sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Momento de Poesia (Blog dos Cheiros)


O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente…
(Mario Quintana)

 A boca, 
onde o fogo 
de um verão 
muito antigo cintila, 
a boca espera 
(que pode uma boca esperar senão outra boca?) 
espera o ardor do vento 
para ser ave e cantar. 

Levar-te à boca, 
beber a água mais funda do teu ser 
se a luz é tanta, 
como se pode morrer?

Eugénio de Andrade


Era preciso agradecer às flores
Terem guardado em si,
Limpida e pura,
Aquela promessa antiga
De uma manhã futura.

Sophia de Mello Breyner

Retirado com a devida vénia do Blog dos Cheiros: http://cheirar.blogspot.pt/