sexta-feira, 16 de março de 2018

Alentejo esquecido...






Na vasta e bela região do Alentejo podemos encontrar de tudo um pouco. 
Desde planícies a perder de vista com searas ondulando ao vento, passando por praias selvagens junto ao litoral, serras e os típicos montes alentejanos no interior, sem esquecer uma gastronomia rica e variada e os templos, castelos e vilas romanas que nos recordam quem por aqui passou há muitos, muitos anos.
Como um dia escreveu Florbela Espanca sobre o Alentejo: "Tudo é tranquilo e casto, penso então: Onde há pintor, onde há artista de saber profundo que possa imaginar coisa mais bela , mais delicada e linda neste Mundo?".
Florbela tinha razão!!! E como poetizaria ela hoje o Alentejo, o seu Alentejo, onde as suas terras e os seus típicos montes, as suas Igrejas e o seu património defensivo ameaça, a cada dia que passa, a sua total degradação. Onde, em muitos sítios, “o cheiro putrefacto da morte” se sobrepõe ao aroma delicioso dos lírios, das estevas e do alecrim.
Com o tema que vamos propor para hoje não se procura ofender susceptibilidades porque a culpa já vem de várias gerações... não é um caso de politica mas de falta de sensibilidade histórica, um comportamento que é apanágio da nossa nação.
Procuramos chamar a atenção a todos os Alentejanos, mas sobretudo às gerações vindouras, da ruina do nosso Património.
Não se pretende apenas focar as atenções na arquitectura "erudita", a história não se centra apenas em edifícios nobres, há casas de pastoreio, fábricas, moinhos, chalets, quintas, unidades militares e outros tipos de"monumentos" que igualmente merecem a nossa atenção.
É com orgulho que falamos de Salgueiro Maia, mas a casa onde nasceu está quase em estado de ruína; pelo o seu incontestável empenho pela liberdade, a autarquia pagou-lhe com a degradação da sua casa .
Ou, como diz Patrícia Porto., in Jornal de Nisa:"Temos as famosas Milaldeias. Casas encantadas para receber aqueles que vendem a nossa imagem lá fora, hoje poderiam dar emprego a pessoas do concelho mas não, estão caídas ao abandono…"
E as escolas: Com a concentração de alunos nos centros escolares vários edifícios que serviam de escola primária encontram-se degradados e sem qualquer utilidade.
E os montes abandonados? Será a melhor forma de prestar homenagem aos habitantes daqueles lugares, homens e mulheres que ali nasceram, viveram e, muitas vezes, ali morreram? Já não se ouvem as risadas dos bandos de crianças brincando ao ar livre. A estrutura social morreu completamente, a alma do sitio perdeu-se para sempre...
Muitos outros exemplos se poderiam dar………….
As Terras ,os Montes, o património rural e muito do histórico e artistico foram abandonados, com o apoio de milhões de subsídios oferecidos a fundo perdido; FORAM ABANDONADOS MAS NÃO ESQUECIDOS pelo que temos que divulgar, ir aos sítios, chamar a atenção, puxar pelo Alentejo porque há que relembrar aos nossos Governantes, e também aos Alentejanos, para acreditarem no futuro da região com maior potencial de Portugal.
Compilação de texto da autoria da nossa comadre Ana Maria Saraiva,
Fotos da autoria dos guias locais do Projeto Alcáçovas Outdoor Trails,