terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Castelo de Beja


São muito raras as cidades, sejam elas situadas no actual território Português ou fora dele, que podem orgulhar-se de ostentar um topónimo tão significativo como Beja. O actual nome da cidade, recuperando o topónimo ancestral (provavelmente pré-histórico) do local, deriva da palavra baja, ou seja, lama ou lodo, trazendo à memória a fertilidade excepcional dos terrenos agrícolas que envolvem a cidade. Mas, durante o processo de romanização, iniciado provavelmente no primeiro século antes de Cristo, adquiriu a designação latina de Pax Julia. O pax reverte para o processo de pacificação das populações célticas que foram invadidas pelos romanos, e o epíteto Julia tem a ver com o nome do Imperador que deu forma a esse processo de paz: Júlio César.

Beja é, por isso, cidade simultaneamente de paz e de fertilidade, ou seja, tem tudo aquilo de que o Ser Humano necessita para viver bem e usufruir da sua vida! A planície alentejana, dourada pelo restolho quente que dá forma e corpo ao ciclo agrícola, perpetua no tempo os valores antigos de gerações e gerações de Portugueses que se vão substituindo umas às outras neste espaço imenso.

E a História de Beja é longa e profícua. Inicia-se provavelmente durante a pré-História, como o indicam os muitos vestígios arqueológicos existentes nas redondezas, e afirma-se de forma peremptória durante o calcolítico quando ali foi construído um povoado fortificado que ocupava o espaço onde hoje se situa o castelo.


Quanto a este, altaneiro a partir das suas muralhas antigas, é produto da evolução dos tempos e das necessidades pelas quais foram passando os muitos pacenses que foram habitando o lugar. Se as primeiras pedras foram colocadas ainda antes da História, tendo-se perdido o seu rasto nos complicados repositórios da memória popular, certo é que os laivos da fortificação mais resistente serão de origem romana. André de Resende, o historiador quinhentista de Évora, assegura, embora sem fontes fidedignas que o atestem, que o local onde hoje se situa o castelo de Beja foi outrora ocupado por um oppidum romano, ou seja, uma fortificação de carácter simples e planta circular, cuja principal função seria a de proteger aqueles que governavam a cidade.

O próprio Júlio César, cumulado de glória por ter conseguido conquistar os anteriores habitantes do local, subjugando-os pela força do seu exército mas também pelo carácter imperioso da cultura que o Império Romano representava, terá estado ali para formalizar a paz que conseguira assegurar. O período romano, foi assim uma época de grande prosperidade para a cidade, que foi simultaneamente sede de convento – o Conventus Pacencis – e sede de uma das chancelarias da Lusitânia. Por ali passava uma das principais vias romanas, que permitia a ligação directa à capital do Império, corporizando um impulso urbanístico cujos vestígios são ainda hoje visíveis um pouco por toda a cidade.


O declínio do Império Romano e a sua progressiva desagregação, sendo sinónimo de uma diminuição paulatina do poder detido pelos invasores, representou também ele o início de um período de maior instabilidade no actual território alentejano e, por extensão, na própria cidade de Pax Julia. Os ataques dos bárbaros, sistemáticos e sucessivos ao longo de vários séculos, traduziram-se em várias conquistas e reconquistas que, como facilmente se percebe, significaram também saques e destruição, delapidando as muitas riquezas que existiam na cidade. Será porventura dessa época o período de maior destruição das muralhas do castelo. Sem tempo nem estabilidade para serem reconstruídas, o processo natural de erosão das mesmas e a incapacidade de se proceder a obras de reconstrução, gerou um processo de ruína acentuado, do qual não escaparam as necessidades práticas e quotidianas de pedras para utilização noutros equipamentos e em casas que foram sendo edificadas. É ainda hoje muito fácil encontrar nas ruas de Beja, casas e muros onde são notórias as grandes pedras retiradas da anterior fortificação da cidade e que, século após século, foram dando forma à urbe que hoje ali encontramos.


Já na idade média, durante o domínio árabe, foi Beja novamente retransformada numa das mais importantes cidades do Alentejo. Os ocupantes muçulmanos, ali chegados no ano de 711, propuseram-se recuperar o traçado urbano antigo e é dessa época a transição do topónimo romano – Pax Julia – para a ancestral Baja. No entanto, quer pelas guerras internas, quer possivelmente pelas alteração dos eixos estratégicos dentro do território, não voltou Beja a recuperar a grandiosidade de outros tempos.

As notícias mais recentes na História da Cidade e do seu castelo são assim do século XII, quando Fernão Gonçalves, chefiando um grupo de populares oriundos de Santarém, ataca a cidade de surpresa alcançando uma vitória retumbante. Embora tivesse sido sol de pouca dura, porque logo depois os inimigos muçulmanos conseguiram voltar a recuperar a cidade, o certo é que até este primeiro esforço de reconquista mostra bem o estado lastimoso em que Beja se encontrava. Um grupo mal armado e mal preparado, naturalmente motivado pela possibilidade do saque a que a vitória do seu ataque daria direito, avança de forma amadora e despreparada sobre as velhas muralhas e facilmente as consegue conquistar.

O regresso ao controle cristão não está devidamente documentado, mas um estudo comparativo com o que aconteceu nas redondezas, permite supor que Beja terá regressado à Coroa Portuguesa algures entre 1232 e 1234, dado terem sido estas as datas em que tal processo aconteceu com as vizinhas cidades de Moura, Serpa e Aljustrel. Mas o seu velho castelo, destruído por sucessivos séculos de ataques e de abandono, só virá a conhecer obras de recuperação com o Rei Dom Afonso III que em 1234 atribuiu o foral à cidade.

O Rei Dom Dinis, depois de confirmar o foral inicial, dedicou-se também à reconstrução do castelo, sendo da sua responsabilidade a generalidade dos amuralhamentos que ali hoje vemos. Foi também ele quem, por necessidades práticas associadas à consolidação da fronteira Nacional, mandou edificar a torre de menagem que é hoje um símbolo de Beja. Com cerca de 40 metros de altura, o que faz dela a mais alta de Portugal, foi concebida de forma similar àquela que existe no Castelo de Estremoz, tendo sido concluída provavelmente durante o reinado de D. João I, o fundador da Dinastia de Avis, à qual Beja se manteve firmemente fiel durante o conturbado processo político de 1383-1385.

Depois deste período, novamente no Século XVI se realizam obras no castelo, desta vez para o adaptar às modernas exigências técnicas da guerra, que já não se compadecia com a formulação eminentemente medieval da velha fortificação. Apesar deste esforço modernizativo, Beja foi completamente destruída pelas tropas napoleónicas durante as invasões francesas, tendo depois disso mantido o seu carácter humilde de cidade de província, estatuto que manteve até ao final da primeira metade do Século XX.


A partir daí, fruto de uma grande aposta do Estado, Beja conheceu um novo período de crescimento. Viu construídas várias escolas e um grande hospital, tendo recuperado alguma das suas antiga pujança. Para surpresa de muitos, ali se construiu um aeroporto internacional, nos idos de 2011, que apesar de não apresentar movimento (!?) é hoje o ex-libris das modernas obras públicas na cidade!

Mantendo nas suas armas municipais a figura do touro, recuperado da velha lenda que nos conta a forma como Beja conseguiu matar uma cobra venenosa que aterrorizava os habitantes da cidade, a urbe é hoje um símbolo muito firme da força e da perseverança que sempre caracterizou as suas gentes, sendo capaz de se afirmar como um espaço de excepcional importância para compreender Portugal e para perceber as origens da identidade Portuguesa.

A paz que a cidade ostenta, cobrindo de glória os muitos motivos de interesse para uma visita e a inesgotável fonte de História e de história que a cada canto e recanto representam, são marca indelével de um sentido de Portugalidade que é urgente compreender.

Texto da autoria de João Aníbal Henriques, http://portugalidade.blogspot.com/

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Água Castelo em pacotes de Açúcar


Coleccionar pacotes de açúcar com história: 
Em 1899 a marca é criada pela empresa alentejana Águas de Moura. 
É no ano de 1936 que a marca lança a sua primeira publicidade televisiva, protagonizada pelo ator António Silva. 
Na mesma altura, a empresa muda a sua sede para Pisões - Moura, onde hoje está localizado. Em agosto de 2019, a Sociedade Central de Cervejas e Bebidas adquiriu 100% do capital da Mineraqua Portugal, que detém a concessão e a marca Água Castello, a um grupo de investidores privados liderado pela Capital Criativo. 
Na década de 70/80, a embaladora de pacotes de açúcar Sempa, cria uma série de 3 pacotes com publicidade à água Castelo, tendo como verso dos pacotes trajes usados em épocas distintas.
Agradecimento: Carlos Daniel Figueiredo






domingo, 5 de janeiro de 2020

Caminhada Gratuita 11JAN20

  • Próxima caminhada gratuita do Grupo Pedestrianista Alcáçovas Outdoor:
  • 11JAN20- Sábado
  • Ponto de encontro: Largo Central de Aguiar, 09H45
  • Hora de começo da Caminhada : 10H00
  • Caminhada circular com cerca de 20 Kms de extensão, nos arredores de Aguiar, na área compreendida entre Aguiar e S. Bartolomeu do Outeiro, passando pelas ruinas das Termas da Ganhoteira.
  • Almoço em formato Picnic em pleno campo. Cada um traz o seu farnel...
  • Aguiar está situada a apenas 22 Kms de Évora e 7 Kms de Viana do Alentejo.
  • Recomenda-se: Chapéu, Óculos de Sol, Protector Solar, Roupa confortável, Botas de caminhada e o necessário suprimento de água na medida de cada um, muda de roupa e calçado para o fim.
  • Tenham em atenção as condições atmosféricas á data da actividade, tendo especial cuidado com a Chuva e o Frio.
  • Nota: A actividade é gratuita e não tem seguro. Cada um caminha por sua conta e risco...
  • https://www.facebook.com/events/2687272634690414/

sábado, 4 de janeiro de 2020

Alcácer do Sal














Alcácer do Sal, a bonita povoação alentejana nas margens do Rio Sado nem sempre foi assim:
"A terra mais doentia do País."
É nestes termos que, em meados do século XIX, um deputado da nação se refere a Alcácer do Sal, acusando o governo de castigar funcionários públicos "deportando-os" para uma comarca com estas características tão negativas. A má fama destes ares, associada à existência de extensos terrenos pantanosos e à cultura do arroz, manteve-se pelo menos até aos anos 30 do século XX e, justamente, porque o sezonismo chegou a ser principal causa de morte. Só que o problema não estava nos ares, mas nas picadas dos mosquitos que, por aqui, tinham propagado a malária a 95 em cada centena de alcacerenses.
Os parlamentares argumentavam que a esperança média de vida nas terras junto aos arrozais, como Alcácer, mas também Santiago do Cacém e Alhos Vedros (concelho da Moita, na margem sul do Tejo) era de pouco mais que 20 anos (!), metade da média nacional de então e que nem era preciso ser médico para ver que estas gentes andavam doentes, pois apresentavam a fraqueza pintada nos olhos, pele de cor terrosa e abdomen dilatado, assemelhando-se aos "peixes sapos".

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Provérbios sobre Galinhas




A Galinha da vizinha é sempre melhor que a minha...
Galinha cantadeira é pouco poedeira...
Galinha que canta, faca na garganta...
Galinha do Mato não quer capoeira...
Galinhas de S. João, no Natal ovos dão...
Todos os dias galinha, na cozinha enfastia...
Grão a grão, enche a galinha o papo...
Galinha gorda não precisa de tempero...
Galinha velha faz bom caldo...
Galinha Preta, põe ovo branco...
Galinha que muito cacareja, ou tem ovo ou pede Galo...

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Alentejo, que Futuro ?


Caros amigos,
O TURISMO (sustentável) é a tábua de salvação do nosso Alentejo mas têm que ser os alentejanos a fazer o MARKETING.
A Hospitalidade é a primeira industria do Mundo. Portugal está na moda. Os turistas estão agora a descobrir o interior.
O Alentejo tem uma paisagem humanizada há milhares de anos que deixou imenso Património. A Identidade Cultural alentejana é feita de um mundo que já não existe na Europa. Os produtos regionais são do mais autêntico que existe.
Há que esquecer complexos e receber os turistas de braços abertos. Acima de tudo temos que SORRIR. Os turistas que nos visitam são EMBAIXADORES do Alentejo. São eles que vão publicitar o que experimentaram.
Há que formar quem recebe, o inglês é essencial mas temos que conhecer a região, o que produzimos e o Património.
O Alentejo não precisa de grandes empresas. O Alentejo precisa de vender os produtos regionais que vão muito além do gourmet. Produzidos de forma artesanal e com a qualidade que têm são únicos. Precisamos de jovens a pegar nos negócios de família. Pequenas empresas familiares que produzam localmente e com qualidade.
Tudo isto tem que ser dinamizado pelas autarquias. As autarquias têm que ter equipas dinâmicas,que conheçam a realidade da região e do Turismo. 

Queremos ACTIVIDADES que tragam gente e publicitem a região. A INTERNET tem que ser usada como porta de entrada da região.
As empresas têm que se juntar a nível regional. Temos que oferecer uma região feita de rotas vivas e dinâmicas.
Não podemos entregar os turistas à sua sorte. estes por falta de informação passam ao lado do ......ALENTEJO.
Na figura abaixo vemos um conjunto de rotas que criámos ligando Monsaraz a Juromenha nas margens do Alqueva. Muitos Km passando por várias aldeias, produtores regionais e centenas de pontos de interesse. Um projecto financiado por nós que infelizmente tivemos que abandonar.
Esta SUPER ROTA permitia que os visitantes ficassem a conhecer o Alentejo interior.
Aumentava a duração das estadias.
Combatíamos a sazonalidade.
Permitia que os produtores dessem a conhecer não só produtos como métodos de produção.
Vamos lá pessoal agarrar a oportunidade.


Texto da autoria do nosso compdre Luís Lobato de Faria 
( Monte da Fonte Santa, Alandroal )

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020