segunda-feira, 7 de abril de 2014

Centro Interpretativo do Mundo Rural ( Vimieiro )


  O edifício do Centro Interpretativo do Mundo Rural, situado na vila do Vimieiro, concelho de Arraiolos, é constituído por um antigo lagar - Lagar dos Queirogas - restaurado e adaptado para funções museológicas, onde foi implantada a exposição permanente, e por um novo edifício, construído de raiz, adossado ao edifício pré-existente, que comporta a receção, uma sala de exposições, gabinetes técnicos, instalações sanitárias e a sala de reservas. O edifício do antigo lagar, contíguo ao jardim da Santa Casa da Misericórdia do Vimieiro, antigo Paço dos Condes do Vimieiro, foi adquirido pela Câmara Municipal de Arraiolos, sendo que o terreno onde foi erguido o novo edifício foi cedido pela Santa Casa da Misericórdia do Vimieiro.
O projeto arquitetónico, em que harmoniosamente se conjuga a antiguidade do antigo lagar com a contemporaniedade arquitetónica do novo edifício, é da autoria dos arquitetos Michele Cannatà e Fátima Fernandes do atelier CANNATÀ & FERNANDES arquitetos Lda.

O mundo rural alentejano, entre o final do século XIX e a primeira metade do século XX, é hoje a memória de uma época difícil para a esmagadora maioria da população. Homens e mulheres trabalhavam arduamente, de sol a sol, para obterem o parco sustento que lhes garantia uma sobrevivência sofrida, mas honrada. Vastas terras, numa paisagem sem fim, e um quotidiano marcado por enormes desigualdades sociais, em que a terra era propriedade de poucos e local de trabalho para muitos, foi o cenário em que se construiu um período marcante da história do Alentejo. É esse mundo rural, ainda tão presente na memória dos mais velhos, mas já tão distante para os mais novos, que o Centro Interpretativo do Mundo Rural pretende preservar enquanto memória identitária do povo alentejano, gente sofrida e forte, com uma grande dignidade.
Inaugurado a 1 de Agosto de 2009 pela Câmara Municipal de Arraiolos, o Centro Interpretativo do Mundo Rural, situado na freguesia do Vimieiro, concelho de Arraiolos, é um importante contributo para a preservação da memória histórica da sociedade rural alentejana entre as últimas décadas do século XIX e meados do século XX.
Assume-se como um centro etnográfico que visa reforçar a memória individual e coletiva daquilo que foi a atividade mais importante na freguesia e no concelho – a agricultura.
O Centro Interpretativo do Mundo Rural é um espaço museológico permanente, sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade, que adquire, conserva, comunica e apresenta com fins de estudo, educação e lazer, testemunhos materiais do homem e do seu meio.
Tem como objetivo a valorização do património cultural, material e imaterial, da comunidade em que se insere, preservando e dando a conhecer uma identidade local e regional assente nas memórias coletivas.
A representação dos ciclos agrícolas alentejanos, bem como de atividades, usos e costumes associados à vida rural, através da exposição de fotografias e de alfaias, equipamentos e utensílios, maioritariamente doados ou emprestados pela população do concelho de Arraiolos, foram a forma encontrada para valorizar e divulgar a memória coletiva de uma época e simultaneamente integrar a comunidade nesse processo.
Quatorze zonas expositivas constituem o percurso museográfico adotado, sendo a sua lógica organizativa o calendário da agricultura alentejana no período anterior à introdução da mecanização. Às zonas expositivas foram atribuídas as seguintes designações: Desmoitas e Queimadas; Alqueive; Adubação; Sementeira; Da Oliveira ao Azeite; Do Montado ao Fumeiro; Monda; Da Ovelha ao Queijo; Corte e Manuseio de Forragens; Ceifa; Debulha; Limpeza de Cereais e Manuseio de Palhas; Do Sobreiro ao Carvão.
A exposição das alfaias e fotografias da época em consonância com a informação textual complementar e explicativa, foram as formas utilizadas para expressar as vivências de homens e mulheres que dedicaram a sua vida ao árduo trabalho do campo, pois são eles os homenageados e a razão da existência deste espaço museológico.