domingo, 14 de agosto de 2016

Portas e Janelas do Alentejo








Andava eu a passear pelas ruas do Alentejo, quando ouvi um sussurrar!
Que será?, pensei eu....
Eram as portas a contar as suas memórias, suas tristezas e alegrias....e num sussurro, contavam:
- Em tempos que já vivemos, passaram por nós muitas gerações, vimos crescer pais e filhos, vimos os que partiram, vimos os que chegaram, fomos portal de boas e más notícias, fomos o assento nas noites quentes de verão, ouvimos histórias de encantar, de moiras, fadas e príncipes.
Mas esses tempos foram morrendo aos poucos e hoje já não se ouvem histórias de encantar, de moiras, fadas e príncipes.
Pois têm razão, pensei eu, como se com elas conversasse! Alteraram-se os espaços de sociabilidade, tais como quando nas noites de verão, um grupo de mulheres se sentavam à porta de uma delas, as fortes relações de vizinhança eram demonstradas pela entreajuda, do que necessário fosse, como, por exemplo, no arranjo da lã lavada, no seu “escarameio”, ao mesmo tempo que a mãe ia deitando um olhar para a janela, aonde decorria o namoro e enamoramento da sua filha.
Sussurrando, responderam:
- Mas, se não há histórias de encantar, se as relações de entreajuda e os espaços de sociabilidade se alteraram, continuamos a ser porta de casa de abrir e de fechar, porta de casa onde há vida, onde há viver e donde avisto a planície, as suas cores, e donde ouço o trinar dos seus rouxinóis e por onde entra o doce cheiro do alecrim, da esteva e do rosmaninho.
O que não perdemos, foi a importância relevante que temos porque somos o testemunho das diferentes gentes, e sua arquitectura, que foram antepassados da Pátria Alentejana e que por aqui viveram; e somos, também, testemunhos da história da arquitectura de Portugal e, por conseguinte, da do Alentejo, bem como da arquitectura tradicional alentejana.
Porque são parte da alma do Alentejo e jóias da sua arquitectura, hoje o tema é Portas e Janelas do Alentejo!...
Ana Maria Saraiva
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