segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Ermida de S. Geraldo (Alcáçovas)



Desconhece-se a data de fundação da ermida de São Geraldo, que em 1536 já existia pois é referida nas demarcações das propriedades do concelho de Alcáçovas (ANTT, Tombo das propriedades do concelho da vila de Alcáçovas, 1536), nomeadamente na descrição das confrontações do Rocio do Poço Novo, situando-se a nascente da vila. Túlio Espanca (Inventário Artístico de Portugal, vol. I, 1978) refere uma tradição oral segundo a qual este templo, com albergaria anexa, era uma leprosaria, a qual carece de confirmação documental.
Entre finais do século XVI e inícios do século XVII, após a constituição de uma irmandade criada por uma comissão de moradores (1599), a Ermida de São Geraldo sofreu uma profunda reformulação arquitectónica que lhe conferiu a sua feição actual.
O templo apresenta planta longitudinal simples, sendo composto por nave única precedida de alpendre, cabeceira de fecho recto orientada a Nordeste e sacristia anexa, a Sudeste. O presbitério, coberto por cúpula sobre pendentes, construída muito provavelmente em início de seiscentos, é rasgado ao nível do alçado Noroeste por fresta com enxalço, única fonte de iluminação deste espaço, e, ao nível do alçado Sudeste, por vão de porta de acesso à sacristia, esta coberta por abóbada de aresta e rasgada no alçado sudoeste por porta de acesso ao exterior, sobreposta por fresta com enxalço. O corpo da nave, sobrelevado em relação aos volumes da cabeceira e do alpendre, é coberto por abóbada de canhão, também resultante da mesma reforma, a qual obrigou à aposição de contrafortes no exterior para reforço estrutural, estes coroados por pináculos piramidais. A nave é iluminada por dois óculos circulares rasgados ao nível da cobertura, um por cima do arco triunfal e outro na frontaria. A fachada apresenta portal axial de verga direita, no qual se lê inscrição alusiva à sua feitura, datada de 1607(?), situando-se à direita do mesmo púlpito com comunicação para o interior da ermida e escada de acesso pelo exterior. O alpendre, provavelmente ainda da construção primitiva, coberto por telhado de duas águas, apresenta, sobre o arco principal de acesso, de volta perfeita, facetado, e coroando a empena, campanário rematado por frontão sobreposto por pináculo piramidal idêntico aos já referidos.
Na sequência da reformulação arquitetónica de inícios do século XVII, a ermida foi alvo de uma campanha ao nível do equipamento artístico de que são testemunho, o revestimento integral do presbitério com pintura mural, de que se encontram ainda hoje visíveis a representação dos quatro evangelistas nos pendentes que suportam a cúpula, e de São Rafael e Santo Inácio de Antioquia no alçado Noroeste e de Santa Bárbara e Santa Águeda no alçado Sudeste (2ª metade século XVII), que se sobrepõem a outras mais antigas (inícios século XVII), e a decoração da abóbada da nave, com esgrafitos de padrão geométrico. Já do século XIX é a pintura com apainelados e guirlandas que decora a cúpula, sobrepondo a anterior seiscentista.
Merecem ainda referência, já de meados do século XVIII, o retábulo de Nossa Senhora do Pilar, colocado no alçado do lado do Evangelho da nave, em talha dourada, barroco joanino, pertencente a irmandade da mesma evocação (já extinta), e o retábulo mor, já do último quartel de setecentos, policromado e dourado, em estilo rococó.
Encontrando-se em mau estado de conservação, a ermida de São Geraldo e casa anexa foram alvo de intervenções a mando da Junta da Paróquia, durante a segunda metade do século XIX. Em 1941, foi recuperada sob o patrocínio de D. Maria Joana Cabral Fernandes.
Em São Geraldo, fazia-se feira franca de dois dias, com início a 13 de Outubro, conforme se relata nas Memórias Paroquiais de 1758.