quinta-feira, 19 de junho de 2014

Taberna do "Larga a Velha" (Borba)


Na taberna do Fernando "LARGA A VELHA", a "modernidade" ( Tv a cores, à qual é retirado o som, por momentos) a par do tradicional, o ameno cavaqueio com um pequeno copo na mão, a conversa sobre futebol, política e politiquices e os assuntos emergentes a cada dia, as pedreiras e as vinhas, o mármore e o vinho em cima da mesa da tertúlia.
O cartaz de prémios (canivetes, pequenas lanternas, navalhas, corta unhas com o símbolo de Fátima, em terra de agnósticos que nunca faltam á procissão anual do padroeiro da terra--O SENHOR DOS AFLITOS---cada vez há mais.
Os homens mais novos carregando o pesado andor, depois a banda entoando o hino que nos faz arrepiar. Os restantes atrás da banda. As mulheres ladeando as ruas em fila lenta, com velas protegidas. Duas horas de procissão é quanto bastava/basta para a demonstração de "sólida fé" no Padroeiro.
É em meados de Agosto. Quando acaba sente-se a vontade em cada um/a de poder voltar no próximo ano, já que mais não seja para se afirmarem no grupo dos que ainda resistem. E a paciência, nem sempre presente, do padre que entre orações ia emitindo "recados aos infiéis".
As melhores colchas nas janelas e sacadas, retiradas logo após a passagem do andor, porque para o ano há mais e já arejaram bastante, libertando o cheiro das bolas de naftalina.As tabernas esvaziavam-se e à passagem da procissão, semi- fechavam-se as portas e abafava-se o som e o cheiro típico dos espaços profanos, onde as mulheres não entravam por respeito a um qualquer princípio versado no código de Hamurabi.Entre o sagrado e o profano, as tabernas foram abrindo e fechando, até quase desaparecerem, restando a memória já quase apagada.
Pouco interessará aos hodiernos o que é natural. Apenas a alguns"cotas"--gosto da sonoridade do termo--cabe recordar que; tascas e tasquinhas, ciber-cafés e restaurantes, bares e "pubs", são uma e única coisa; espaços de convívio e lazer, agarrados a uma conversa por vezes de treta e o abraço a um pequeno copo de vinho, quase sempre produzido em Borba...

Em Borba, “vamos fazer as onze”, quer dizer, é tempo de confraternização nas tabernas, grupos de pessoas, à volta de um copo de vinho e dos afamados petiscos alentejanos.
Esta tradição local foi recentemente transformada em produto turístico para dinamizar a economia local e chamar mais visitantes ao concelho.
Na tasca mais antiga de Borba Fernando Proença pega no acordeão. Todos o conhecem pela alcunha “Larga a Velha”, que é também o nome da tasca de que é proprietário há 54 anos. Sempre atrás do balcão, com a esposa Umbelina que trata dos petiscos.
“Aqui em Borba é tradição. Quando é assim, onze, meio-dia, a malta vem aos grupinhos, quatro, cinco, e vá uns copinhos, um pratinho de pimentos assados, vá um bocadinho de toucinho, um bocadinho de queijo, um bocadinho de pão, um bocadinho de morcela cozida e é as onze que eles fazem”, explica Fernando Proença.
Muitos já nem almoçam. Quem não falha a “fazer as onze” é Jerónimo Oliveira. Vai de manhã mas também à tarde. Encostado ao balcão da taberna, fluem as conversas do quotidiano:“Falamos de tudo na vida, o bom e o mau. De doenças, às vezes de bola, do estado do país também, já que isso toca-nos a todos.”
Entre uma azeitona e um trago de vinho, Vicente Lambuzana, numa perspectiva muito própria, defende a “coragem” dos filhos da terra.
“Dizem que Borba é a terra dos bêbedos, mas penso que é a terra dos corajosos. Temos que enfrentar um inimigo muito ingrato que é o álcool e, não temos vergonha. Acabamos por nos embebedar, o que é prejudicial, mas até para isso é preciso coragem", defendeu.