segunda-feira, 23 de maio de 2016

Mergulhão -de-crista




                                                    Mergulhão-de-crista (Podiceps cristatus)
Às 6:45 h estava dentro de água e faltavam apenas 23 minutos para o nascer do sol. Estranhamente a temperatura exterior era bastante mais desagradável do que a temperatura das águas ainda frias da pequena lagoa. Todos os anos, por esta altura, regresso a este local com a expectativa de assistir a um dos rituais mais cativantes da natureza, o ritual de acasalamento do Mergulhão-de-crista.
A neblina matinal cobre a lagoa e a visibilidade à frente do Hidrohide varia entre meia dúzia de metros à minha frente e algumas dezenas de metros. Não vejo nenhum Mergulhão em meu redor, aliás, vejo muito pouco ficando por vezes com a sensação que flutuo dentro de uma nuvem. A presença da ave faz-se sentir pelo seu canto estridente. Lentamente, caminho pela lagoa de pouca profundidade e de tempos a tempos começo a vislumbrar as silhuetas das aves por entre a neblina.
O sol nasce e de um lado da lagoa observo a neblina a ganhar uns tons alaranjados enquanto, do outro lado, os tons continuam muito azuis. A tarefa de focar com esta neblina torna-se quase impossível. A sua densidade varia em segundos e os animais aparecem e desaparecem em instantes. Mudo para foco manual e começo a fazer as primeiras fotografias. A lente embacia com facilidade e só me resta virá-la para o sol para que recupere a sua nitidez. Nos primeiros minutos aposto nas silhuetas mas assim que a neblina começa a desaparecer, mantenho-me imóvel como uma rocha no meio da lagoa e os Mergulhões aproximam-se permitindo captar-lhes os seus belos pormenores.
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