quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Malas de Cartão...



Nos anos 50 do século passado, uma parte dos emigrantes portugueses que afluíram à França nos primeiros anos fazia-o de forma ilegal, muitos deles fugindo durante a noite, atravessando as fronteiras para a Espanha de onde igualmente ilegais "davam o salto" para a França.
Já em 1954 o regime salazarista emitia um decreto, o Decreto-Lei nº 39749, que classifica a emigração clandestina como crime, estabelecendo sanções penais e atribuindo competências à PIDE para a reprimir.

  
Aqueles que chegavam à França e depois de trazida a família acotovelavam-se, na maioria dos casos, em bairros de lata chamados biddonville...
Em termos de integração social as famílias portuguesas tiveram sempre a tendência de procurar manter a sua identidade cultural pondo de lado qualquer tipo de apelo à integração nas sociedades hospedeiras pois isso era visto como uma ameaça á sua identidade cultural o que de certo modo impediu que os emigrantes portugueses integrassem ou quisessem integrar as comunidades onde se inseriam.
 A questão da integração cultural era sempre vista como um conflito entre os valores culturais e familiares associados ao país de origem e aqueles valores da cultura local pois as famílias portuguesas sentiam a necessidade de manter aquilo que era seu do ponto de vista étnico e cultural, valores que muitas vezes já eram os valores de um Portugal rural, interior e fechado e de uma sociedade tradicional que no contexto do Portugal da época estava a desaparecer pois naquele tempo paralelamente ao fenómeno emigração, assistia-se a um fenómeno importante de migração das populações rurais (da província) para as cidades, e para os meios urbanos do litoral, onde proliferavam as indústrias geradoras de emprego.
Assistiu-se portanto nessa época em Portugal à quase massiva desertificação dos meios rurais, fenómeno do qual ainda hoje se notam as consequências se atendermos á demografia das regiões rurais e a quase inexistência de jovens e crianças. Em muitos casos foram-se os novos e ficaram os velhos.
Copiado do Blog: http://desigualdadedireitos.blogspot.pt/

Nota - Só nos ultimos quatro anos, Portugal perdeu cerca de 500.000 habitantes, que foram obrigados a emigrar devido á crise económica que nos assolou. Perdemos muitos dos nossos jovens e as nossas aldeias e vilas estão a ficar desertificadas. Não é bonito ver um país em ruínas, habitado por idosos, á espera do regresso dos seus filhos e netos. Temos de inverter esta situação e, no próximo Domingo, vamos a votos...
Vote, caro compadre, cara comadre, não consinta que outros decidam por si...