sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Apanha da azeitona na tapada de Alcáçovas nos ínicios do séc. XX























Os alentejanos sempre tiveram pela oliveira um grande respeito, quase como uma veneração, cuidando dessa árvore como um verdadeiro património natural a deixar às gerações seguintes.
Noutros tempos era a oliveira que produzia a única gordura vegetal para a alimentação e era a principal fonte de iluminação, sendo o azeite utilizado para as candeias.

"A oliveira dá-nos azeitona, a azeitona dá-nos azeite, o azeite dá-nos candeia, saúde no
mal, gosto no prato " - Assim propinava uma velhinha à sombra padroeira de um olival
alentejano (Chaves, 1969).

As oliveiras eram varejadas, pelo rancho dos homens que trepava às árvores e lançava a azeitona por terra com as varas de castanho, seguia-se o rancho de mulheres que recolhia a azeitona bago a bago (Câmara, 1902).
Tantas vezes, nas ásperas manhãs de geada, as mãos roxas de frio e entorpecidas das apanhadeiras dificilmente apreendiam os negros e pequeninos frutos cobertos de cristais refulgentes de gelo, ou a chuva miúda que encharcava as roupas, sob um céu cor de chumbo prometedor de tempestade, a tarefa paciente prosseguia, e bago a bago se enchiam os cestos.

Mas havia alegria em todo este trabalho!
Quebravam a monotonia dos olivais, imprimiam-lhes cor, movimento, vida, os ranchos buliçosos de mulheres, as cantigas alegres, a policromia dos trajes…(Câmara, 1902).

No final, as promessas da adiafa, a grande festa com que terminavam as boas safras, faziam esquecer o trabalho penoso e finda a recolha da azeitona, os ranchos das apanhadeiras abandonavam os olivais. As oliveiras ficavam mudas e surdas com as saudades das suas azeitonas... (Chaves, 1969)

Já se acabou a azeitona,
já se ganhou o dinheiro:
dêem vivas ao patrão
e também ao "menajêro "!