quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Judiaria de Castelo de Vide






A presença judaica em Castelo de Vide está documentada desde o século XIV.
Nessa altura foi que D. Pedro I aforava a Mestre Lourenço o seu físico, provavelmente judeu, umha terra em Castelo de Vide, sendo vários os documentos datados do século XV que testemunham a existência da comunidade judaica da vila.
O conjunto alargado de ruas que compunham a Judiaria, implantada ao longo da encosta nascente da porta principal do castelo, desenvolveu-se entre o Largo do Mercado e a Fonte da Vila "em nada diferiam das que formavam o restante núcleo medieval".
Ainda que estabelecido numa das zonas mais acidentadas, o bairro era atravessado por um eixo fundamental de comunicação do castelo com o exterior e vice-versa. Estreitas calçadas serpenteiam desde a Porta da Vila, no castelo, até à Fonte da Vila, em todo semelhantes às que formam o restante núcleo medieval de Castelo de Vide.
O judeu, pela sua vivência em diáspora, ligou-se fundamentalmente, às atividades mercantis, justificando-se, mutuamente mercado e judiaria, no mesmo espaço-encosta nascente do Castelo.
A comunidade judaica de Castelo de Vide evoluiu entre dois espaços fundamentais: o velho Largo do Mercado e a vetusta Fonte da Vila.
A amplitude do bairro judeu de Castelo de Vide, como se vê na imagem, pode compreender-se devido à proximidade com a fronteira castelhana. Assim sendo, o édito de 1492, promulgado polos reis católicos provocou uma deslocação maciça de famílias judias que procuravam abrigo em Portugal. Datará dessa altura o desenvolvimento comercial e manufatureiro que veio a caracterizar, posteriormente, Castelo de Vide. O arraial levantado às portas de Castelo de Vide para albergar os judeus castelhanos teria recebido entre 4000 e 5000 pessoas. Depois da expulsão dos Judeus de Portugal de 1496, permaneceram em Castelo de Vide muitas famílias de Judeus convertidos ao cristianismo.
Não apenas nas artes e ofícios se notabilizou a comunidade judaica de Castelo de Vide, tendo brilhado no século XVI também os seus filhos na botânica e medicina, como nos provam os nomes de Garcia de Orta, filho de cristãos-novos e autor de "Colóquio dos Simples e Drogas da Índia", ou o Mestre Jorge o Físico.
Ainda que de difícil delimitação urbana, a Judiaria de Castelo de Vide estendia-se pelas ruas medievais da Fonte, do Mercado, do Arçário, do Mestre Jorge, da Judiaria, da Ruinha da Judiaria, e ainda pela atual Rua dos Serralheiros e da Rua Nova.
A despeito da renovação que, por via da sua contínua ocupação, foi sofrendo, a judiaria de Castelo de Vide apresenta ainda alguns elementos característicos: as portas ogivais de habitação e de oficina ou comércio (algumas decoradas com símbolos profissionais), as janelas góticas, alguns com elementos simbólicos da época, as velhas calçadas e o edifício que se julga ser a antiga Sinagoga. Aliás, outros edifícios da Rua da Judiaria, da Rua da Fonte ou da Ruinha da Judiaria mostram ainda o que resta da tradição milenar judaica de marcar a sua fé nas ombreiras das portas.
Como conjunto arquitectónico e urbanístico, esta judiaria é a que se encontra mais bem preservada em todo o País.
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