terça-feira, 5 de novembro de 2013

Raid Pedestre na Juromenha
























Castelo da Juromenha-
A região da Juromenha, provavelmente devido à sua posição estratégica, junto ao rio Guadiana, foi ocupada por povos anteriores ao domínio romano da península, e o próprio Júlio César, em 44 a. C., terá mandado reforçar as suas defesas.   A ocupação muçulmana durou quase dois séculos, mas em 1167, D. Afonso Henriques, tomou este castelo, que seria de novo conquistado pelo califa Almançor, para, em 1191, regressar definitivamente à posse portuguesa.   O rei D. Dinis, concedeu-lhe Carta de Foral em 1312, seguindo-se o reforço das suas defesas, de que fazia parte uma Torre de Menagem com cerca de 40 metros de altura. Durante a Guerra da Restauração foi construída uma nova fortificação, confundindo-se com a anterior.   Ainda decorria esta construção, por volta de 1659, quando o paiol explodiu, destruindo muito das estruturas e causando bastantes mortes, também o terramoto de 1755, causou danos que levaram a novas obras de recuperação.   Actualmente muito arruinada, esta estrutura defensiva está classificada como Imóvel de Interesse Público.
Em 1801, o local voltou a ser protagonista da História de Portugal, e por alturas da Guerra das Laranjas, conflito que ficou a dever o nome a um gesto sedutor de Manuel Godoy, Príncipe da Paz e generalíssimo do exército espanhol que, aquando do cerco de Elvas, enviou um ramo de laranjeira e os respetivos frutos à rainha Maria Luísa de Espanha, junto com a mensagem: “Eu careço de tudo, mas sem nada irei para Lisboa”. Assolada pelos espanhóis, Juromenha foi então entregue sem resistência pelo seu governador, o tenente-coronel Gama Lobo, que por tal foi julgado em Conselho de Guerra e degredado para Angola.
Terminada a inconsequente Guerra das Laranjas, a fortaleza não mais voltou a ser palco de confrontos bélicos e, após a reforma administrativa de 1835, Juromenha foi integrada no Concelho do Alandroal, situação que hoje se mantém.

http://www.casasdejuromenha.com/envolvente.php

Fotos cedidas gentilmente pela nossa comadre Florbela Vitorino e captadas nesta bonita zona da Raia Alentejana.
Intervenientes neste reconhecimento de percursos:
Nuno Lacerda, Luis Rocha, Paulo Silva, Paulo Fanha, António Maria Soares, Susana Valido e Florbela Vitorino.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A Peluda ...



Há alguns anos atrás, era relativamente fácil ouvir, completamente ébrios de felicidade, jovens magalas que gritavam em plenos pulmões pelas ruas de Beja "Viva a Peluda, Viva a Peluda"...

Eu, quando era maçarico (jovem militar), ás vezes sonhava com a Peluda:
Umas vezes, imaginava a Peluda sendo uma mulher madura, de formas bem torneadas e membros pilosos, que nos acariciava  nas longas e frias noites de sentinela. Outras vezes, gostava de imaginar que a Peluda era uma sardenta hippie de tranças e que eu viria a conhecer um dia. Ás vezes, a Peluda transformava-se num ser mítico, metade mulher, metade macaca, que me raptaria para o seu covil e todos pensariam que eu tinha desertado...

A gíria militar era pródiga em palavreado esquisito: " comer que nem um lateiro", "meter o chico" ou "passar á peluda" são exemplos disso mesmo.

Mas quem era afinal a Peluda?

Será que aproveitou a debandada geral e emigrou também?
Ou será que casou e é agora uma extremosa dona de casa, com filhos já grandinhos?

Bom, a "Peluda" era o termo utilizado para descrever o momento da disponibilidade, era quando um jovem deixava de ser militar...

Significava a liberdade total para se fazer o que se quisesse, dormir até tarde sem ter de ir para a formatura, sem ter de marchar, de ouvir o corneteiro, não ter de aturar o parvalhão do Cabo-Chico, do Sargento Lateiro ou do barrigudo do Oficial de Dia...
Em suma, era não ter de andar sempre fardado e borrifarmo-nos para a vida militar...

Agora que este País tem de obedecer a tanta norma, é caso para gritar novamente:
"Viva a Peluda !..."

Foto: Quartel de Beja, anos 70
Brasão do Regimento de Infantaria de Beja. (RI16)

Nota do Autor:
Este texto é uma singela homenagem a todos quantos serviram a Pátria e foram Soldados de Portugal. Porque todos nós, como numa Irmandade Fraterna, conhecemos, um dia, a Peluda...


Margarida Ilhéu, a Doceira-Motard




Confecciona pão de rala, encharcada, sericaia, fidalgo, toucinho do céu...
A última pérola é colocada no centro da coroa. À pinça. Mas o bolo real ainda não está pronto para ir à mesa. Falta uma espécie de muralha em forma de fios de ovos que o há-de circundar. É só mais uns segundos. Agora sim, já está. Margarida Ilhéu termina a sua obra e exibe-a: "Diga lá se não fica lindo?" Fica pois!

Mas antes de ser um verdadeiro bolo real, esta espécie de ícone dos doces conventuais - à base de ovos, amêndoa, gila e açúcar - deixou para trás três dias de paciência e saber. Foi um legado que Margarida herdou com orgulho de Maria Carolina e Adémico, um casal de idosos de Alcáçovas que partilhou o segredo com a jovem pasteleira da terra. "A massa tem que descansar de um dia para o outro. Só depois pode ser cozida. Demora horas até arrefecer e só ao terceiro dia o bolo é enfeitado. Este leva muito tempo. O senhor Adémico levava uma tarde inteira a fazer a coroa", recorda ao DN.

Não admira que o bolo real tenha sido apresentado como um cartão de visita na sétima Mostra de Doçaria das Alcáçovas, que decorreu naquela freguesia de Viana do Alentejo. Uma terra pacata, onde as mãos enrugadas da maioria das gentes mostram que a desertificação acelerou em grande escala, depois da agricultura ter perdido o fulgor de outros tempos. Mas nem por isso a vila desiste de procurar o seu futuro. Nem que seja a adoçar a boca aos portugueses.

Daí o empenho das mãos que confeccionam toucinho do céu, pão de rala, sericaia, encharcada, mel e noz, fidalgo, lampreia, trouxas de ovos e o "Conde das Alcáçovas". Ficamos a saber que, à primeira vista, este elemento da nobreza da doçaria regional se assemelha às farófias, mas que, depois, tem outros segredos.

Mas, afinal, uma doceira é ou não uma artista? Margarida parece intrigada com a pergunta: "Às vezes acho que sim, mas depois há coisas que não consigo fazer. Esta semana pediram-me um barrete de pasteleiro em maçapão, mas fiquei irritada porque não me saiu nada de jeito."

A aventura começou há 13 anos, quando estava cansada de pedir dinheiro ao pai e queria ir com o namorado - hoje marido - a uma concentração motard em Gerez de la Frontera. "Perguntei-lhe se não seria boa ideia fazermos uns bolinhos. Ele ainda duvidou, mas as pessoas adoraram as minhas padinhas - bolo branco - naquela Páscoa."

O mote estava lançado. O 12.º ano ficou pelo caminho: Margarida mergulhou na secular Padaria Primavera, que pertenceu ao avô do marido. Conservou as padinhas, mas acrescentou-lhe os bolos secos (broas e areias). Ainda só trabalhava com duas massas, mas já alargou a nove. Imposições da doçaria conventual que fazem hoje da Pastelaria Margarida Ilhéu uma referência na região.

"Faço pesquisa na Internet para me actualizar e de umas receitas vou tirando outras", revela Margarida Ilhéu. Aqui sim, a resposta vem na ponta da língua: "Quando vou às mostras nunca tenho mãos a medir. Às vezes, as pessoas até brigam para comprarem os meus bolos. Se calhar, é porque gostam, não?"
Reportagem de Roberto Dores para o , em 15 de Dezembro de 2007.

Consuma Portugal, Respire Portugal.
                                Prefira produtos e destinos portugueses.

domingo, 3 de novembro de 2013

Caminhada em Viana do Alentejo: Santuário, Serra e Olarias


 Caminhada"Viana do Alentejo: Santuário, Serra e Olarias"

Organizado pela Secção Outdoor da Associação dos Amigos de Alcáçovas e pelo grupo "Alcáçovas" da Plataforma Pedestrianista www.caminharemportugal.com

Concentração: Bombeiros Voluntários de Viana do Alentejo
Dia: 16NOV13
Hora de Concentração: 09H45
Inicio: 10H00
Distância do Percurso: Cerca de 12 Kms

Grau de Dificuldade: Grau 1 - Percurso com algumas subidas em estradão ou caminhos de pé posto, com piso pedregoso e/ou lamacento. Existem subidas com desníveis superiores a 100m, mas sem qualquer dificuldade técnica. Possibilidade de encontrar gado de pastoreio. (Ovelhas)

Descrição do Percurso: Caminhada em Viana do Alentejo e Serra de S. Vicente, com visita ás pedreiras abandonadas, ao Santuário da Nª Sra d`Aires, á vila e ao seu Castelo. (A entrada no Castelo é facultativa, pois custará 1 Euro por pessoa)

Almoço no campo. Cada participante traz o seu alimento..

Lanche-Convivio em Viana do Alentejo, no Café-Restaurante A Fonte. (Facultativo)

Ementa:
Entradas- Chouriço, Linguiça, Farinheira.
Petisco- Orelha de porco, Torresmos, Moelas, Pipis.
Bebida á descrição, sobremesa e café.
Preço : 10 Euros por pessoa.
Confirmações para o Lanche-Convivio no próprio dia. (Lotação Limitada a 40 Pessoas)

Viana do Alentejo está situada a 48 Kms de Montemor-o-Novo, a 30 Kms de Évora e a 148 Kms de Lisboa.

Nota: A actividade é gratuita e não tem seguro. Cada um caminha por sua conta e risco...

sábado, 2 de novembro de 2013

Marmelo Cozido com Nozes

 

Marmelo Cozido com Nozes 
(Receita gentilmente cedida pela D. Adelaide, Café-Restaurante "A  Fonte", Viana do Alentejo) 
  • -Marmelos
  • -Nozes
  • -Açúcar ( A gosto)
  • -Canela ( A gosto)
  • -Vinho do Porto (A gosto)

Cozem-se os marmelos depois de descascados e adicionam-se açúcar, canela, vinho do Porto e nozes descascadas.
Serve-se frio.

Restaurante "A Fonte"
Estrada de S. Pedro, 14
7090 Viana do Alentejo
Telemóvel: 962 931 435
Aberto todos os dias
Horário: 08h/24

Por Vales do Sado e do Xarrama





 





No passado sábado, dia 26OUT13, a Secção Outdoor da Associação dos Amigos de Alcáçovas organizou mais uma caminhada inserida na plataforma pedestrianista www.caminharemportugal.com.
Desta vez, com 25 participantes, fomos conhecer os Vales do Sado e do Xarrama, através dos seus canais de irrigação e passando nas aldeias de S, Romão e de Rio de Moinhos. O ponto de encontro foi na Barragem de Vale de Gaio e após o final desta caminhada, ainda houve forças para fazermos uma curta visita guiada á vila do Torrão e onde, no Restaurante "O Besugo" acabámos o dia da melhor maneira, degustando uma excelente Carne de Porco á Portuguesa...


Link para visualização do percurso: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=5515473

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Café Central (Rio de Moinhos, Torrão)






Rio de Moinhos é uma pequena aldeia nas margens do Sado. Antigamente, foram trazidos inúmeros escravos africanos para esta zona para trabalharem nas salinas e arrozais, pois as populações brancas eram mais facilmente dizimadas pela malária e paludismo, que eram doenças endémicas nestes vales do Sado e do Xarrama. Assim, os seus descendentes conservam ainda traços genéticos de origem africana. Isolados pela cor da pele e pela dureza do território circundante, são gente muito hospitaleira e simpática que recebe o visitante de forma soberba, fazendo-nos sentir muito bem vindos.
No Café Central, mediante marcação prévia, podemos saborear verdadeiros petiscos inspirados na vivência destas gentes, iroses fritas são, por exemplo, um dos meus pratos preferidos quando cá venho. Mas a D. Luisa também faz uns chocos fritos de comer e chorar por mais e as bifanas são de fazer crescer água na boca.
 Café Central:  265 677 121
Para visualização de percursos nesta aldeia: