quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Estação de Cuba







Há alguns anos, quando a automotora chegava á Estação de Cuba, era vulgar que do seu interior, grupos de jovens magalas gritassem em plenos pulmões com um inconfundível tom de galhofa: "Olha a manta, olha a manta!"
Invariavelmente, gera-se logo ali uma enorme confusão com os habitantes locais, que não achavam piada nenhuma á brincadeira. Trocavam-se muitos impropérios e insultos, ás vezes até havia porrada.
E só acabava quando o comboio apitava e partia rumo a Beja ou Barreiro.
E agora, perguntam decerto os presados compadres, qual seria a razão da frase "Olha a Manta, Olha a manta" se tornar tão ofensiva?
Eu passo a explicar-vos:
Quando um cavalo suava, era costume o tratador tapar o seu dorso com uma manta ou cobertor, para que não se constipasse e morresse de febre. Os cavalos eram um bem precioso na sociedade rural alentejana do Séc.XIX e tudo se faria para o seu bem-estar.
Quando se fez a Linha do Sul, os comboios eram a vapor e devido ao calor das suas caldeiras, parecia que suavam. Conta-se que quando se inaugurou esta Linha, muito povo se juntou na Estação de Cuba para ver a chegada da locomotiva, tanta era a curiosidade para vislumbrar o progresso que se avizinhava, o transporte do Futuro.
Acontece que a máquina vinha suada, muito suada.
E uma voz surgiu na multidão, gritando: "Tragam mantas, que ela constipa-se". Correram ás casas ali próximas, trazendo inúmeros cobertores e mantas, tapando e evitando assim que a locomotiva se constipasse...

Cuba - Igreja Paroquial de São Vicente

Situada entre olivais, junto à margem esquerda de um dos afluentes da Ribeira de Odivelas, Cuba é habitada desde épocas pré-históricas. Foi conquistada aos mouros por D. Sancho I e recebeu o título de vila, em 1782. Do povoamento remoto do concelho, ainda hoje subsistem alguns vestígios da cultura megalítica, nomeadamente duas antas nos arredores de Vila Alva, e o menir da Água.

Do património arquitectónico merecem especial referência a Ponte Romana, na freguesia de Vila Ruiva, que ligava Beja a Évora, a quinhentista Igreja Matriz de Cuba. Em redor, pequenas vilas e aldeias preservam a arquitectura tradicional, patente nas características casas brancas, caiadas, de um só piso, com as típicas barras coloridas, de que Vila Alva é o exemplo mais interessante. Guarda além do casario imaculado e capelas seculares, a Igreja de Nossa Senhora da Visitação, do século XVII, integrada na original Rota do Fresco - itinerário turístico destinado a divulgar a pintura mural religiosa alentejana. É que se no norte de Portugal, a decoração das igrejas é feita de talha dourada e de azulejos, a sul estas são caiadas de branco e pintadas com os pigmentos da natureza - azul cobalto, magenta e amarelo ocre.

Nomeadas, ainda, por Terras do Pão e do Vinho, todas estas freguesias de Cuba são marcadas - tanto ao nível da paisagem, como dos modos de vida -, pela produção vitivinícola e do azeite. Existem vários percursos organizados em torno do tema, proporcionando aos visitantes um périplo pelas adegas e lagares mais significativos da região.