sábado, 19 de março de 2016

Moinho das Cinzas


Uma história do Feliz Grilo passada no Moinho da Cinza, Rio Guadiana
Moinho das Cinzas, Rio Guadiana.
Na rota de Montes Juntos- Cheles.
De 1940 a 1943 residi em Cheles, onde o meu pai tinha uma oficina de “ferrador”. Nessa altura, era muito difícil, mas o meu pai conseguiu um salvo-conduto e podíamos circular entre os dois países.
A travessia era feita, sempre, pelo açude do moinho das Cinzas. Aí eram moleiros o Ti Venâncio e a Ti Pomba (esposa).
Fazendo a moedura do trigo (dos muitos clientes que ali se dirigiam) recebiam a maquia.
E, dessa maquia, a Ti Pomba fazia, semanalmente o pão para o agregado familiar e mais meia dúzia destinados aos “carreiros” que vinham de Santiago Maior e de Montes Juntos, fazer a permuta e que por vezes ali ficavam um ou dois dias, até todos os sacos de trigo da carrada estarem moídos
Às escondidas do Ti Venâncio ia vendendo pão aos espanhóis, pois nessa altura havia acentuada crise de alimentos em Espanha e o contrabando era incontrolável (apesar da Guarda Fiscal e dos Carabineiros).
Mas, a Ti Pomba, de vez em quando, propositadamente, deixava “fintar” demasiado a massa e o pão ficava, ligeiramente a saber a azedo e, então, obtinha autorização do Ti Venâncio para a sua venda.
E, de vez em quando, havia os descuidos da Ti Pomba com as leveduras e o produto obtido já tinha clientes assegurados e lá seguia acompanhado de grandes “mantas de toucinho” às costas dos contrabandistas até aos arredores de Cheles.
Isto ficou gravado na minha memória dos 5, 6 anos.
 

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