domingo, 2 de agosto de 2015

"Imagens do Alentejo" faz 6 anos...


Alentejo, a nossa Terra, que jamais esqueceremos
E somos muitos, os alentejanos, que com a mágoa cravada na alma, e estampada no rosto, um dia partimos deixando as nossas aldeias, os nossos Montes e os mais diversos lugares, na região alentejana, que anos antes havia acompanhado os nossos desenvolvimentos, físico e psíquico, para depois nos ver abalar do seu seio, jovens e válidos, como “vadios mal-agradecidos” quando lhe poderíamos retribuir parte do que ela tinha repartido connosco.
A Terra foi testemunha e chorou, aliando-se a nós e a nossos pais, porque a maioria deles não usufruía de condições que pudessem matar a fome a seus filhos, nem de lhes dar a roupa lavada e sem rasgões e, menos ainda, lhes proporcionar a educação condigna, a que todos os seres humanos, especialmente os jovens, por força da idade têm direito, porque eles saiam de manhã cedo para os campos e regressam depois do sol se pôr, cansados do trabalho. Foram muitas as razões que se nos apresentaram e obrigaram a partir, para os mais diversos locais, uns com a “mala de cartão às costas”, outros, envergando fatos de “Saragoça” e de outros materiais que a pobreza bem conhecia.
No entanto, aquela Terra e as suas gentes “vieram connosco”, porque os que ficaram e outros, sempre fizeram e ainda fazem parte de nós, como se fossem um, ou mais órgãos, indissociáveis e imprescindíveis, para que o nosso organismo continue a sobreviver.
A falta de empregos, aliada a esforços dantescos, para quem tinha de permanecer no seu cantinho de origem e era obrigado a despender, levaram-nos a sair e a conhecer outras terras e novas gentes, muito diferentes daquelas a que estávamos habituados a conviver, no dia a dia. Para alguns, de nós, as situações descritas frutificaram, e tornaram-se benéficas, ao passo que, para outros, nem tanto, por isso, desiludidos, com “uma mão atrás e outra à frente” tiveram de regressar às suas terras.
Fico perplexo quando, por vezes, oiço alguém pedir: “não se esqueçam da gente, nem do Alentejo, por que isto está tudo ao abandono. Ninguém quer saber disto para nada!”.
Sabemos que muitas terras de cultivo se encontram desertificadas, pelo abandono, a que foram votadas, e se deu, também, a desertificação de alguns Montes, encontrando-se alguns em ruínas, como muitas habitações, em aglomerados populacionais “desabaram”, pelos mesmos motivos.
No entanto, é do conhecimento geral, que o Alentejano, no seu novo habitat, não se acomoda a ter simplesmente um emprego, e a viver fechado na sua nova residência, nas horas de ócio. O alentejano é activo, e sem esquecer a Terra e os seus costumes, vai à luta, integrou-se e integra-se facilmente no seu novo ambiente, dando vida, com êxito relevante, às mais diversas actividades, enquanto “apura” e desenvolve talentos naturais, de que a natureza o dotou, nos mais variados e inumeráveis campos, para que está vocacionado, tais como, o desporto, as belas artes, o teatro, o fado, a poesia e a literatura em geral, no cante alentejano, onde faz sobressair e leva sempre “na algibeira” um bocado do seu Alentejo, a fim de o enaltecer e mostrar a quem não o conhece. São provas do que refiro as bastas colectividades que abundam pelos locais onde coabitam e residem os alentejanos.
Os alentejanos, que residem fora da sua Terra, não precisam que lhes lembrem para que a não esqueçam, porque a “Terra” vive com eles, corre-lhes nas veias e será sempre com orgulho que a apresentam como um elemento superior.
Para dignificar a sua Terra, o alentejano recorre ainda, a meios audiovisuais, através de programas na rádio e na televisão e, presentemente, serve-se das novas tecnologias, através da Internet, onde “laboram” Grupos que representam e divulgam o Alentejo e a cultura alentejana. Seria fastidioso enumerá-los a todos, no entanto, menciono o Grupo “IMAGENS DO ALENTEJO”, onde colaboro como “amigo”, que tem desenvolvido um trabalho exaustivo e notável, ao longo dos últimos seis anos, pela orientação da Drª Ana Maria Saraiva e dos seus colaboradores que nos presenteiam, diariamente, na sua página, através de textos e de fotografias, com um manancial de infindáveis temas que abarcam, o artesanato, a gastronomia, o “cante”, através de imagens e de vídeos de Grupos Corais, as festas, o drama das terras e dos montes abandonados e em ruínas, os utensílios e os trabalhos do campo, a literatura, em geral e tantos outros temas que não deverei enumerar, por “falta de espaço”.
Pelas razões apresentadas, desejo ao Grupo “IMAGENS DO ALENTEJO”, e aos seus colaboradores longa vida e muitas felicidades.
Texto da autoria do nosso compadre Manuel Manços (02-08-2015)

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