domingo, 3 de maio de 2015

Estevas






Com uma distribuição semelhante à azinheira, a esteva é um elemento fundamental das paisagens mediterrânicas com solos ácidos, formando matos densos que constituem a etapa mais baixa da sucessão ecológica provocada pelos incêndios e sobrepastoreio.

TAXONOMIA
A esteva (Cistus ladanifer L.) pertence à família Cistaceae. Esta contém 8 géneros e mais de 160 espécies. São um elemento importante dos matos existentes nos ecossistemas dos climas mediterrânicos, principalmente nos solos não calcários onde são muitas vezes a espécie dominante.

CARACTERÍSTICAS GERAIS E MORFOLÓGICAS
É uma planta perene de crescimento rápido. Tem usualmente um porte arbustivo, podendo atingir alturas de 2.5 m, ainda que normalmente não ultrapasse os 2 m.
As folhas são inteiras, compridas e estreitas alcançando 10 cm de comprimento e 1.5 cm de largura. Estão desprovidas de estípulas, têm uma inserção oposta e estão agrupadas aos pares. As folhas não possuem pêlos na página superior mas estão cobertas de pêlos estrelados na inferior. Quando são jovens, estão fortemente impregnadas de uma substância pegajosa, denominada ládano, que tem um aspecto brilhante e se cola às mãos e roupa. As folhas velhas têm uma coloração grisalha.
As flores são solitárias e grandes, podendo ter 10 cm de diâmetro. Possuem 3 sépalas e 5 pétalas de cor branca, podendo ter por vezes uma coloração púrpura na sua base. Cada flor individual dura apenas um dia, existindo, no entanto, uma longa sucessão destas.
O fruto é uma cápsula globosa com 7-10 compartimentos.
OCORRÊNCIA
Ocorre em toda a região mediterrânica ocidental e ilhas Canárias. É muito abundante no Alentejo e Algarve e nas regiões espanholas da Extremadura, Serra Morena, Andaluzia e Castela. 

PREFERÊNCIAS AMBIENTAIS
Ocorre sobre solos ácidos não calcários como os graníticos, quartzíticos e xistosos, principalmente nos mais degradados. No que diz respeito à altitude, pode ser encontrada desde o nível do mar (habitando inclusivamente as areias das praias) até aos 1000 m. É muito resistente à seca ocorrendo mais em zonas soalheiras que nas umbrias. São plantas bastante resistentes ao vento, mesmo ao marítimo.
Do ponto de vista de jardinagem, não reage muito bem aos cortes de ramos, particularmente nos indivíduos mais velhos. São igualmente muito sensíveis a perturbações nas suas raízes.
A ESTEVA NO ECOSSISTEMA
A esteva é um elemento fundamental das paisagens de regiões com solos ácidos, formando matos densos que constituem a etapa mais baixa da sucessão ecológica provocada pelos incêncios fortes e demasiadamente frequentes e pelo sobrepastoreio.
A sua distribuição é muito semelhante à da azinheira (Quercus ilex spp rotundifolia), ocupando o espaço da última quando ocorrem incêndios de grande intensidade. O aumento da altitude e o aparecimento do carvalho negral (Quercus pyrenaica) em detrimento da azinheira leva à substituição da esteva por outra cistácea muito parecida: o Cistus laurifolius, que, como o nome indica, tem folhas muito parecidas às do loureiro (Laurus nobilis).
Pelas características edáficas dos seus locais de ocorrência, e esteva é um indicador biológico da degradabilidade dos solos.
As suas flores são muito atractivas para as abelhas que as polinizam.
Cruzam-se com muita facilidade com outras espécies do género, formando híbridos. 

CURIOSIDADES
As espécies pertencentes à família das cistáceas são muito empregues na jardinagem por terem flores muito bonitas e delicadas que perdem as pétalas com facilidade, formando, por vezes, um tapete colorido ao redor dos locais onde se encontram.
O nome do género da esteva - Cistus - tem a ver com o facto de os seus frutos serem cápsulas globosas com 7 a 10 compartimentos. Etimologicamente vem do grego "ciste", que significa caixa, cesto.
O epíteto específico da esteva - ladanifer - vem do facto de ela produzir a resina denominada ládano cuja abundância lhe permite competir com outras espécies visto que parece inibir o crescimento destas - esta estratégia é denominada alelopatia. A resina serve também para proteger a planta contra a dissecação.
O método de colheita da planta para fins medicinais era muito curioso. Utilizavam-se rebanhos de cabras que se colocavam a pastar em zonas de grande densidade de esteva. De seguida, penteava-se o pêlo e barba dos animais para recolher a resina. O resultado final consistia numa resina (ládano) aromatizada com um odor, nada agradável, a cabra.
UTILIZAÇÕES
A resina (ládano) da esteva era antigamente empregue com fins medicinais, sendo-lhe atribuídas propriedades sedativas. Era um dos constituintes dos emplastros régios que se julgava serem eficientes na cura das hérnias e tratamento de doenças nervosas.
Actualmente é utilizada na perfumaria como fixador de perfumes (prescindindo-se, por razões óbvias, do método dos rebanhos de cabras).
Informação copiada do site: http://naturlink.sapo.pt/