terça-feira, 26 de julho de 2016

Lagoa de Santo André
















Na passagem dos 50 anos sobre o trágico acidente da Costa de Santo André, ocorrido no dia 9 de Janeiro de 1963, no qual perderam a vida 17 pescadores, a Junta de Freguesia de Santo André, com o apoio da Câmara de Santiago do Cacém, homenageou estes homens, erigindo um memorial naquele local.

Onda gigante em 1963 matou 17 pescadores em Santo André

53 anos depois, o acontecimento que ceifou a vida a 17 pescadores na Costa de Santo André ainda está bem presente na memória dos sobreviventes.
A tragédia que ocorreu na tarde do dia 9 de Janeiro de 1963 e que se abateu na comunidade piscatória da Costa de Santo André, quando inesperadamente uma onda gigante irrompeu pela Lagoa de Santo André provocando a morte de 17 pescadores, marcou as famílias enlutadas e alterou a economia local.
Na passagem dos 50 anos, a Junta de Freguesia de Santo André, com o apoio da Câmara de Santiago do Cacém, homenageou os pescadores e as famílias com um memorial no local.
Um dos sobreviventes, Luís Manuel Pereira recordou a tragédia, explicando que “estávamos a praticar a arte de arrasto de puxar para terra e fomos surpreendidos por uma onda descontrolada que dobrou a Lagoa e fomos apanhados”.
Na altura com 18 anos de idade, Luís Manuel Pereira estava dentro de um dos barcos e justifica a morte dos companheiros e do seu pai com o facto de terem sido arrastados para o fundo por causa do peso das roupas de oleado e por causa das redes.
Onda gigante mudou a vida a muita gente
O dia marcou a vida destas pessoas. Muitas, que ficaram sem condições psicológicas para continuar a exercer a sua atividade, abandonaram a Costa de Santo André e a Lagoa.
O Presidente da Junta de Freguesia de Santo André disse que foi finalmente concretizada uma intenção de há muitos anos que serve para homenagear a população de Santo André, uma vez que o acidente causado por uma onda gigante teve um grande impacto na população de Santo André.
Jaime Cáceres disse ainda que “passados 50 anos, o acidente continua bem presente na memória destes homens que sobreviveram e que perderam familiares e amigos, por isso esta foi a altura certa”.
"Na altura, a Lagoa era arrendada e praticava-se duas espécies de pesca, o chinchorro para os pescadores profissionais e a chinca aberta a toda a população e onde no final da faina o peixe era divido por todos”.
"Estavam 60 pessoas nesse dia na Lagoa quando foram surpreendidos por uma onda gigante. Os homens foram cuspidos e foram ao fundo, 17 morreram. Os sobreviventes da tragédia falam de um dia de horror”.
O autarca lembrou ainda que “a arte xávega ficou irremediavelmente perdida na Lagoa porque quase todas as famílias foram afetadas por este acidente e muitos rumaram para outros locais”.