quarta-feira, 1 de junho de 2016

Ermida de Nosso Senhor do Cruzeiro


No antigo caminho da Senhora d’Aires, ergue-se a velha capelinha do Cruzeiro, onde o tempo e a incúria dos homens deixou estragos quase irreparáveis a que urge pôr fim.
Impõe-se o seu restauro, respeitando a traça primitiva, com os seus gradeamentos em ferro, levando de novo para lá o cruzeiro que em boa hora o vianense Viriato Campos conseguiu remover para dentro do Castelo, furtando-o à sanha dos iconoclastas impiedosos.
Seria mais um monumento curioso, com o seu cruzeiro cuja idade se perde na noite dos tempos e cujo valor algum entendido poderia determinar. Uma obra certamente cara, mas que valia a pena, cuja despesa poderia ser auxiliada principalmente pelo elemento eclesiástico.
                       - Texto da autoria do nosso compadre e amigo João Vieira









A ermida do Senhor Jesus do Cruzeiro ergue-se a norte de Viana do Alentejo, a poucas centenas de metros do Santuário de Nossa Senhora de Aires, constituindo ambos um importante ponto de peregrinação do Alentejo. 
Trata-se de um pequeno templo com planta em cruz grega de braços pouco salientes, praticamente quadrangular, coberto por abóbada em calota, ao modo das tradicionais "cubas" alentejanas, identificadas com construções de influência árabe, muito embora o presente edifício possua dimensões superiores ao habitual. 
Os elementos construtivos indicam uma cronologia barroca, visível nomeadamente na fachada principal, em dois registos, ritmados por pares de pilastras adossadas em cada lado do portal. O portal principal é de verga recta, enquadrado por dois janelões idênticos, rasgando-se sobre o mesmo uma luneta quadrilobada envolta em volutas e enrolamentos de cariz joanino. 
Esta fachada é rematada por um pequeno frontão decorado com uma vieira, sobre o qual se ergue a cruz, de remates trilobados.
O interior, de espaço unificado, encontra-se despojado da maioria dos elementos originais, incluindo o retábulo-mor. São ainda visíveis alguns vestígios de pinturas murais. A abóbada, assente em trompas, possui um lanternim octogonal destinado a proporcionar mais iluminação ao interior, de resto desprovido de qualquer elemento decorativo ou estrutural de relevo. 
O lanternim, alto e esguio, é coroado no exterior por um coruchéu.
Sílvia Leite / DIDA /IGESPAR, I.P. / 03-10-2007 www.igespar.pt/en/patrimonio/pesquisa/geral/patrimonioimo...