com as faces rugosas dos velhos mestres que trabalhavam o barro, o ferro, o estanho, a madeira, a cortiça, o bunho, o couro, as peles ou o corno, e com as mãos hábeis das mulheres que pintavam a louça do quotidiano, faziam rendas e bordados ou passavam horas infindas ...em volta dos seus teares.
A tradição passou de pais para filhos mas os mestres tornaram-se professores de públicos mais alargados. E assim começou a surgir uma nova geração de artesãos, que aposta no que tem procura, deixando ao resto o lugar que sempre se reserva ao que vale mas não tem uso: o museu.
Entre as Artes que estão a conquistar o direito ao futuro, destacamos aqui apenas uma: A OLARIA . Está ligada a centros de produção / criação bem definidos, que fizeram escola, podem ser visitados e têm sempre produtos à venda: nas próprias oficinas e nas lojas de artesanato da região. Comece por ir aos postos de Turismo, onde se expõem boas colecções, e informe-se onde pode ver os artesãos a trabalhar e fazer compras.

Eis alguns exemplos:
Os BARROS DA FLOR DA ROSA cumprem todos os requisitos para merecerem a classificação de "artesanato”: utilizam a matéria-prima da região, que se cava nas chamadas "barreiras”, e mantêm os processos tradicionais de produção. Estão representados por uma selecção de 14 peças utilitárias, cada uma com a sua forma e função, em exposição permanente no Posto de Turismo.
A OLARIA PEDRADA DE NISA é única no Alentejo. Depois de as peças de barro vermelho estarem moldadas, são decoradas com desenhos onde se incrustam pequeníssimas pedras de quartzo recolhidas na Serra de S. Miguel. Estando em Nisa, aproveite ainda para relaxar e tirar proveito das águas das termas da Fadagosa de Nisa.
Em ESTREMOZ, o destaque vai para a SUA FAMOSA BARRÍSTICA. A melhor forma de a conhecer é visitar o Museu Municipal Prof. Joaquim Vermelho, que exibe uma notável colecção de obras populares dos séculos XVIII e XIX. Os temas da tradição ainda hoje continuam a inspirar os artesãos da cidade. Os santos de nicho e os presépios são as obras mais conhecidas e mais procuradas, em particular pelos coleccionadores. Os presépios incluem figuras religiosas e profanas e, algumas destas últimas, são já criadas e vendidas separadamente. Mas há outros temas recorrentes: os assobios e os "rouxinóis”; os ganchos de fazer meia, renda ou malha; os "napoleões”, soldados vestidos com as fardas do tempo das Invasões Francesas; os "pretos” de saias vermelhas; as "primaveras”, figuras de mulher vestidas de dançarinas com um arco de rosas de ombro a ombro e um chapéu enfeitado com lacinhos e flores; e, carregada de simbolismo, a metáfora "O Amor é Cego”, figura de mulher com os olhos vendados.
No que respeita à OLARIA UTILITÁRIA E DECORATIVA, embora haja produção em vários locais, são três os grandes nomes de referência: REDONDO, VIANA DO ALENTEJO (hoje com menor expressão - O barro utilizado pelos oleiros de Viana do Alentejo era retirado de umas barreiras situadas na Herdade dos Baiões, a 3 km da vila. Pertencia esta propriedade à família Cabral, que há bastantes anos tinha doado o barro aos oleiros de Viana, mediante o pagamento por parte deste de um foro, em peças de barro. Depois esta herdade transformou-se numa U.C.P., continuando os oleiros a usufruir dos mesmos direitos sobre o barro) e S. PEDRO DO CORVAL, o maior centro oleiro da Península Ibérica. No Redondo não deixe de visitar o Museu do Barro, onde encontrará testemunhos de uma olaria que é famosa, pelo menos, desde o séc. XVI. O Museu está integrado no Convento de Santo António e presta homenagem à olaria do Redondo e aos seus oleiros, dando a conhecer todas as fases do processo, da recolha do barro à execução da peça, sem esquecer os antigos almocreves que as vendiam.

Cântaros, talhas, vasos, jarras, pratos de todos os tamanhos e feitios, chávenas, suportes para velas, peças decorativas para jardins, de tudo se encontra nestes simpáticos lugares que merecem visita por esta e outras razões. As olarias estão todas abertas ao público, o que permite seguir o processo de criação desde o moldar da peça à secagem, cozedura no forno e decoração final.
Fontes: http://www.visitalentejo.pt/pt/o-alentejo/experimente/artes-tradicionais/              https://pt.slideshare.net/Ricardo122/olaria-tradicional-alentejana
   ARTE: “Mercado de Olaria Utilitária” de Leone Holzhaus