quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Alentejo, meu tesouro...










Fotos: Luis Canelas

                                         Alentejo, Meu Tesouro ( Poema de Antónia Ruivo )

Há tanta ideia perdida

Nos campos de trigo ouro

Vasta planície com vida

Alentejo meu tesouro

Por entre vales e serras

Chaparros e azinheiras

Sobreiros e velhas eiras

Contidos em farta rima

Entre memória com história

A planície embriagada

Nas rimas de triste fado

Canta aqui e acolá

Quase sempre ao deus dará.

Há tanta ideia perdida!!

Assim os dias vão passando

Na letargia de um ribeiro

O seu povo verdadeiro

Alegre cantarolando

Modinhas que são besouro

Que elevam os sentidos

No vento com seus gemidos

A saudade é bebedeira

Triste namoradeira

Nos campos de trigo ouro

Velhos de cabelo branco

Jovens de esperança viva

Esta terra está cativa

Presa em fundo barranco

A alma de todos nós

Moinhos de tantas Mós

Em grupo ou mesmo sós

O trigo lá vão moendo

Em quadras que vão escrevendo

Vasta planície com vida

Por agora eu termino

Ao cantar que a voz me doa

Alentejo me perdoa

Este meu jeito franzino

Venho da casta de um mouro

Que um dia caiu do vento

Plantou aqui seu rebento

Por entre o barro vermelho

Hoje no céu como um espelho

Alentejo meu tesouro.