terça-feira, 28 de maio de 2013

Massacre de Algalé



Cruzeiro ou Obelisco da Algalé – Massacre de Algalé

Este Cruzeiro ou Obelisco de Algalé no Torrão, freguesia do Concelho de Alcácer do Sal, pretende manter a presente lembrança de uma das mais negras páginas da História de Portugal escrita com o sangue da intolerância política: as vítimas do massacre de Algalé.
Este episódio foi talvez o mais cruel das Guerras civis Portuguesas do Século XIX.
Aqui da tua Pátria os defensores tragaram do Martírio inteira taça a viandante leva as lágrimas e as Flores. Lê só curva o joelho adora e passa.”, escreveu António Feliciano Castilho para o monumento á Memória dos 26 presos ali executados, em 4 de Novembro de 1833, na sequência da derrota dos Liberais na batalha da Barrosinha em Alcácer do Sal, dois dias antes (do massacre).
Este monumento encontra-se na Várzea da Ribeira de Algalé na estrada Torrão-Alcácer ao Quiilómetro 9, erigido em honra das vítimas da chacina, mas em terreno privado, vedado ao publico em geral por arame fardado e cadeado, o que dificulta em muito a sua visita.
Quem estiver interessado, deverá pedir autorização do acesso á administração da Herdade de Algalé. 
Além do epitáfio estão gravados nas quatro faces da pedra a descrição das circunstâncias em que ocorreu o Massacre e os nomes apurados dos mortos. Rezam os primeiros desses dizeres vinte e nove oficiais do Exército da Rainha a Senhora D. Maria Segunda, sendo prisioneiros pelas tropas do “ O Usurpador” da Batalha que em Alcácer ocorreu no dia 2 de Novembro de 1833.
Esses Oficiais foram conduzidos para Campo Maior com 443 seus camaradas também prisioneiros, mas com o pretexto de que eram Oficiais e seriam melhor tratados em Beja, foram separados dos Praças e Sargentos. Assim enganados, foram neste lugar bárbaramente fuzilados por seis soldados, no dia 4 do referido mês e ano.
Foi mandada e presidida tão nefanta execução por Diogo José Vieira Noronha, Corregedor de Beja pelo Governo da Usurpação e Ignácio dos Montinhos Alferes dos realistas pelo mesmo Governo.
Verifica-se a identidade de 17 ou 18 das vítimas, mas dúvida derivada do sumiço do embutido da gravação que não permite distinguir os nomes dos outros. Não se trata naturalmente do único registo coevo do episódio que não obstante o muito sangue feito correr pelo conflito entre Absolutistas e Liberais, deu brado ao tempo pela sua cruel dimensão a quem se referia a Diogo de Noronha como o Grande Carrasco ao comandar o fuzilamento.
Diogo de Noronha obedecia à ordem do General José António de Azevedo Lemos, como alegou mais tarde.
Os presos foram conduzidos aos grupos de quatro para a vala comum e fuzilados.
Calcula-se que foram 26 os fuzilados, pois do grupo inicial de 29, três prisioneiros  escaparam á sorte dos camaradas. Um, chamado Morgado Ferreira, em circunstâncias que Bolhão Pato diz milagrosas, outros dois libertados na véspera pelo próprio executor do Massacre, por serem amigos. 
Diz-se que na Batalha da Barrosinha-Alcácer morreram mais Liberais atolados no lodo que na própria guerra com os Miguelistas.
Daí os Miguelistas que conheciam o terreno saírem vencedores.
Paz ás suas almas...