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sexta-feira, 17 de julho de 2026

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Estação Ferroviária da Beirã- Marvão















 Há lugares onde o tempo parece parar… e a Estação de Marvão-Beirã é um deles.

Durante décadas, este foi um ponto de passagem entre países. Comboios vindos de longe cruzavam aqui a fronteira, trazendo viajantes, histórias e despedidas que ficavam no ar da plataforma.
Hoje o silêncio domina o espaço.
Mas quem observa com atenção ainda consegue imaginar o movimento de outros tempos — malas na mão, apitos de locomotiva e vidas a cruzarem-se por instantes.
A estação continua ali, firme, como um guardião discreto da memória ferroviária do Alentejo.

Texto e fotos: João Manita, 365 Days in Alentejo.

domingo, 8 de março de 2026

Estação Ferroviária de Casa Branca




 A estação de Casa Branca é pequena e calorosa e todas as casas são brancas dando jus ao nome da aldeia, são o espelho de tranquilidade onde se reflete o azul do céu e o verde dos campos planos sem fim que a rodeiam. Foi em tempos um dos principais pontos das linhas ferroviárias alentejanas, sendo hoje ainda um importante ponto de ligação e troca de percursos e caminhos. Um painel de azulejos dá cor e alegria à aldeia. Da estação avistam-se hortas cuidadas, com todos os tipos de vegetais e legumes, há árvores de fruto, laranjeiras e pessegueiros, que libertam aromas e perfumes de encantar. Os pessegueiros estão em flor e são lindos de se ver. O funcionário da estação diz que a horta mais bonita é a dele e indicou-me o caminho para lá para eu comprovar, e é mesmo. Ouvem-se os pássaros a cantar e sabe bem-estar aqui sentada à sombra no meio das hortas. Aqui cheira a ar puro, calma e harmonia e pode-se pensar e relaxar em paz.

Avançando pelas poucas ruas que constituem a aldeia, avisto um pastor com as suas ovelhas, tem cerca de 14 e diz que naquela aldeia as pessoas são muito trabalhadoras e passa-se o tempo a trabalhar. É uma aldeia de gentes humildes e acolhedoras, aqui todos sabem quem é o vizinho e mais, aqui falam, conhecem-se e são amigos. Juntam-se em convívios animados na tasca ou no café e no restaurante, os únicos que vi neste meu passeio e onde se comem belos manjares e petiscos. Há um minimercado que tem de tudo um pouco, o dono é muito simpático e mostrou-me onde faz o pão e os bolos secos que vende e que são uma maravilha ao paladar.

Já no final do dia acompanhei umas gentes que caminhavam por ali, fazem caminhadas todos os dias e alguns deles faziam também BTT, há grupos e percursos definidos pela aldeia e pelas redondezas, pelos caminhos de terra que acompanham os campos verdejantes. Ficou combinado para uma próxima ir participar num deles.

Inês Manuel




segunda-feira, 2 de março de 2026

Estação Ferroviária de Évora













 Há lugares que também marcam o início do nosso caminho.

A Estação de Comboios de Évora foi um desses lugares para mim. Estas fotografias foram feitas em 2005, com a minha primeira máquina fotográfica digital. Ainda sem saber muito de como era a fotografia na era digital, mas já com a vontade de olhar, parar e registar.
Entre carris, plataformas e partidas, comecei ali a aprender a ver.
Hoje, estas imagens são memória dupla: do lugar e de quem eu era.
No 365 Days in Alentejo, este dia é sobre viagens, as que se fazem de comboio e as que começam com uma câmara nas mãos.

Fotos e texto: João Manita, 365 Days in Alentejo.

sábado, 31 de janeiro de 2026

Estação Ferroviária de Pavia

















 A antiga Estação de Caminho de Ferro de Pavia ergue-se hoje em silêncio, mas nem sempre foi assim.

Durante décadas, este foi um lugar de movimento constante, de chegadas e partidas, de malas gastas pelo tempo e de olhares lançados pela janela do comboio.
Por aqui passaram trabalhadores, agricultores, famílias inteiras e sonhos embrulhados em sacos de serapilheira. O comboio ligava Pavia ao resto do Alentejo e ao país, levando consigo cereais, gado e o fruto de um ano inteiro de trabalho no campo.
Mesmo ao lado, os antigos celeiros da EPAC reforçavam a importância desta ligação. Grandes edifícios pensados para guardar o trigo, símbolo maior da economia alentejana, testemunham um tempo em que a terra ditava o ritmo da vida.
Hoje, os carris desapareceram e o apito do comboio já não ecoa pela planície.
Mas o lugar permanece.
As paredes continuam de pé.
E o silêncio fala, para quem sabe escutar.
Fotografar a estação de Pavia é olhar para um Alentejo que não quer ser esquecido.
É perceber que, mesmo parado, este espaço continua cheio de histórias.

Fotos e Texto: João Manita. 365 Days in Alentejo.