segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Sr. Júlio, o Cadeireiro

 

 (...ainda no Mercado de Portalegre)

Mesmo antes de entrar detenho-me porque a cena, de invulgar, me chama à atenção. Um senhor sentado no chão,à porta do mercado da cidade, trabalha afincadamente numa cadeira. Restaura-lhe o assento.


Miro-o em silêncio durante um pedaço, antes de encetar conversa: Isso que o senhor está a usar é junco, não é? - Amável, ele responde: É sim... agora já há pouco, dantes havia muito mais, apanhava-se por todo o lado!...


E assim começou a nossa conversa sem pressa. Eu sabia que lá dentro, frutas e legumes não se iam acabar, e ele, sempre a dar aos dedos enquanto dava à língua, acabou por me contar que já tinha sido cozinheiro em Lausanne,  mas que regressou antes que se lhe acabasse o dinheiro;...que tem a sua oficina de cadeireiro em Alpalhão, perto da Junta de Freguesia, onde numa parede há fotografias da planta para explicar todo o processo a professores e alunos que o visitam;... que vai tendo sempre trabalho e que começa às seis da manhã e  larga às nove da noite. Também sintonizo televisões...se há algum aparelho que não transmita bem, eu vou lá e consigo pô-lo a captar o máximo do sinal....A pessoa nunca mais tem problemas! Só não trabalha quem não quer!, diz convicto.


Um assento para uma cadeira leva pouco mais de uma hora a fazer e cobra entre 15€ a 20€ por cada. Não deixa a tarefa incompleta... se o banco ou cadeira estiverem desengonçados, também restaura e ajusta a madeira.


Enquanto falamos, gente vai e gente vem. Curiosos e interessados, quase todos lhe pedem o contacto e orçamentos. Mas há  quem se detenha só a olhar. Realmente, dá prazer ver trabalhar assim...



(Foto retirada da Internet)
(O junco é uma planta fléxivel que pode atingir 1,50 m de altura e que cresce em zonas húmidas ou alagadas. É tradicionalmente usada para tecer cestos, esteiras e assentos de cadeiras. Trabalha-se molhada.)